Segurança urbana: Até quando esperar?

A violência urbana na cidade e no estado de São Paulo está crescente, embora as informações da Secretaria de Segurança apresentem números diferentes!
Não existem bairros que não tenham sofrido violência, e cujos moradores não estejam apavorados. Um número absurdo de moradores, que mesmo tendo sofrido algum tipo de abordagem ou perda por roubo, não dá queixa por inúmeros motivos. O que, a meu ver, é superprejudicial, tanto para os dados fidedignos da secretaria como para o Sistema de Informações Criminais (Infocrim), que definiria a ação da PM nos locais dessas ocorrências.
No Morumbi, por exemplo, para tentar combater essa violência, existe uma união muito grande dos moradores, em que, por meio de um grupo chamado Moradores do Morumbi, conseguimos nos organizar.
Esse grupo foi formado há cinco anos pelas moradoras Roberta Caldas e Valéria Inati e, hoje, já reúne quase 15 mil pessoas. É um grupo que conta com as associações de bairro, que também participam e mobilizam todas as suas ações.
Por meio do grupo, é possível saber exatamente o que ocorre na região, onde, com quem, on-line.
Quanto mais detalhada é a informação, mais rápido conseguimos nos afastar do local, e mais detalhes podem ser comunicados  para a polícia. Temos no Morumbi uma polícia participante e amiga da população. O que falta são ferramentas; nossos policiais precisam ter armamento mais potente, carros blindados, mais motos, mais apoio da Força Tática, reaparelhamento das bases comunitárias, reativação do Policiamento Velado da Polícia Militar, coletes mais novos, número maior de efetivos, pois o que temos não é suficiente para atender à demanda do número de habitantes da região; que a Guarda Civil Metropolitana seja disponibilizada para a segurança das praças e parques públicos.
Na Vila Andrade, tivemos o maior boom imobiliário da cidade de São Paulo e, consequentemente, nos últimos 10 anos, o maior aumento populacional da América Latina.
Sempre que escuto alguém falar que estamos com problemas não me assusto, pois tenho certeza que não existem problemas insolúveis. Basta ter vontade; aqui, no caso, precisamos de VONTADE POLÍTICA.
Nosso governador, Geraldo Alckmin, que é nosso chefe de Estado, tem poder para isso e deveria  levar em conta todas as nossas peculiaridades acima mencionadas e realmente tomar medidas drásticas e imediatas.
Temos hoje a tecnologia a nosso favor, que não é utilizada, a não ser pelo prefeito Haddad para sermos SAQUEADOS! Estão sendo usados 68 radares nas marginais Pinheiros e Tietê para nos MULTAR, nos SAQUEAR! Por que não implantar câmeras para nos SALVAR?
De toda a Zona Sul, a nossa região abrange 30% do total de comunidades carentes da cidade de São Paulo. Só na comunidade de Paraisópolis, temos 27 entradas e saídas. Por que elas não foram ainda monitoradas?
Temos a 1ª Companhia funcionando muito próximo a todas essas ocorrências. Por que não fazer todo esse monitoramento lá? Espaço não falta! Temos uma via, Avenida Hebe Camargo, que já deveria estar sendo monitorada, e se nada for feito, há grandes chances de ela vir a se tornar uma LINHA VERMELHA de São Paulo.
Um grupo de moradores preocupados com a segurança ajudou um capitão da PM,  que desenvolveu um projeto inteligente de monitoramento, a escrever e colocar em teste esse projeto, que chama-se RCS – MORUMBI. Ainda é um projeto, e estamos tentando expandi-lo.
A dificuldade está na própria PM. Existe uma comissão gestora do projeto que está à disposição da PM para ajudar no que for necessário. Os resultados nos sete meses de testes alcançaram 10 mil pessoas, foi um sucesso.
Resta-nos, agora, esperar nossa audiência com o governador Geraldo Alckmin, o secretário de segurança e o comandante-geral da Polícia Militar do Estado para que deem o aval e, aí sim, a PM continuar com o projeto para cuidar e zelar pela nossa integridade física e moral.
Afinal, pagamos nossos impostos para isso!
No dia 23 de agosto, os moradores do  Morumbi se mobilizaram em uma manifestação com carreata, pedindo segurança.
Mobilizamos mais de 400 pessoas; mais de 200 carros saíram do local onde o morador André Ribas foi morto em decorrência de um latrocínio, e seguimos até o Palácio do Governo, onde soltamos mil balões pretos em sinal de protesto.
Quantas vítimas ainda teremos? Quantas famílias ainda serão destruídas? Quantos “Andrés” terão de morrer para nosso governador tomar as devidas providências? Estamos aguardando nossa audiência! Vamos ver quanto tempo ainda vai demorar!

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