Vale a pena (des)confiar?

Toda relação de amor pressupõe confiança entre os dois parceiros. Penso que é impossível amar quem não se confia.
Mas, a julgar pelo que se ouve em confidências entre amigos, conversas em salões de beleza e mesinhas de bar, parece que muitos casais estão sofrendo de uma crise de credibilidade conjugal.


Como se sabe, há parceiro que, sem que o outro saiba, não perde a oportunidade de mexer nos seus bolsos, bolsas e carteiras, revirar seus e-mails e celulares e até tentar sentir cheiros estranhos nas suas roupas. Quando a situação é essa, cabe a pergunta: estamos falando de relação amorosa ou de investigação policial?
E o pior de tudo é que, muitas vezes naquela “investigação”, são encontradas “provas do crime”... Conclusão: os dois estão errados e parecem desconhecer a palavra “confiança” e assim ocorre o ciclo de ação x reação: o segundo errou por causa do erro do primeiro. Há quem diga: “Eu sei que não posso confiar, mas prefiro continuar com ele/ela mesmo assim.” Ok, a vida é feita de escolhas e, se essa é a sua, bola pra frente.
Os comportamentos descritos demonstram imaturidade e despreparo para a relação amorosa. São uniões que geralmente começaram motivadas por impulso, interesse ou mera atração física. O amor verdadeiro não entrou na história e, por isso, dá no que dá.
O que pode ser feito?
Ao primeiro sinal de fumaça e antes que o fogo destrua o que resta da parceria, é o momento de discutir a relação, de maneira franca, objetiva e adulta. Nessas circunstâncias, essa conversa, muito mais que discussão, é uma oportunidade que se dá à harmonia e continuidade da relação, com confiança mútua. Que fique muito claro, nesse momento, o que é que está tornando o relacionamento insatisfatório. Quase sempre há atitudes e comportamentos em excesso ou escassez. Eles precisam encontrar a medida certa.
Bancar o detetive e vasculhar as coisas do parceiro além de ser imperdoável, invasão de privacidade, não irá salvar a relação, nem resgatar o amor que um dia existiu.
Se auditorias e fiscalizações fossem a solução para deslizes, o Brasil não estaria hoje lamentando a nefasta e interminável epidemia de corrupção que aborrece a todos.
De resto, se você não confia na pessoa que escolheu para – pelo menos em princípio – viver para sempre, com quem dorme todo dia ou compartilhou a geração de filhos, então não estaremos falando de amor.       

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