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Quem usa a linguagem do grito?

Excetuando a agressão física, poucas cenas são tão deploráveis na vida de um casal como aquela em que, durante uma discussão, um parceiro grita com o outro. Não importa o motivo. Em qualquer circunstância, gritar com alguém é um recurso absolutamente desnecessário, além de grosseiro...
inadequado e ineficaz para seja lá o que  for que a pessoa pretenda conseguir com isso. No entanto, ainda hoje, em muitas relações, as pessoas continuam gritando. Por que isso acontece? 
No fundo de todo grito há arrogância e desejo de poder, algo na linha de “veja quem manda aqui” ou “não discuta comigo!”. De cara, esses dois conceitos já estão errados: primeiro, num casal ninguém manda em ninguém ou então não se trata de um casal, onde não existe hierarquia – isso é coisa de empresa. Em segundo lugar, de tempos em tempos é preciso discutir a relação, sim. Não na base de grito, mas através de diálogos maduros, conscientes e em tom de conversa civilizada. Essas discussões deverão ter  o objetivo de avaliar a qualidade da relação e os eventualmente necessários ajustes de rumo.
Além de tudo, o grito demonstra falta de argumentação. No esporte, diz-se “ganhar no grito”, quando o adversário não tem méritos para ganhar no jogo limpo. “C’est la même chose”... 
Numa discussão, nenhum parceiro vai entender melhor o outro apenas porque ele usou o grito ao invés do tom normal de voz. Pelo contrário, há até o risco de comprometer o entendimento da mensagem. Em uma de suas peças, Shakespeare diz: “Sinto a fúria de suas palavras, mas não entendo nenhuma das suas palavras”.
O mais preocupante do grito é que ele demonstra que a capacidade de comunicação entre os parceiros está tão deteriorada que as formas educadas de diálogo já não satisfazem. Isso é um mau sinal para o futuro amoroso do casal. Como descreve um sensível conto oriental, as pessoas gritam com as outras quando seus corações estão tão afastados um do outro que só através do grito podem se fazer ouvir. É por isso os enamorados apenas sussurram, porque seus corações estão juntinhos.
De resto, vale lembrar que não é posição social, poder econômico nem escolaridade que dá a um parceiro a capacidade de se comunicar bem com o outro. Tampouco o fato de ser poliglota. Para se fazer entender, basta apenas ser fluente na linguagem do  coração.
Como essa competência parece andar em baixa nos dias de hoje, fica aqui o convite: quem topa abrir um cursinho para o ensino desse “idioma”?
 

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