A mulher e suas escolhas

A mulher tem conquistado espaços importantes e merecidos na nossa sociedade, mas, para muitas, ainda falta vencer alguns obstáculos.
O primeiro deles está na própria mulher, que precisa resolver este conflito: é melhor crescer e enfrentar os desafios e dificuldades da vida autônoma, com liberdade e opinião própria ou é preferível continuar dependente do companheiro, que lhe provê as necessidades materiais que julga importantes? Para muitas, é uma tentação muito grande ficar na zona de conforto. Para outras, é incômoda essa posição porque, se por um lado proporciona relativa segurança, por outro tolhe suas iniciativas e a impede de ter um papel mais relevante na sociedade.
Outro obstáculo é saber e conseguir harmonizar qualquer das opções acima com o papel de parceira e, se for o caso, de mãe.
Assumir a cidadania, incluindo-se aqui a atuação profissional, não implica necessariamente abdicar da maternidade e dos prazeres da vida a dois. Podem torná-las mais trabalhosas, mas não são papéis excludentes.
É muito importante para a mulher decidir se deseja ter uma longa e importante carreira numa empresa – hoje, muitas são diretoras e presidentes – por real vocação ou se é apenas para entrar numa desnecessária competição com os homens. O primeiro caso caracteriza um legítimo direito, para o qual tem toda competência. O segundo caso estará mais próximo de uma imaturidade proveniente de ressentimentos e rebeldias pessoais.
A decisão de não ter filhos segue o mesmo raciocínio. Se for uma opção consciente, é também um direito. Mas se for motivada apenas pela crença de que um filho vai atrapalhar sua carreira, estará abrindo mão de uma privilegiada e transcendente capacidade concedida somente às mulheres. Ser mãe ou ser executiva são maneiras alternativas da mulher dignificar igualmente sua condição. Mas sempre que a maturidade for colocada naqueles termos, deixando que escolhas sejam feitas exclusivamente por razões emocionais, a mulher estará se distanciando da realização plena que tanto busca – tanto quanto os homens. 
Certamente que a postura e as atitudes do parceiro poderão influir fortemente nesses processos. Quando egoísta e preconceituoso, o homem atua como um negativo estimulador da rebeldia e inconformismo da mulher, estabelecendo, assim, um confronto de radicais.
O parceiro, de quem também se espera maturidade, precisa não só conhecer a sensibilidade da alma feminina e interagir adequadamente com ela, mas sobretudo respeitar as escolhas e os direitos da sua companheira. Ou não se poderá falar de amor nessa relação.   

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