A copa chegou. E agora?

As perspectivas eram as melhores naquele ano de 2007 quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014.
Tínhamos inúmeros desafios pela frente e um prazo de sete anos para superar todos os obstáculos. O cenário econômico favorável apontava para a chegada de investimentos, geração de empregos e a antecipação de projetos de mobilidade urbana com aporte de novos recursos. Eram projetos para a área de transportes, reformas de aeroportos e modernização de áreas degradadas. 
Poderíamos repetir aqui a mesma transformação que ocorreu em Barcelona com as olimpíadas de 1992? A chance era grande, mesmo para os mais pessimistas. Ainda que a nossa cultura seja a de deixar tudo para a última hora, não dava para prever que iríamos errar tanto ao longo do processo. Planos foram feitos, refeitos e deixados de lado para serem retomados mais adiante. E nem vou me ater aos estouros orçamentários para a construção dos estádios. Quero falar apenas das obras que seriam o maior legado da Copa no Brasil. 
Todas as cidades-sede enfrentam problemas para terminar o que estava previsto no caderno de encargos. Os canteiros de obras se espalham pelo país. Ruas que facilitariam os acessos dos torcedores aos estádios estão cheias de buracos. Projetos de paisagismo não ficarão prontos ou simplesmente foram abandonados. Nossa rede de conexão de banda larga é motivo de piada. E não dá pra isolar os culpados. Todos os envolvidos têm sua parcela de culpa, no mínimo por omissão. A Copa que seria privada se transformou numa corrida atrás de verbas públicas e os atrasos se sucederam.
Aqui em São Paulo, que já se definia como sede do jogo de abertura, começamos com a reforma do Morumbi. O monotrilho que ligaria o Aeroporto de Congonhas ao Estádio era a principal obra de mobilidade. O dinheiro foi liberado pelo Governo Federal e o projeto precisava sair do papel. Mas no meio do caminho os planos mudaram. Como se sabe o estádio mudou de lugar e a cidade mais importante do País foi obrigada a improvisar na abertura da copa. Itaquera foi uma aposta para desenvolver a Zona Leste. Vinha junto com um pacote de benefícios fiscais. Mas a nossa cidade mais eficiente não foi capaz de aprontar tudo a tempo.
Por isso eu volto ao Morumbi. Ganhamos ou perdemos ao trocar de bairro o jogo de abertura? Se o Morumbi fosse o estádio da copa como estaríamos hoje? O monotrilho já estaria funcionando? A interligação com o metrô estaria mais fácil? E as novas pontes sobre o Rio Pinheiros já estariam concluídas? São projetos tão urgentes para a melhoria do bairro que já deveriam estar prontos, mesmo sem a copa. 
A gente não está convivendo de perto com a correria das obras. Mas também não estamos enxergando, a curto prazo, as soluções dos nossos problemas diários.     
 

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