Erro
  • There was a problem loading image Tarja_00_ Floriano Serra_.jpg
  • There was a problem loading image Tarja_00_ Floriano Serra_.jpg

Onde foi parar a magia do sexo?

Sou de uma geração em que a prática do sexo era caracterizada pela discrição, pelo segredo e, sobretudo, pela magia das descobertas.
 Era um terreno sedutor e saboroso, mas onde se pisava com cautela, através de sustos e com muita paciência, porque não era fácil conseguir seu desfrute. Naquele tempo era preciso conquistar lenta e gradualmente espaços e confianças junto à pessoa amada. Mas, longe de nos fazer desanimar, essas dificuldades só faziam aumentar a excitação e a vontade.
Tudo isso era muito encantador e adquiria auras de verdadeira magia. Cada dia havia um delicioso capítulo novo naquela história de amor. Aprendíamos, assim, a dominar as ansiedades e a compreender que o verdadeiro e intenso prazer do sexo precisava ser aprendido e treinado para finalmente ser curtido em toda sua plenitude. 
Hoje continuo me assustando ao perceber como as coisas estão muito diferentes nesse assunto. Tem se tornado comum as pessoas fazerem sexo com pressa, sem rituais carinhosos ou sem experiência –  portanto, sem total sabor. Há uma preocupação maior com quantidade e pouco com qualidade; com tamanhos e circunferências e quase nenhuma com sentimentos e sensibilidades. 
Numa época em que se multiplicam os swings, ménages a trois (ou a quatre, cinq...), orgias, transas com parceiros casuais, exposições públicas e pelas redes sociais e até sessões de sadomasoquismo, fico me perguntando: é esse o progresso humano no campo amoroso?
Certamente não pretendo aqui fazer julgamentos, ditar regras e muito menos censurar comportamentos nessa área. Já se disse muitas vezes que a vida é feita de escolhas e cada um usa do seu livre arbítrio para decidir o que e como convém fazer.
Estou apenas fazendo meras reflexões a respeito de tendências que me parecem avessas ao bom sexo – como, por exemplo, a de pular etapas. Dizem os alpinistas que o prazer de chegar ao topo da montanha está na aventura de escalá-la devagar, passo a passo, com todas as dificuldades inerentes. 
Gostaria muito de estar errado e de que essas opiniões não passassem da visão distorcida de um articulista careta, quadrado e conservador. Mas a quantidade de divórcios, separações, agressões, desencontros e desencantos amorosos de que tomo conhecimento, não me deixam muito otimista.
Penso que, a continuar assim, o romantismo logo será coisa ultrapassada e o sexo não terá apenas 50, mas inúmeros outros tons de um cinza borrado, amargo e solitário.                                                       

Comentários (0)

500 caracteres restantes

Cancel or