Sustentabilidade de sistemas de abastecimento de água

Com a questão atual do abastecimento de água, este mês fui procurar entender qual pode ser o cenário futuro e tive o prazer de conversar com o Prof. Dr. Ivanildo Hespanhol , PhD e  Diretor do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água-CIRRA/IRCWR/USP.
Ao lado uma bela explicação sobre o conceito de sustentabilidade e a solução moderna e sustentável  do Reuso de Água e Sustentabilidade.
Sustentabilidade é um conceito técnico/filosófico genérico que não tem, isoladamente, significado prático e não pode ser avaliado em termos quantitativos. Em se tratando de sistemas de abastecimento de água, há necessidade de considerar algumas variáveis sistêmicas para avaliar a sua sustentabilidade. A sustentabilidade, nesse caso, deve ser visualizada como a probabilidade com a qual um sistema de abastecimento de água possa, permanentemente, suprir a demanda em condições satisfatórias. As variáveis mais importantes, que estabelecem, ou não, uma condição de sustentabilidade são: (i) Robustez, refletindo desempenho consistente e capacidade de atender a uma demanda crescente, mesmo em condições de diversos tipos de estresses; (ii) Resiliência, a habilidade do sistema de recuperar seu estado satisfatório após sofrer impactos negativos, como por exemplo, a perda de capacidade de atendimento de fontes de abastecimento, e; (iii) Vulnerabilidade, a magnitude da falha de um sistema de abastecimento. 
Sistemas, como por exemplo o que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, não são sustentáveis porque são pouco robustos e possuem resiliência praticamente nula, e são extremamente vulneráveis, uma vez que permanecem na dependência de recursos oriundos de bacias que, por sua vez, também estão submetidas a condições extremas de estresse hídrico.
 

Reuso de Água e Sustentabilidade

A solução moderna e sustentável que potencializa significativamente a robustez e a resiliência do sistema de abastecimento de água da RMSP (e de qualquer região com estresse hídrico) consiste em tratar e reusar os esgotos já disponíveis no planalto que abriga a RMSP, para complementação do abastecimento público.
Numa primeira etapa, esta proposta se desenvolveu em termos de reuso para usos urbanos não potáveis. Nos últimos anos esta proposta vem se ampliando no sentido de adotar o reuso para fins potáveis. Este conceito, além de se constituir em solução econômica e ambientalmente correta proporcionará sistemas de abastecimento de água sustentáveis, tanto em termos de continuidade do abastecimento como em termos de proteção da saúde pública de seus usuários.
As tecnologias modernas de tratamento e de certificação da qualidade da água disponíveis atualmente têm grande potencial para viabilizar a prática do reuso potável direto. Pelo fato de empregar tecnologia e sistemas de controle e de certificação modernos proporcionará, certamente, melhores benefícios em termos de saúde pública do que o emprego das tecnologias de tratamento convencionais para tratar água oriunda de mananciais extremamente poluídos, contendo altas concentrações de esgotos domésticos e industriais.                                             
 
Ivanildo Hespanhol, Ph.D.
Prof. Titular da Escola Politécnica da USP
Diretor do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água-CIRRA/IRCWR/USP
 

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