Intercâmbio na Alemanha, posso?

A pergunta do meu filho surgiu provocadora num almoço da família.

Pai, mãe e quatro filhos dando palpites variados até que muitas dúvidas começaram a surgir. “Passar o Natal com outra família que nem conhecemos? Em outro país? Como será feita essa seleção?”. As reuniões preparatórias para a viagem começaram em casa, depois com os alunos no Colégio Porto Seguro (onde ele estuda) e, por fim, com os pais. E eis que o dia da viagem, tão esperado, chegou bem rápido. Malas prontas, documentos em ordem e aquela ansiedade que, apesar de disfarçada, atingia a todos. “Será que vai dar certo? Todos vão se entender? Será que ele vai se adaptar à nova rotina? E o frio, a neve, a distância, a saudade, a comunicação?” Por precaução, combinamos uma frase ‘X’ que nos alertaria para algum problema mais grave. Agora, éramos 5. Um vazio temporário, mas angustiante e aflitivo. Nada como um dia após o outro. As preocupações foram sendo diluídas a medida que as boas notícias iam chegando. Além de descobrir que What'sApp e Skype são o máximo, saber que a retaguarda da escola estava a postos era tranquilizador. Coragem, autoconfiança, independência, autonomia, responsabilidade, parceria, entre tantas outras habilidades foram desenvolvidas pelo meu ‘pequeno’. Outro país conhecido de perto, tantas histórias para contar e relembrar por toda a vida. E mais: a fluência na língua alemã voltou afiada! Meu filho mal havia chegado da viagem de volta e nossa família já começava a planejar e a sonhar com a vinda do ‘irmão’ alemão. “Como retribuir tudo que fizeram pelo nosso?” Fizemos questão de preparar o quarto, fazer desenhos de boas vindas, deixar protetor solar à disposição, além de muito afeto, olhos e ouvidos atentos. Ele chegou! As cachorrinhas Mel e Cacau, e o bebê pastor alemão Jäger, também adoraram o novo membro da casa. Passeios por São Paulo (a Pedra Grande, na Serra da Cantareira, arrancou suspiros de todos), pastel de todos os tipos, açaí à vontade, arroz com feijão, pão de queijo e churrascos, muitos churrascos. Carro adesivado, resolvemos iniciar juntos (minha família + o ‘novo filho’) uma grande e inesquecível aventura: 4000 km de carro pelo sul do país. Entre as cidades visitadas, Garopaba, Praia do Rosa, Porto Alegre, Gramado, Iraí, Foz do Iguaçu e Curitiba. Mas, infelizmente os dias de passeio chegaram ao fim e o nosso filho alemão voltou ao seu país de origem. Lembraremos com muito carinho deste filho, irmão e amigo alemão. Vínculo que, temos certeza, permanecerá; pois foi intenso e verdadeiro. Também seremos para sempre gratos à oportunidade oferecida pela escola. O intercâmbio do nosso menino por lá e do outro filho por aqui foi incrível e perfeito do começo ao fim. E quero ver quem vai dizer que a partir de agora não somos 7! Simone Weiss é médica e moradora do Morumbi.

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