Imagina na copa?

2014: Copa e eleição
Ano de eleição presidencial normalmente já é um período de radicalização do discurso político. E a copa no Brasil coincidiu com o calendário eleitoral. 
O que era pra ser apenas uma grande festa de lazer e entretenimento virou, claro, um palco de campanhas partidárias. Os xingamentos mal-educados dirigidos à Presidente Dilma no jogo de abertura mostraram ao mundo um Brasil raivoso e dividido e reforçaram as previsões mais sombrias sobre o fracasso na Copa. Parecia que os profetas do caos venceriam desta vez. 
     

Copa e manifestações

As redes sociais se encarregaram de alardear o calendário nacional de protestos para a Copa. Sindicatos e movimentos sociais anunciavam as manifestações para o período de jogos. Mas foi só a bola rolar para acontecer a virada no jogo. A invasão festiva de tantos povos, por todo o país, despertou a alegria do brasileiro e sufocou os protestos. A felicidade venceu o rancor e a energia positiva contagiou o Brasil. A bronca de um pai no filho durante um protesto na Vila Carrão, na Zona Leste de São Paulo, ecoou pelas ruas e desarmou os espíritos. Estávamos livres para viver a emoção.
 

Empate ganha jogo

Manifestações isoladas ainda se repetiram durante a copa e causaram transtornos. Mas é assim na Democracia. As liberdades individuais existem e opiniões divergentes precisam ser respeitadas. Os excessos, de um lado e de outro, têm que ser contidos, porque no jogo democrático todo mundo sabe que o direito de um termina quando começa o do outro e, quase sempre, é no empate que se alcança o equilíbrio social.
 

É hora da festa 

Temos muito o que comemorar. Nunca nossas instituições funcionaram tanto. A imprensa denuncia, a Polícia Federal investiga e o Judiciário pune principalmente aqueles que tentam se apropriar do bem público. E quem comete infração deve ser punido, sim, seja qual for a cor da camisa. Uma cineasta holandesa disse num artigo que o brasileiro precisa se orgulhar mais de sua identidade cultural e do seu país. Eu concordo e acrescento: se no futebol enterramos o nosso complexo de vira-latas com a vitória na Copa de 1958 e os títulos seguintes, no conjunto da sociedade esse complexo ainda está presente nos pequenos detalhes do nosso dia-a-dia. O que mais me incomoda é a nossa subserviência aos padrões estabelecidos por outros povos. Não que eu defenda o jeitinho brasileiro, mas uma boa leitura nos livros dos nossos principais antropólogos ajudaria a entender a nossa história e ter mais tolerância com a nossa cultura sem nos envergonharmos dela.
 

O ponto futuro 

Essa Copa do Mundo aflorou a nossa verdadeira identidade e, depois daquele vexame na festa de abertura, mostramos ao mundo que a nossa cultura é de paz, hospitalidade e respeito às diferenças. Esse é o legado que fica desse enorme evento que levou o Brasil ao centro do mundo. Nossos principais cartões-postais receberam uma avalanche de turistas e o nosso modo de vida foi escancarado. O mundo conheceu o Brasil e gostou. E nós, que lições vamos tirar desse intercâmbio cultural? Que venham as Olimpíadas!         
 

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