Cidadão do Morumbi

Eles fazem tudo que amam e amam tudo que fazem

Eles são egocêntricos, imediatistas e mais impulsivos do que os jovens das gerações anteriores. São mais individualistas, cultuam a si próprios, sendo quase narcisistas. 


Geração Milênio

...

Essa é  Geração Y, que abriga cerca de dois bilhões e meio de jovens “Millennials”.  Muito diferentes dos  “Baby Boomers”, assim chamadas as pessoas nascidas entre 1945 e 1960, que se estivessem bem empregadas, ganhando o suficiente para o sustento da casa, se considerariam felizes. Mesmo que curtir a vida, a família e os filhos fosse um projeto apenas para o futuro. Enquanto os mais velhos trabalhavam apenas no espaço do escritório, com responsabilidades individuais e específicas e pensando nas férias, os mais novos não têm paciência para projetos com resultados em longo prazo. Eles trabalham o tempo todo, pois além de um emprego, eles têm um propósito, amam aprender novas habilidades e precisam se sentir autônomos.  “Essa turma já percebeu que mudanças são inevitáveis. E quando as mudanças são inevitáveis, o mais importante é ter flexibilidade para se adaptar, é ter criatividade”, diz a psicóloga Waleska Vassilieff.    
 
Os nascidos a partir do final dos anos 1970 até o ano 2000 podem mudar de direção com rapidez e desapego. O pensamento deles é: “o relógio está correndo e sua vida está com pressa”.          

                                 
Paolo Barbarisi (foto acima) e Felipe Behar (foto abaixo)
 
Eles são adolescentes... e 
EMPREENDEDORES

...Felipe Behar e Paolo Barbarisi, de 18 anos, são sócios em um negócio que parece estar virando moda. Eles são produtores e organizam festas para jovens, muitos da mesma idade deles, e outros mais novos. E o meio de divulgação dos eventos não poderia ser outro, senão as mídias sociais. Afinal, os meninos fazem parte da geração em que o mundo virtual está aí para ser usado, e no caso deles, da melhor forma possível. “Estamos com um projeto para a nossa matinê, com baladas para o público de 12 a 17 anos. Nossa ideia é fazer com que os jovens se divirtam sem álcool, cigarro ou qualquer outro tipo de droga de uma forma segura”, conta Felipe, que já organiza as baladas teens em Vinhedo, no interior do Estado, e também no Rio de Janeiro. Pelo mercado de eventos ser instável, Paolo Barbarisi conta que já se preocupam com o futuro e apostam em outros segmentos do entretenimento. “Estamos montando projetos em outras áreas e quase 90% do que estou ganhando invisto em outros negócios, que no futuro estarão gerando os frutos que estamos plantando hoje”, diz. Para a psicóloga Waleska Vassilieff, essa geração não faz a divisão entre trabalho e diversão, nem tem um conceito de idade certa para começar a trabalhar. “Eles são muito mais empreendedores que os pais, querem alcançar o sucesso o mais rápido possível”, explica.
 
 

 
 
 
Guilherme Mendonça
Outro jovem que trabalha com eventos é Guilherme Mendonça (foto ao lado), de 15 anos. Tudo começou com uma brincadeira entre amigos que resolveram organizar uma festa para chamar os mais próximos. Mas, a notícia se espalhou e o evento lotou. Hoje a empresa que o adolescente ajudou a fundar faz festas e ele ganha o suficiente para realizar todos os seus desejos materiais às vésperas de completar 16 anos. “Já passei férias em Los Angeles e Las Vegas, esse ano realizei meu sonho de conhecer Nova York e todo meu esforço me dá a possibilidade de comprar a maioria das coisas que tenho vontade. Pretendo ainda esse ano começar um curso de inglês, frequentar aulas de artes marciais e, em breve, fazer faculdade de Propaganda e Marketing”, compromete-se.
Para o psiquiatra Walker Cunha, os jovens empreendedores devem ser motivados, desde que o trabalho e a responsabilidade decorrentes de suas atividades sejam lúdicas, ou seja, gerem satisfação. “É importante que os pais acompanhem seus filhos nessas atividades e saibam motivá-los, mas nunca permitir que se crie no jovem a ideia de que quem tem dinheiro manda mais”, alerta o psiquiatra. “O grande problema é quando a independência financeira precoce gera no jovem a sensação de não dever satisfações a ninguém e quando, inconscientemente, alguns pais permitem isso”, finaliza .  


