O Morumbi

Maria Luisa e Oscar Americano

Um descampado com poucas casas, pinheiros e eucaliptos é uma boa descrição do então afastado bairro do Morumbi, no final dos anos 40. Foi o período da venda das últimas glebas, poucas destinadas à construção de moradias. 
O engenheiro Oscar Americano percebeu o potencial da região e tomou a iniciativa de urbanizá-la, sempre com a preocupação de preservar a natureza e de instalar novas áreas verdes. 
 
Ao mesmo tempo, construiu ali a residência da família, com padrões arquitetônicos inovadores, cercada de um parque de 75 mil metros quadrados. Hoje, o parque e a casa, no coração do Morumbi, sediam a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, uma entidade que promove a integração entre cultura, lazer e natureza.
 
 
 

Equilibrio ambiental

 
O projeto paisagístico do parque foi elaborado por Otávio Teixeira Mendes.No ponto mais alto do terreno, fica a casa projetada em 1950 pelo arquiteto Oswaldo Arthur Bratke. Amplas janelas em todos os cômodos integram a casa ao parque. “Pela concepção funcional,jardim e casa representam modelo precursor do equilíbrio ambiental que os princípios atuais de preservação ecológica exigem”, declara o ex-secretário municipal da Cultura Mario Chamie, no prefácio do livro institucional da fundação. Ao instituir a entidade, em março de 1974, dois anos depois da morte de sua mulher Maria Luiza, Oscar Americano garantiu a preservação da área verde, formada por 25 mil árvores. Como patrimônio da fundação, incluiu a coleção de obras de arte de ambos e a casa onde viveram durante 20 anos. Com a morte de Oscar Americano, três meses depois, a casa passou por ampla reforma e ficou fechada durante seis anos, período necessário para enriquecer o acervo com peças e documentos ligados a História do Brasil e para adaptar o local às atividades culturais, educacionais e de lazer hoje oferecidas ao público. ‘A fundação tem cumprido os objetivos idealizados na sua criação, que sempre foram a conservação do acervo e do parque e a manutenção das instalações, para que o público possa usufruir o patrimônio deixado por meus pais”, afirma a diretora da entidade, Anna Helena Americano de Araújo.
 
 

Entre plantas e tijolos

Apesar de a casa centralizar a maior parte das atividades, existe total integração com o parque, a ponto de o acervo artístico da fundação  extrapolar as paredes e pisos.Ao longo das vielas que cortam a extensa área verde, estão “plantadas” 22 obras em aço escovado do escultor húngaro Karoly Tichler. A integração também está presente no programa de educação ambiental Trilha Morumbi Verde, desenvolvido há três anos em parceria com o Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental 5 Elementos. Durante uma caminhada pelas trilhas do parque, o grupo aborda a relação do homem com o meio ambiente e observa espécies típicas da flora brasileira como jacarandá, sibipiruna, angico,ibipuna, pau-ferro, entre outras. A brasilidade do projeto cultural da fundação se faz presente, também, no acervo. A entidade tem uma das mais significativas coleções de peças do Brasil Colônia, com pinturas do século 17, mobiliário,prataria, porcelana, tapeçaria e arte sacra do século 18. “O núcleo da coleção de quadros são oito telas do holandês Frans Prost,produzidas entre 1640 e 1650, que retratam a vida no período colonial”, destaca a gerente cultural da entidade, Elly de Vries. Há, ainda, pinturas e esculturas de algunss dos mais consagrados artistas brasileiros contemporâneos, como Victor Brecheret, Lasar Segall,Alberto da Veiga Guignardi, Di Cavalcanti e Candido Portinari. Para eventos externos, a fundação conta com espaço para exposições e auditório para conferências, cursos e apresentações de dança e música, “Trabalharemos para estabelecer parcerias que nos permitam oferecer uma programação cultural mais abrangente e de qualidade”, ressalta Anna Helena.
 

Os Americano

Oscar Americano de Caldas Filho nasceu na capital, em 27 de março de 1908. Formou-se engenheiro pelo Instituto Mackenzie e iniciou sua vida profissional, no começo da década de 30, com a fundação do Escritório Técnico Oscar Americano, que se transformou na Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), uma das principais  empresas de construção pesada do Brasil  Maria Luiza Ferraz Americano de Caldas nasceu em 30 de abril de 1917, no Rio de Janeiro. Em 1937, casou-se com Oscar Americano. Responsabilizou-se pelo projeto da casa e do porque, acolhendo, inclusive, as equipes que participaram da construção e do plantio de árvores. Os cinco filhos do casal fazem parte da direção da entidade. O livro institucional da Fundação Maria Luiza e Oscar Americano teve sua segunda edição publicada em 1995 e traz o histórico da entidade mostrando parte do acervo. Ele está à venda na loja da entidade por R$ 50,00. Atualmente, a entidade prepara uma publicação sobre o paisagista e o arquiteto responsáveis pelos projetos do parque e da casa. Para a diretora da fundação, Anna Helena Americano de Araújo, “disponibilizar essas informações para o público também é uma contribuição para a história do bairro e da cidade, além de relembrar a importância de Otávio Teixeira Mendes e Oswaldo Bratke”.
 
 
Fundação Maria Luiza e Oscar Americano
Av. Morumbi,4077
Tel: 3742-0077
 
 

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