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Não precisa se amar tanto

Muitos psicólogos gostam de dizer que as pessoas devem se amar profundamente antes de amar a outrem. “Eu em primeiro lugar; depois os outros!” A justificativa é de que a pessoa que não se gosta, não tem condições de gostar saudavelmente de alguém. 
Por conta disso, alguns parceiros afetivos têm enorme dificuldade em fazer concessões e mesmo de satisfazer uma vontade do outro se isso, de alguma forma, não representar o que preferia. Esses parceiros não conseguem perceber – nem sentir – que muitas vezes é possível obter grande prazer apenas em saber que conseguiu dar prazer à pessoa que ama. São mecanismos que só o amor explica.
É preciso que os amantes e enamorados interpretem corretamente o que a Psicologia diz sobre a autoestima. Ninguém precisa se depreciar, se sentir inferior ou frágil perante os outros porque ninguém é melhor, nem pior. As pessoas são diferentes entre si porque possuem valores, características e perfis diferentes. 
Ninguém é perfeito. Em algum aspecto, todos têm qualidades e limitações e devem ser aceitos como são. Além do mais, os exemplos e os diálogos da convivência sempre podem contribuir para aparar arestas e minimizar o que for realmente intolerável. Por isso, a busca pelo parceiro perfeito só tem um final: a solidão. Simples assim.
A autoestima é saudável e dá à pessoa segurança, confiança e amor próprio. No entanto, autoestima em excesso transforma-se em narcisismo, egocentrismo, arrogância, torna a pessoa insensível em relação aos sentimentos do parceiro, impede a empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro – e prejudica a percepção real do autoconhecimento, adotando uma supervalorização quase sempre sem fundamentos. É a pessoa que “se acha”...
Logo, nem tanto ao Céu, nem tanto a Terra. Como em tudo na vida, o importante aqui também é o bom e velho equilíbrio.
Numa relação afetiva, o parceiro não pode jamais esquecer que compartilha seu tempo, seus interesses, seus sonhos e mesmo sua vida com o ser amado e, assim, tem por necessidade respeitar o espaço, os limites e os direitos dele. Se há amor, isso pode ser conseguido com serenidade, sem nenhum prejuízo da autoestima.
Da mesma forma, não se pode ver o parceiro como um rei, um semideus, um ser perfeito, pois, além dessa percepção não corresponder à verdade, isso faria da relação uma inadequada simbiose, onde existe uma falsa e prejudicial “complementação” de opostos. 
Num casal, é muito comum que os parceiros sejam diferentes entre si, mas essa diferença deve servir para complementar e somar a relação, nunca para dividir e muito menos diminuir. O todo é sempre maior do que as partes.
Quem se ama demais a ponto de esquecer que vive a dois, está desqualificando o parceiro e certamente está contribuindo para muitas das suas insatisfações. 
Afinal, não cabe a um só ter prazer na relação – inclusive na cama. Acho que vocês me entenderam, não é?

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