A força das palavras

“Saudade é a nossa alma dizendo pra onde ela quer voltar”. A frase do saudoso poeta Rubem Alves é mais uma daquelas obras-primas criadas por mentes iluminadas que nos brindam com a sua genialidade. 
Os frasistas, como tantos poetas e pensadores, são aquelas pessoas com a perspicácia aguçada e a rapidez de pensamento necessárias para sintetizar e refletir determinados momentos das nossas vidas. A eles nós recorremos quando buscamos entender o imponderável, quando procuramos buscar explicações para as situações mais obscuras e inesperadas. E é com eles, por muitas vezes, que encontramos o conforto, a acolhida para superar traumas, decepções e desilusões com as quais nos deparamos ao longo da nossa existência.
 
“Eu vi a Morte, a moça Caetana, com o Manto negro, rubro e amarelo. Vi o inocente olhar, puro e perverso, e os dentes de Coral da desumana”. Os versos de Ariano Suassuna mostram como o mestre via a morte e como encontrou nas palavras a força para enfrentá-la. Ariano olhou a Caetana nos olhos até o último suspiro. Nossa coluna deste mês fala de morte e de saudade para reverenciar aquelas pessoas que deixam marcas pela vida. As palavras são o legado dos acadêmicos, mas as atitudes são a lembrança mais marcante de toda nossa vida. É nos gestos, nas nossas tomadas de posições, que somos reconhecidos – e é por meio deles que vamos influenciar as pessoas que nos cercam.
Quando refletimos sobre a morte, mostramos preocupação com o nosso futuro. Mas também temos a possibilidade de refletir sobre o passado e avaliar nossas escolhas. Olhar o caminho percorrido e enxergar os atalhos. Vislumbrar o resultado das nossas decisões. A vida nos dá essa oportunidade.
Como pai, tento reviver cada época da minha vida para entender meus filhos e ajudá-los. À luz da experiência, hoje posso dar apoio a eles para enfrentar os monstros que atormentam o imaginário infantil ou mostrar como superar a insegurança da adolescente que, de repente, se vê adulta.     
As pegadas que deixamos indicam o tamanho da nossa jornada. Eu segui os rastros do meu pai para construir o meu caminho e agora pavimento a estrada que vai orientar os meus filhos. Não sei quando e onde termina a minha estrada, mas espero que lá no fim ela tenha luz suficiente para guiar os que irão me seguir pelas futuras jornadas.                                            

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