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Quem tem medo da verdade?

As pessoas costumam se incomodar pelas coisas mais triviais do mundo – na opinião de alguns – e para isso não há explicação lógica. O que incomoda você pode não significar nada para mim.
Quando essas coisas “incômodas” são vistas ou encontradas na rua ou em visitas e passeios ocasionais, menos mal. 
Mas o que dizer quando elas acontecem dentro da sua casa, ao seu lado, todo dia e vêm justamente do seu parceiro? Nessas circunstâncias você pode ter duas reações: ou reclama no ato ou finge que não vê.
Na primeira hipótese, há o risco de constranger o parceiro ou dar início a uma discussão. Afinal, ninguém gosta de ser censurado por um gesto, um hábito, uma maneira de falar ou de fazer algo – principalmente quando a pessoa não vê nada de errado naquilo. Na segunda hipótese – fingir que não vê – o risco é de criar dentro de si uma “bomba-relógio” emocional que pode explodir a qualquer momento pela irritação acumulada – e não manifestada – ao longo de meses ou anos de convivência. E então, o que fazer?
Para ajudar a resolver essa desagradável situação, costumo sugerir um exercício em duas partes: na primeira, o casal escolhe um dia em que esteja a sós e sem risco de interrupção. Com bastante calma e maturidade, cada parceiro, um por vez, deve dizer ao outro as 3, 4 ou 5 coisas (atitudes, gestos, palavras, desleixos, hábitos, etc.) que mais o incomodam. É importante que as palavras sejam apenas descritivas e não tenham nenhum sentido de crítica, ironia ou gozação. O outro, nessa hora, apenas ouve, sem se defender, contra-argumentar ou negar. A única expressão permitida é: “Me fale mais sobre isso”,  o que pode ser repetido até considerar que o assunto foi bem esclarecido.
A segunda parte do exercício consiste em repeti-lo, mas desta vez, cada parceiro deverá dizer ao outro as coisas que mais o agradam no outro, que dão mais prazer, satisfação e alegria.
Como devem ter percebido, esse exercício proporcionará resultados importantes para a harmonia de qualquer casal: cada parceiro ficará sabendo, da própria fonte, o que está fazendo que desagrada ou agrada ao outro. O que significará que, de agora em diante, estará agindo de caso pensado, com plena consciência do tipo de reações que provocará na pessoa amada. O objetivo será maximizar as coisas boas e minimizar ou extinguir as desagradáveis.
Algumas verdades ditas poderão surpreender o outro, mas um casal que se ama de verdade deveria deixar sempre as coisas muito claras. A menos que tenham medo da verdade.                            
 

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