Quando é hora de dizer “NÃO“

Tradicionalmente o “não” é mal visto. Quando manifestado, pela palavra ou por um gesto, significa recusa, rejeição, discordância e isso tende a contrariar quem o recebe. E se for de um parceiro para outro, a situação pode ficar bem pior porque a negativa pode ser interpretada como falta decompreensão, colaboração, cumplicidade ou até de amor.

Pois quer saber? Vale a pena correr esse risco se estiver em jogo a individualidade ou bem estar do parceiro. Vez ou outra satisfazer as vontades da pessoa amada, desde que isso não se constitua numa autoagressão, vá lá. Mas é preciso ter em mente que a união afetiva não implica a anulação da personalidade, da autonomia nem da autoestima de nenhum dos dois. O direito de decidir sobre o que lhe convém, agrada ou interessa fazer é um bem inalienável que não pode simplesmente ser abandonado em favor das exigências, caprichos  e chantagens emocionais do parceiro.
Se houver acordo mútuo sobre o que convém ou agrada a ambos fazer, ótimo! Vamos em frente! O amor a dois, como a expressão diz, deve ser curtido a dois. Fazer prevalecer a vontade de um sobre o outro e submetê-lo forçadamente a um “sim”, é, antes de tudo, uma demonstração de desamor e falta de respeito. O direito de um acaba quando começa o direito do outro. Ou, dito de maneira mais informal, “a ponta do seu dedo termina onde começa o meu nariz”...
Essa premissa vale para todas as coisas que envolvem a vida do casal, desde a simples escolha do prato ou da bebida do jantar, passando pelas roupas, móveis, passeios – até as práticas e posições sexuais.
Aliás, é na cama que o “não” costuma criar alguns conflitos sérios. Inclusive, é pelo medo de dizer “não” que muitas jovens engravidam precoce e involuntariamente, porque o parceiro alega o velho chavão de que transar com camisinha é como chupar bala com papel. É também pelo medo de dizer “não” que muito parceiro não resiste ao “convite” do outro para experimentar drogas.
A submissão não cabe numa relação afetiva de verdade, não só porque implica a anulação da autoestima de um parceiro, mas também porque implica a presença, do outro lado, de uma “poderosa autoridade”. Se assim é, essa união não pode ser chamada de relação amorosa.
Enfim, se um parceiro só fica satisfeito mediante a passividade do outro, então não pode ser chamado de parceiro de verdade, porque ele está desconstruindo a individualidade da pessoa que diz amar.

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