Férias de amor

Quando uma relação amorosa ‘esfria’ ou os parceiros entram em rota de colisão, nada é mais eficaz para um reaquecimento ou pacificação do que tirar férias juntos. Mas só o casal, sem os filhos ou agregados, se houver.


Este artigo vem a propósito da proximidade do fim de ano, período tradicionalmente reservado para férias, sejam coletivas – por parte das empresas – sejam familiares. Aliás, quem pretende viajar e ainda não fez reserva antecipada do hotel, está correndo o risco de ter que escolher outra cidade menos famosa. O que, para efeito dos objetivos deste artigo, não chega a ser um problema: até uma ilha deserta serviria – se ainda existisse.

Os parceiros afetivos sabem que o cotidiano traz rotinas, problemas e maus hábitos. Tudo isso junto, detona qualquer história de amor.

O pastel do cotidiano rotineiro tem vários recheios: problemas no trabalho, contas a pagar, cuidados com as crianças, com a casa, a saúde, o carro, conflitos familiares – e outros que não me ocorrem agora.

Antigamente, havia quem aconselhasse aos parceiros tirar férias separados para que um pudesse sentir a falta do outro e assim resgatar o amor. Esqueça isso. Em muitos casos, essa estratégia fazia a festa dos ricardões e periguetes. Ressentimentos e sentimentos de solidão e rejeição juntos, acreditem, não dão coisa que preste no campo afetivo.

A ordem do dia é deixar os filhos com sogros, tias ou amigos de confiança, assegurar-se de que cuidarão muito bem deles e partir para gozar parte das ferias a sós – ele e ela. Na outra metade, aí sim, poderão levar filhos, pais, sogros, cães e gatos. Certamente, todos vão notar as mudanças nos parceiros: mais leves, soltos, alegres... e apaixonados.

A base dessa estratégia é simples: as viagens a sós fazem o casal tornar-se necessariamente parceiro, cúmplice, aliado e colaborador para que possam superar juntos os costumeiros imprevistos, as inevitáveis dificuldades e outras surpresas que costumam acontecer nesse período. E depois, sem a necessidade de focar parte da atenção nas rotinas do cotidiano, só resta a cada um dedicar-se ao outro – e é aqui que está a chave do sucesso. Claro, dia sim dia não o casal usará o iPhone ou o iPad para ver e conversar com os filhos e pais para diminuir as saudades e assegurar-se de que tudo está correndo bem na sua ausência. Para isso existe o Skype, Facetime e outros aplicativos.

Agora, se esta sugestão não for aceita simplesmente porque nenhum dos parceiros aguenta mais ficar sozinho por muito tempo com o outro, o remédio não está nas férias. Provavelmente estará no consultório de um bom psicoterapeuta de casais.

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