A tecnologia e as crianças

A cena mais fácil de encontrarmos ultimamente é a de crianças - cada vez mais novas - com celulares e tablets nas mãos. E a agilidade com que eles manuseiam os aparelhos? Incrível, não é? 

 

Para ajudar pais e também professores, fomos conferir com especialistas o que pode e o que não pode no mundo virtual. Será que faz mal para a mente e para o corpo? Ou será que vale a pena baixar joguinhos educativos para orientar a criançada e ensiná-los com músicas e brincadeiras?

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A psicóloga e doutora em Educação pela USP, Teresa Cristina Jordão, é diretora da TIC Educa, empresa que desenvolve projetos de inserção da tecnologia como apoio ao processo educativo e formação de professores para aulas inovadoras. Conversamos com ela para saber mais como lidar com a tecnologia que já faz parte da rotina da nova geração.
 
 
Joguinhos de computadores/tablets/smartphones podem ajudar na educação das crianças? 
Jogar faz parte da vida do ser humano desde o início da humanidade. Diversos autores da área da Educação e do desenvolvimento infantil consideram o jogo como um recurso importantíssimo para o desenvolvimento da criança. Essa nova geração não conhece o mundo sem a tecnologia digital. E já que os jogos exercem esse fascínio sobre os jovens, nós devemos aproveitar este potencial para ajudá-los a aprender, a desenvolver habilidades e competências relacionadas aos conteúdos escolares.
 
Jogos que não são classificados como educativos, podem trazer algum benefício para a criança?
O Minecraft, por exemplo, não é um jogo educacional, mas pode ser utilizado para desenvolver algumas competências e habilidades importantes. A inteligência espacial, o planejamento e os mecanismos utilizados nas construções tornam a navegação no jogo uma experiência muito rica de aprendizagem. Porém, muitos jogos possuem um nível de violência e de exemplos ruins que podem ser prejudiciais para os mais jovens. 

Como os pais e professores podem avaliar se o jogo de interesse da criança é positivo ou negativo?
Para os pais, acho que a primeira coisa a fazer é verificar a faixa etária indicada para aquele jogo. Seria importante também, jogar com os jovens para entender o jogo como jogador. Para os professores e também para os pais, eu indicaria uma plataforma gratuita que reúne diversos recursos digitais educacionais, inclusive jogos, chamada Escola Digital (www.escoladigital.org.br). Ela possui mais de 3.000 recursos que foram analisados e categorizados por uma equipe de especialistas e, portanto, só estão ali porque possuem uma qualidade pedagógica adequada.
 
Como você avalia o conteúdo interativo infantil disponível hoje no mundo virtual?
Participando do processo de curadoria de recursos digitais da rede, encontramos conteúdos muito bons e muita coisa ruim. Deve haver uma seleção criteriosa por parte dos adultos que precisam estar atentos ao que os jovens estão acessando na internet. 
 
Até que ponto os pais podem ajudar o filho a explorar, aprender e se divertir no campo online?
Acho que as crianças devem, em primeiro lugar, saber que existem jogos educacionais e que não são “chatos” por serem educacionais. Depois de apresentar o jogo para a criança, seria muito bom criar alguma estratégia de uso em conjunto para incentivá-los e para tornar o ato de jogar um momento agradável de lazer em família.
Porém, é sempre bom lembrar: tudo o que é demais pode ser prejudicial. Então, intercalar os jogos com atividades ao ar livre, cinema, leituras, brincadeiras com os amigos, sempre será a fórmula ideal para férias divertidas e repletas de oportunidades de aprendizagem!
 
 
A tecnologia e as crianas
 
  CURIOSIDADE  
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GERAÇÃO POLEGAR
 

No Japão, os próprios jovens se autodenominam “oya yubi sedai” , a geração polegar e há até campeonatos para saber quem digita mais rápido mensagens no celular. Os polegares orientais passaram ao status de indicador, tornando-se instintivamente favoritos para tarefas como apontar coisas ou tocar campainhas.
 
 
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Por que reduzir o tempo de joguinhos

Para a psicopegadoga, Cynthia Wood, do Crescendo e  Acontecendo, quando uma criança investe muito tempo em uma única atividade ou jogo, perde a oportunidade de desenvolver outras competências e fecha seu leque de conhecimentos. “As atividades online não podem substituir as atividades físicas e de interação com as pessoas e o mundo real, necessárias para o pleno desenvolvimento das crianças”. Para a educadora física e professora de pilates Fabiana Santoro, tudo em excesso é ruim. “A criança pode vir a ter problemas com musculatura encurtada, ter dores, problemas posturais”, alerta Fabiana. A preocupação da especialista em quiropraxia, Priscila Nilson Appiano é a posição de ficar “sentado-deitado” no sofá, típico de videogame por exemplo que provoca uma retificação na coluna lombar. “Isso sobrecarrega os discos da lombar e, ao longo dos anos, começa a provocar uma alteração nos discos. Por consequência é muito comum aparecer a primeira crise de hérnia de disco no adulto jovem”, explica Priscila.
 
 

Fiquem atentos!  

Para os especialistas, até duas horas diárias de exposição a televisão ou a joguinhos  é considerado um tempo normal. Após isso é excesso!
 
• O excesso está associado ao aumento da obesidade infantil;
• Pode causar transtornos de déficit de atenção e problemas de desempenho na escola;
• A criança pode vir a ter problemas com musculatura encurtada e sofrer com dores;
• Atenção à postura para evitar problemas graves de coluna.
• Aparelhos eletrônicos não podem substituir as atividades físicas e de interação com as pessoas e o mundo real;
• O corpo tende a relaxar se ficarmos muito tempo na mesma posição, sem um alongamento e aí surgem os problemas.
 
 

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