Uma conta que não fecha

É difícil mas sou obrigado a voltar a um tema recorrente nesse espaço: a falta de segurança no bairro. Quando os casos de violência começam a atingir as pessoas próximas, você fica mais sensível e passa a prestar mais atenção no assunto. Uma amiga contou assustada como o marido foi assaltado na Rua Luiz Migliano, bem perto do portal do Morumbi. 
Eram sete da noite e ele estava com o filho, no carro, preso no engarrafamento. Trânsito parado e, de repente, um homem com uma arma bateu no vidro. O marido da minha amiga, em desespero, abriu a porta, ofereceu o carro e suplicou aos ladrões que não levassem a criança que estava no banco de trás. Eram três homens, os bandidos estavam calmos, disseram que não fariam nada com a criança e que só queriam a carteira, a aliança e o relógio do motorista. Levaram tudo e entraram num carro que estava parado no outro lado da rua. Tudo muito rápido, na frente de todos, num horário de intenso movimento naquela região. Por sorte, não aconteceu nada de mais grave e no dia seguinte, o marido da minha amiga já estava providenciando novos documentos.
Outras pessoas me relataram casos de assaltos nos últimos dias e em diferentes horas do dia. Alguns moradores criaram até um aplicativo para avisar a outras pessoas sobre os assaltos em andamento. Dizem que é em tempos de guerra que surgem as idéias mais criativas, e esse aplicativo é mesmo uma boa ideia.
A polícia, por sua vez, até tem se mobilizado para atacar o problema e isso temos que reconhecer. Afinal, já existe um destacamento da PM no bairro e basta circular um pouco para encontrar os policiais patrulhando as ruas, seja em motos, carros ou a pé. Se alguém faz uma denúncia de assalto num determinado local, logo uma patrulha fica de plantão para evitar novos ataques. Foi assim no Real Parque, no Parque Burle Marx e em outros pontos onde foram registrados assaltos que repercutiram entre os moradores. Tenho visto policiais em várias esquinas e as motocicletas da polícia passam por nós o tempo todo. Então porque ainda há tantos assaltos?
Na recente virada cultural os governos estadual e municipal destacaram o aumento do efetivo para proteger a população durante os shows, "colocamos quase quatro mil policiais nas ruas", disse o governador. "Aumentamos em 10% o número de homens no patrulhamento esse ano em relação ao ano passado", acrescentou o prefeito.
Ora tanto lá (na virada cultural) quanto cá (nas ruas do Morumbi) tivemos um reforço de patrulhamento. Ainda assim os casos de violência se sucederam e a sensação de insegurança se manteve entre a população.
Se houve aumento de policiais porque ainda testemunhamos assaltos e outros crimes?
Se houve aumento na repressão porque a violência não retrocedeu?
Porque a nossa polícia parece que vive enxugando gelo?
Porque essa conta não fecha?
Talvez seja porque quando o assunto é segurança pública só cálculos matemáticos não resolvem o problema.
 

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