Uma viagem pessoal

Chegou a hora. Como sempre, no fim de cada ano, é tempo de dar uma parada e fazer um balanço sobre as nossas vidas. Avaliar se os objetivos foram alcançados e se as metas estabelecidas foram atingidas.

Refletir sobre o relacionamento com a família, com os amigos e com os colegas de trabalho pode ser um exercício importante para identificar nossas falhas e fazer os ajustes necessários para os próximos doze meses. É um desafio encontrar espaço na agenda para se olhar como se estivesse na frente de um espelho e encarar não só as novas rugas e cabelos brancos que nos deixaram mais experientes, mas também enfrentar os nossos medos. Afinal, enxergar os nossos defeitos pode ser assustador. Nessa jornada de reflexão é preciso mergulhar fundo no nosso universo pessoal. Ir até aquele microcosmo individual em que somos os únicos capazes de chegar. E quem tiver a coragem de fazer esse percurso até o fim pode se surpreender com o que encontrar e tirar proveito dessa experiência para se tornar uma pessoa melhor. Talvez seja mais fácil olhar para quem está em volta, não para julgar, mas para reconhecer aquelas pessoas que, de alguma forma, contribuíram para que tivéssemos bons momentos ao longo do ano. Essa é, com certeza, uma reflexão mais prazerosa. No meu caso, gostaria de homenagear aqueles que pelo seu bom humor, gentileza e carinho tornaram meus dias mais fáceis. A começar pela equipe de porteiros e seguranças do Colégio dos meus filhos. Turma de sorriso fácil, não se esforça pra esbanjar simpatia e tem uma incrível capacidade de se comunicar de maneira cordial. E olha que tem pai que chega nervoso na escola e pronto para explodir ao primeiro senão. Mas eles estão lá, prontos para apaziguar os ânimos e dar uma ótima lição de tolerância aos nossos filhos. No posto onde abasteço o carro tem um frentista que está lá há mais de dez anos. Olho aquele rosto simples e acolhedor e enxergo uma pessoa que carrega uma enorme bondade. É um rosto humilde, que apesar de sofrido, não conseguiu perder a cordialidade típica das pessoas generosas. O jornaleiro é atencioso e me recebe sempre com um cumprimento caloroso. Sabe o meu nome e as minhas leituras preferidas. Agradeço a ele por separar o tão disputado Jornal O Globo, aos domingos. Naquela Banca eu me sinto como se estivesse numa extensão da minha própria casa, e não só pela companhia agradável das palavras. Continuaria aqui a elencar uma série de personagens. E para cada um deles encontraria motivos para destacar as atitudes generosas, cordiais e simpáticas. É tão bom descobrir que existem tantas pessoas que se encaixam nesse perfil. E a eles se somam os amigos e a família. Na nossa correria diária ficamos sem tempo de reconhecer a bondade que nos cerca. Estamos sempre tão preocupados com os problemas que deixamos de prestar atenção em quem realmente vale a pena. Naqueles que por sua postura pessoal nos ajudam a chegar em paz ao final de cada ano.

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