 Paulo Fisch (esq e acima) e Mateus Enrico Caruso (dir)
Jovens 
INVENTORES

Paulo Fisch e Mateus Enrico Caruso, ambos de 17 anos, inventaram algo inusitado para a idade deles: uma asa de avião em que a superfície superior com covinhas iguais às bolas de golfe aumenta a zona de baixa pressão aumentando a força de sustentação do avião. “Sou fanático por aviões e jogo golfe. Numa reunião com o Mateus e o professor de física Luis Otávio Bernardi, tivemos a ideia de desenvolver essa asa para a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), no início de 2013”, explica Paulo, que sonha com a faculdade de Engenharia Aeronáutica ou Mecânica. O projeto está em processo de desenvolvimento e os meninos ganharam uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para se aprofundarem nas pesquisas. “Vamos continuar nosso trabalho, pesquisando mais a fundo os mecanismos de como aplicar o padrão em aviões maiores, que sofrem com turbulência devido a maiores velocidades e possuem uma geometria de asa diferente”, conta Mateus. que pretende cursar Engenharia Mecatrônica e Física. Segundo a psicóloga Renata Yamasaki, não há problema dos jovens inventores pularem a fase de “curtir” e assumirem posições importantes e com responsabilidades como é o caso de Paulo e Mateus. “Quantos adolescentes se tornam pais antes dos 18 anos, porque não tiveram responsabilidade ou orientação dos pais, e precisaram interromper os estudos para irem cedo para o mercado de trabalho e ajudarem no sustento da nova família ou a pagar pensão para o filho?”, compara Renata.
 
 
Henrique Barros e Pedro Henrique Simões
 
EMPREENDEDORES 
de São Paulo

Os publicitários e sócios Henrique Barros, 32 anos, e Pedro Henrique Simões, 33 anos, transformaram a inquietação em um grupo que se reúne toda útima quinta-feira de cada mês com boas histórias de empreendedorismo e inovação. “O grupo Empreendedores de São Paulo surgiu com o objetivo de diminuir a distância entre jovens iniciantes ou que já estão caminhando com seus negócios para que possamos fazer uma troca de informações rica, eficiente e colaborativa”, explica Henrique. Segundo ele, todas as pessoas nascem com instinto empreendedor, mas em algum momento da vida o perdem e para que ele volte é preciso de estímulos. “Estamos vivendo em um momento ímpar na história do empreendedorismo. Nunca se falou tanto sobre o assunto e nunca tivemos tantas pessoas interessadas em ter o seu próprio negócio”, afirma o publicitário. 
Quem tiver uma boa ideia, mas não souber como colocá-la em prática, pode fazer parte dessa turma. Os encontros já deixam bem claro que esta geração veio para modificar tudo que as outras tinham como “correto” na hora das reuniões de trabalho. Um grupo, de no máximo 20 pessoas, se encontra num momento descontraído no final do dia, durante um happy hour num bar ou restaurante. As pessoas nem sempre são as mesmas e os lugares, é claro, não se repetem – não podemos esquecer que estamos falando de pessoas que gostam de novidades. Durante a conversa, assuntos como inovação, tecnologia, mercado e política são abordados por todos. Outro tipo de reunião que acontece com o grupo é a mesa redonda temática, onde um tema específico é escolhido e um mediador é responsável por tornar o debate rico e produtivo.        
 

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Baby Boomers

1945 a 1960
 
Baby Boomers 
 
Essa geração foi importante para a conquista de várias causas sociais no século passado. Eles foram agentes de grandes transformações, a começar pelo debate do papel da mulher, quebrando, além disso, barreiras políticas. A juventude que saiu de casa para morar sozinha, pregando a paz, o amor e o sexo livre.    
 
 



 
 

 
Geração X
 
 
1961 a 1980
 
Geração X
 
Filhos dos Baby Boomers e contrários à filosofia hippie, esses jovens se mostraram transgressores, com posturas não necessariamente alinhadas aos preceitos de liberdade pregados pela geração anterior. Entre as características desse novo grupo, estão a busca por seus direitos, a liberação sexual, bem como a valorização do sexo oposto, entretanto sem dar muito valor ao respeito à família.
 
 
 
 

 
 
Geração Y
 
Millennials 
1981 a 2000
 
Geração Y
 
Fazem parte de uma juventude muito global. São pessoas ligadas a outras não necessariamente pela geografia, mas sim por interesses comuns. Ou seja, com as ferramentas digitais, eles acessam suas comunidades de interesse. Outros dois pontos importantes dessa geração é a flexibilidade e a não linearidade de pensamento.
 
 
 
 
 
 
 

 

Geração Z

 

2001 em diante
 
Geração Z


Mais voltada para os games, já que são indivíduos que acompanharam, de certa forma, o forte desenvolvimento dessa indústria nos últimos anos. Ou seja, esses indivíduos se acostumaram com a lógica dos games, que é muito disseminada na vida deles. Além disso, a competitividade e a colaboração são valores fortes no mundo dos jogos eletrônicos, sendo incorporado no cotidiano dessa geração, que está mais interessada em ‘estar’ do que, efetivamente, em ‘ser’.

 

 
 
 
 
 

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