Projeto comunitário

Salvem o projeto comunitário de  segurança do panamby. O nosso encontro mensal neste espaço da Dolce tem a ambição de refletir um pouco do espírito do bairro que escolhemos pra viver.
 Minha missão é estar atento às aspirações da coletividade, identificar o senso comum e ampliar a discussão de temas de interesse comunitário.
Ao longo desses anos de parceria entre mim, a Dolce e você leitor, tenho procurado cumprir essa tarefa diversificando assuntos e estimulando a reflexão. Confesso que não gosto de repetir assuntos, principalmente de um mês para o outro. Mas, é impossível fugir do tema violência. Por isso peço desculpas por voltar ao assunto mais uma vez.
A insegurança no Morumbi ainda é tema obrigatório das rodas de conversa e virou notícia nos principais veículos de comunicação do País. Ficar preso no carro nos congestionamentos do bairro é motivo de pânico para os motoristas e andar a pé pelas nossas ruas é uma prova de coragem. Os ataques dos bandidos acontecem a qualquer hora do dia e em qualquer lugar. 
 
“O efetivo é pequeno para o tamanho do bairro e está claro que falta uma política de segurança pública para a nossa região.”
 
Foi um absurdo o assalto em que a vítima foi de uma família que estava num velório, no cemitério do Morumbi. O aumento de 70% nos índices de criminalidade no bairro é assustador e só reflete a sensação de que estamos abandonados à própria sorte. Tirando uma equipe de patrulhamento aqui e outra ali em ações pontuais, não temos policiamento adequado. O efetivo é pequeno para o tamanho do bairro e está claro que falta uma política de segurança pública para a nossa região.
Quando cheguei ao Morumbi fiquei impressionado com o projeto de segurança comunitária que era desenvolvido pela Rosa Richter ali na região do Panamby, entre o colégio Pio XII e o Parque Burle Marx. Moradores dos condomínios da região contribuíam com uma quantia mensal fixa que era usada para pagar uma segurança privada que percorria as ruas em motos, monitorando tudo que acontecia no entorno e protegendo os moradores dentro do perímetro de patrulhamento previamente definido. A queda no número de ocorrências foi brutal e o projeto ganhou vida própria sendo apresentado como referência em outras regiões da grande São Paulo.
Eu sou um dos que contribuem mensalmente na minha cota de condomínio. Sempre vi a movimentação das equipes de segurança privada e sempre me senti protegido nos meus arredores. Mas qual não foi minha surpresa ao descobrir agora que o projeto corre o risco de acabar. Vários condomínios deixaram de contribuir para a Associação Panamby e não há arrecadação suficiente para manter o que foi planejado. É lamentável descobrir que estamos na contramão de outras localidades que pedem informações e sonham em implantar o mesmo modelo. Nós já o temos pronto, funcionando e estamos prestes a perdê-lo. Vejo o sofrimento da Rosa e compartilho dele. Num momento crítico da segurança pública no bairro, estamos abrindo mão de uma conquista. Por mais que eu entenda que já contribuímos com impostos para recebermos os serviços públicos, e para uma cidade violenta como São Paulo, a segurança é um dos serviços fundamentais, acredito que as soluções que nascem na comunidade devem ser estimuladas. E enquanto a solução pública não vem, deveríamos nos sentir privilegiados por poder participar de um projeto desse nível.                                               

Comentários (0)

500 caracteres restantes

Cancel or

REVISTA DOLCE

Edições anteriores

Veja as edições anteriores da revista Dolce Morumbi