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Ivan Moré abre o jogo

Aos 38 anos, Ivan Moré vive uma fase especial. Profissionalmente, desde julho está no comando do Globo Esporte, programa esportivo diário da Rede Globo, depois de uma temporada super bem-sucedida no Esporte Espetacular.

Ivan MoréE no âmbito pessoal, Ivan e sua esposa Mariana, que já são pais da linda menina Mel, de 2 anos, aguardam ansiosamente a chegada de Lui, que tem previsão de nascimento em agosto. Como o próprio Ivan afirma nesta entrevista exclusiva para a Dolce, “que ele venha o quanto antes para alegrar ainda mais o coração deste pai bobão”. 

 

Você começou a sua carreira bem novo. Como foi no início? Você já queria ser jornalista?
Sim, desde o comecinho, aos 14 anos, eu já sabia que seria jornalista. Foi quando iniciei na Rádio Jovem Som FM de Presidente Venceslau, no interior de SP.
Como a rádio era gerenciada pelo meu tio, pedi a ele que me deixasse trabalhar. Ele topou, e desde então nunca mais parei. Primeiro trabalhei como operador de som e depois fui fazer locução. Era bem desafiador falar ao vivo... dava muito frio na barriga para um adolescente de 15, 16 anos.


Como você ingressou na Rede Globo? Quais foram os maiores desafios enfrentados?
Na faculdade eu percebi que gostaria de trabalhar em TV. Durante o curso, trabalhei na rádio Universidade FM, da Universidade de Londrina (UEL), como locutor. Era funcionário concursado.
No decorrer do meu período na rádio, investi muito na possibilidade de trabalhar em TV. Escrevia textos, buscava contatos, tentava ampliar meu conhecimento sobre o meio. Foi quando um jornalista que trabalhava comigo me disse que a TV Paranaense (afiliada da Rede Globo no Paraná) estava contratando. Tinham uma vaga para repórter. Coincidiu com o momento em que eu estava me formando. Fui fazer o teste sem nenhuma experiência. Entre os 16 candidatos à vaga, me escolheram, pois queriam alguém sem vícios na profissão. Fui mandado para Paranavaí, interior do estado do Paraná. Lá fiquei por 11 meses até ser chamado para as afiliadas em Jundiaí e Sorocaba, interior de SP, onde fiquei por mais três anos, até chegar em São Paulo, em 2004.  

Ao longo da carreira você já passou por fatos muito importantes no esporte. Qual foi o mais especial e o mais marcante?
Em 2007, eu estava nos EUA cobrindo uma corrida de carros na Califórnia. No dia em que estava voltando, me mandaram para Michigan fazer uma exclusiva com o supernadador Michael Phelps. Seria a única entrevista que ele daria antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, competição na qual ele entrou para a história. Essa entrevista me marcou. Outros dois momentos marcantes foram partidas que joguei com Roger Federer e Rafael Nadal, na minha opinião, os dois maiores tenistas da história. O desfio foi enorme, tive de ser jogador, jornalista e fã ao mesmo tempo. Foram momentos marcantes...

 
O futebol brasileiro vive um momento de dificuldades ou mudanças? Como você analisa este momento?
As duas coisas. É uma dificuldade provocada pela mudança. Vivemos um período de entressafra de gerações. Ídolos, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Adriano, Robinho, perderam espaço precocemente. E não houve tempo hábil para se formar uma nova geração com jogadores experientes, capazes de suportar o peso de atuar na Seleção Brasileira. A única exceção é Neymar. O nível técnico e o amadurecimento profissional dos outros ainda estão abaixo da expectativa do torcedor e abaixo daquilo que estamos acostumados a ver na seleção. É preciso ter calma. E acho fundamental a reciclagem de alguns treinadores. E reciclar significa estudar o que é feito pelas grandes potências. Neste caso, as referências estão na Europa, em grandes clubes, como Real Madrid, Barcelona, Chelsea... Exemplos como o do Tite, que ficou um tempo no exterior apenas estudando novas táticas, podem ajudar nessa reformulação do futebol praticado aqui em nossos campeonatos.

