Amores eletrônicos

Amores eletrônicos
Algum tempo depois que a televisão foi inventada e se tornou popular, ela passou a ser queixa comum entre muitos casais: a “troca” do parceiro pelo aparelho.
Após o jantar, mesmo depois de um dia de trabalho sem se verem, os casais sentavam-se na sala de estar diante do aparelho, e se instalava ali um inquebrantável silêncio sepulcral, só às vezes cortado pelo ronco de algum deles.
 
Era comum cada parceiro ter seu próprio aparelho de TV e, nesse caso, nem compartilhavam dos mesmos programas. Cada um ia para um canto da casa e curtia solitariamente sua atração favorita.
 
Quando a carência batia, vinham as queixas: ora ela se queixava do enorme tempo que ele “perdia” vendo transmissões e debates esportivos ou mesmo políticos. Outras vezes era ele quem se queixava do excessivo tempo que ela dedicava às novelas, programas de culinária e outros.
 
Ou seja, naquele tempo já havia muitos solitários a dois.
 
Depois, os hábitos e valores mudaram. As mulheres passaram a gostar de futebol e os homens, de novelas – e assim uma relativa paz se instalou nos lares, porque agora, ambos podiam assistir juntos aos programas de TV –, embora continuassem calados e, portanto, solitários.
 
Será que isso acabou nos dias de hoje?
 
Na minha modesta opinião, não acabou. Apenas se transformou.
 
O calor humano, a intimidade, o afeto e a companhia que os diálogos proporcionam continuam em falta entre os parceiros que antes se deixavam hipnotizar pela televisão.

Hoje, ao invés da telinha, os casais estão com a atenção conectada em celulares, iPads, iPhones, smartphones – cada um com o seu –, consultando o Facebook, o Google ou trocando mensagens pelo Skype, FaceTime ou apps. E tome Instagram pra lá e selfies pra cá, além das invariáveis fofocas. Viva o avanço tecnológico!

Devo esclarecer que não tenho nada contra essas maravilhosas maquininhas, muito pelo contrário. São úteis, poderosas e fantásticas. O problema é onde, quando e quanto usá-las. Nesse aspecto, acho que anda sobrando ansiedade e faltando equilíbrio e bom senso nos parceiros.

E o casal? Vai bem, obrigado.

Vai mesmo?    
 
                                                       
 

Comentários (0)

500 caracteres restantes

Cancel or

REVISTA DOLCE

Edições anteriores

Veja as edições anteriores da revista Dolce Morumbi