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Fãs acampados há quase 60 dias: saudável ou não?

Sol, calor, chuva, frio, vento. Não é nada fácil dormir com essas variações do clima em São Paulo. 

E quando a pessoa enfrenta tudo isso dormindo em uma barraca de camping na rua, mais precisamente na porta de um estádio? Pois é assim a vida de quem resolveu acampar na porta do Morumbi à espera do show da banda britânica One Direction. Fomos conversar com esses “novos moradores” do Morumbi para saber como viveram esses dias e como está a expectativa às vésperas do grande dia.

Ao chegar, já encontramos os jovens reunidos, jogando baralho e felizes por estarem ali. Para a psicóloga e psicoterapeuta Triana Portal, esse tipo de situação não é saudável. “Esse comportamento típico de jovens, que se empolgam, vivem o presente e não pensam nas consequências, é, provavelmente, advindo de famílias mais permissivas”, comenta Triana. Além disso, segundo a psicóloga, “é prejudicial ao jovem, uma vez que coloca a pessoa em risco, tira da rotina, do cotidiano, da realidade. Viver em função de um artista ou colocar a vida de lado por causa de uma apresentação musical não é saudável”.


O fã Alexsander, de 24 anos, primeiro a chegar para garantir o lugar na fila está aí para provar isso. “Para mim, tudo que estou passando aqui vale a pena. Eu fui para o México para assisti-los e por eles eu faria qualquer coisa”. Segundo o jovem, há uma escala entre eles e cada “morador” da barraca fica por 24 horas acampado. “Cada um de nós fica das 10 horas da manhã de um dia até às 10 da manhã dia seguinte. E até aceitamos alguns minutos de atraso. Se passar do tempo previsto, a pessoa perde o lugar dela na fila”, explica o rapaz. Encontramos também Stella Martins, de apenas 16 anos que chegou ao Morumbi quase dois meses antes do dia marcado para o show. Stella nos contou sobre as dificuldades de ficar ali, dormindo na rua, acordando com o sol aquecendo as barracas, o barulho dos carros e os motoristas que passavam gritando com os fãs. “As pessoas passam buzinando, acordamos quase assados dentro da barraca logo cedo. Fora os bichos que aparecem durante a noite”, conta.

Uma curiosidade que muitos têm é sobre banho, alimentação, como será que eles se viram com uma simples vontade de ir ao banheiro? Quem nos contou a logística disso foi a Gabriela Massuki, de 16 anos: “a gente toma banho ali numa pensão. São R$5 para usar o banheiro da senhora que disponibiliza a casa. Quanto à comida, nos viramos bem com salgadinhos, sucos e bolachas. Mas, nesta semana do show estamos nos alimentando melhor, para podermos aguentar o show sem problemas”. Para a psicóloga Triana Portal, isso está errado. “Por motivos de segurança, deixar um filho vulnerável a assaltos, atropelamentos, mudanças climáticas, sujeira, é negligência!”. Triana deixa uma dica aos pais: “apresente estatísticas, mostre ao seu filho que pela história isso sempre aconteceu, que esse comportamento grupal é algo momentâneo ou doentio. Faça com que ele enxergue que é possível ter um ídolo sim, mas sem precisar ficar acampado na rua, ao lado do esgoto, deixando de lado escola, trabalho e família.

Mas, e se mesmo assim seu filho não te der ouvidos e não medir esforços para ir atrás do ídolo? Rosana Pereira, mãe de uma das fãs, atravessou a cidade com sacolas cheias de frutas fresquinhas, para trazer para a filha e mais três amigas, também acampadas no Morumbi. “Elas gostam, querem prestigiar o show dos meninos. É um sonho que querem realizar e quem sou eu para impedir”. Triana rebate: Devemos lembrar que para o jovem o tempo é dilatado, tudo é amplificado. O que hoje é a coisa mais importante da vida, em pouco tempo dará lugar a outra fixação. Por isso, se os pais precisarem boicotar algo que extrapola os limites para proteger o filho, não se culpe! A pior culpa é pela omissão”.

 

One Direction no Morumbi – Dias 10 e 11 de maio – Estádio do Morumbi – Praça Gomes Pedrosa 01

 

Confira o vídeo que fizemos com o pessoal acampado. 

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