Ivan Moré

Você está vivendo um momento especial de sua vida como apresentador do Globo Esporte. Como está sua rotina e quais são suas expectativas e desafios?
Tem sido um desafio gigantesco ocupar a vaga deixada pelo Tiago (Tiago Leifert), mas ao mesmo tempo é algo gratificante e motivador. O Globo Esporte é uma marca que faz parte do dia a dia do amante do esporte. E a ideia à frente do programa é continuar mantendo a leveza dos tempos do Tiago, incrementada com informações relevantes. O formato se mantém o mesmo, mas a novidade será a criação de alguns quadros fixos com figuras importantes do esporte. A Carona do GE, um quadro que eu mesmo conduzia antes da minha temporada no Esporte Espetacular, também está de volta. E promete mostrar curiosidades da vida das estrelas do futebol.  

O Tiago saiu recentemente do Globo Esporte e revolucionou o jornalismo esportivo. Como foi viver essa fase com ele (no Globo Esporte)? O que você levou para o seu estilo de jornalismo?
A espontaneidade e a maneira de enxergar o esporte. Antes víamos o esporte apenas do ponto de vista jornalístico. O Tiago nos ajudou a enxergar como entretenimento. Nos tornamos contadores de histórias, não apenas de fatos. Histórias com heróis, vilões, figuras caricatas e uma trama envolvida. A ideia é falar não apenas aos que gostam de futebol, mas para todos os públicos. É aí que entra a criatividade para atrair o público que não tem o hábito de ver esporte no dia a dia.

O que você achou do Pan Americano de Toronto e o que espera para os Jogos Olímpicos de 2016?
Acho que o Pan nos deu a noção do que fizemos de correto e do que devemos melhorar para 2016. Sou sempre muito cético do ponto de vista das obras, mas acho que no final das contas tudo ficará pronto a tempo. Do ponto de vista do povo e dos atletas, aí sim daremos um show à parte, como foi na Copa de 2014. O brasileiro é muito caloroso e recebe os turistas como nenhum outro povo. E será a grande chance de nos mostrarmos para o mundo como potência olímpica.

Qual sua ligação com o bairro do Morumbi? O que você mais gosta daqui?
Moro no bairro desde 2005. O fato de ele ser arborizado, ter bons restaurantes, academias e o parque Burle Marx contribui muito para a qualidade de vida dos moradores. Já os fatores complicadores são o trânsito e a ausência de transporte público de qualidade.

Você se mudou para o Rio? Sente saudade de São Paulo?
Na verdade eu não me mudei para o Rio de vez; durante dois anos e meio vivi metade da semana em São Paulo e a outra metade, no Rio. Tive duas casas! Agora voltei a morar só em São Paulo, e vou sentir muitas saudades do Rio, que é uma cidade maravilhosa, na natureza, na praia, no povo, nos eventos, na qualidade de vida!

Você pratica esportes? Quais? Desde quando?
Pratico natação, corrida e tênis. Abandonei o futebol por causa das lesões, me machucava muito. Nado há três anos. E pretendo voltar a jogar tênis em breve, pois fiz uma cirurgia no punho esquerdo e estou quase 100%.

Ivan MoréQuando você e sua esposa perceberam o momento certo para se tornarem pais?
Logo depois que nos casamos sentimos que estávamos maduros o suficiente para mudar de fase. Foi aí que tomamos a decisão. A nossa filha linda, Mel, nasceu em março de 2013, e agora estamos prestes a receber outro presente, um menino, que se chamará Lui.

Como será o seu Dia dos Pais?
O mais feliz possível, pois minha esposa está grávida do nosso segundo filho, um menino. Serei pai de um casal, e a previsão é para meados de agosto. Torço para que o Lui venha o quanto antes para alegrar o coração deste papai bobão.

No seu Instagram, você compartilha momentos profissionais e pessoais. Como lida com a imprensa e com seus fãs?
Da melhor forma possível. Não sou muito assediado. Tenho liberdade para frequentar lugares públicos sem dor de cabeça. E minha família é uma extensão de mim. Adoro compartilhar momentos alegres com quem mais amo!

Quais são os principais ensinamentos que você passará aos seus filhos?
Respeito e humildade. Essa é a base.

 

 


Fotos: Rede Globo / Assessoria de Imprensa

 

 

 

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