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Não deixe a vida te levar

A chamada liberdade poética tem permissão de dizer o que lhe aprouver para tornar mais belo o poema, o romance, a música. –– qualquer forma de expressão artística.

A nós, leitores, ouvintes e espectadores, cabe apreciar, curtir e aplaudir a obra. Mas daí a fazer da sua mensagem um padrão de vida, a distância é muito grande. Alguém já disse que não podemos alterar o começo da nossa história de vida, mas certamente podemos mudar seu final. A isso se chama livre arbítrio, capacidade de decidir a respeito do que lhe diz respeito. A vida é feita de escolhas e cabe a cada parceiro fazer aquelas mais adequadas à sua própria felicidade e à do casal. Há uma música muito popular – e aliás, muito bonita – que diz: “Deixa a vida me levar...” e mais adiante admite “agradecer ao destino que Deus me deu”. E ainda: “se a coisa não sai do jeito que eu quero... o negócio é deixar rolar e aos trancos e barrancos lá vou eu!” Todos sabemos que a música se dirige à nossa emoção, e não à razão. Aquilo lá é apologia do conformismo e da passividade. Que negócio é esse de levar a vida aos trancos e barrancos, deixando rolar? E sua autonomia, sua autoestima, sua capacidade de fazer acontecer, de reagir e mudar o placar do jogo? Tudo bem, trata-se de uma música muito legal, que nos convida à dança e à animação. Mas é só. Nem acredito que tenha sido intenção do autor dar conselhos a ninguém sobre como levar a vida. Mas parece que tem parceiro que usa esses versos para justificar a falta de rumo de sua existência com o consequente comprometimento da qualidade de vida e amor do casal. Que deve existir poesia na vida amorosa, não há a menor dúvida; mas a vida amorosa não pode ser feita apenas de poesia ou não de mantêm de pé. E para concluir: Deus não dá destino a ninguém. Ele nos dá sabedoria, autonomia e forças para cada um construir o seu. Simples assim.

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