Tudo sobre o bairro

Pedalando por aí!

Andar de bicicleta deixou de ser um programa só de fim de semana e passou a ser uma forma de chegar ao trabalho, à escola ou à qualquer lugar sem utilizar carro, transporte público e enfrentar o trânsito que está cada dia mais intenso. 



Cidades pelo mundo afora, como Amsterdã, na Holanda, já fazem da bicicleta o meio de transporte mais comum e tranquilo a ser utilizado. Em São Paulo, vivemos uma realidade bem diferente, mas aos poucos as magrelas estão invadindo as ruas e conquistando novos simpatizantes. Atualmente temos mais de 350 km de infraestrutura cicloviária de circulação, com ciclovias, ciclorrotas, calçadas compartilhadas, ciclofaixas definitivas e ciclofaixas operacionais de lazer, montadas aos fins de semana. 

 

 


Felipe Wada

Felipe Wada, que já trabalhou no estressante mundo do mercado financeiro, hoje é proprietário de uma oficina que cuida das bicicletas em domicílio e deixou de lado o agito do trabalho para dar suas pedaladas. Perdeu mais de 15 quilos e faz da sua bike a sua melhor amiga. Segundo ele, para sair pela cidade sobre duas rodas, o ciclista precisa saber utilizar equipamentos básicos como capacete e acessórios de sinalização com luzes traseiras e dianteiras. “Não acho perigoso andar pelas ruas da cidade, mas é preciso estar sempre atento, pois, assim como os motoristas, devemos respeitar a sinalização, os semáforos e os pedestres”, explica o empresário. Acostumado a utilizar a ciclovia da marginal, saindo da USP e indo até o Parque Vila Lobos, Felipe elogia os caminhos exclusivos destinados aos ciclistas, mas alerta: “conheci gente que caiu por causa de garoa que molhou a faixa branca e que acabou ficando escorregadia”. 

 


 

Atenta a tudo também fica a professora Cristina Reis, que sai pelas ruas e ainda leva o filho de 3 anos, Alexandre, na cadeirinha. “Ando pela Avenida Jorge João Saad, já que perto da minha casa não há ciclovias, mas nunca vi nenhum acidente. Os ciclistas são parceiros e ajudam uns aos outros. Meu filho adora”, conta Cristina
 


 

Para a fisioterapeuta Michele Gomes, no início os carros até assustavam, mas aos poucos sentiu confiança em circular pelas vias. “Utilizei muito a Avenida Juscelino Kubistchek, seguia pela República do Líbano para chegar ao Parque Ibirapuera e nunca tive qualquer problema. Os motoristas respeitam a gente”, conta Michele.

 


Tatiana Trancanelli também é uma moradora do Morumbi e adepta às pedaladas. Com o filho Tomás, de 9 anos (foto ao lado), ela coloca o equipamento e sai pelas ruas. “Pedalar bem acompanhada faz toda a diferença”, diverte-se.

 

Tomás

 

Bem acompanhada também está Julia Rudge Oeseburg, moradora do Real Parque. Ao lado do cachorrinho de estimação, Polo, a publicitária utiliza a Avenida Duquesa de Goiás, onde não há ciclovias, atravessa a Ponte do Morumbi para chegar à Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini onde começa a via exclusiva. "Mesmo com cones, já vi carro entrar na faixa dos ciclistas para fugir do trânsito", relembra.

 


Mas, nem todos se dão bem pelas ruas sobre duas rodas. O empresário Alexandre Torres tentou se aventurar pelo bairro saindo de sua casa, na rua Ben Gurion, na região do Portal, para chegar ao seu trabalho na Lício Marcondes do Amaral, no Jardim Guedala. Segundo ele, o trajeto de cerca de 5km foi uma tortura. “Nunca mais na vida me arrisco. Muitos buracos no asfalto, perigoso dividir o espaço com os carros, ônibus e caminhões e o pior de tudo são as rampas do Morumbi. A topografia do bairro não ajuda nem um pouco os que querem pedalar sem ter condicionamento de esportista”, diz o empresário. 

 

Para o advgado Walter Salomé, que costuma pedalar em grupos, onde não há vias exclusivas para os ciclistas, o perigo está presente a todo o momento. “Eu uso colete refletivo e luzes de segurança nas pedaladas noturnas. E é claro, jamais subo na bike sem capacete”.

 

 

...

E para quem gosta de pedalar, mas não tem uma “magrela parceira”, saiba que estão implantadas 191 estações de bicicletas públicas que ficam à disposição da população com mais de 1.700 bikes. Além disso, é possível alugar bicicletas que são retiradas em um ponto da cidade e devolvidas em outro. Para a executiva Cecília Marshall essa ideia é perfeita. Moradora do Real Parque, ela sai de casa, estaciona o carro na rua Guararapes, travessa da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, e esquece dos problemas. Mas, não dos carros! “Algumas ciclovias são muito improvisadas, mas estão melhorando com o passar do tempo”, conta. “Adoro quando paramos nos semáforos e vem alguém entregar suco ou água de coco. É um astral muito bom encontrar famílias inteiras passeando aos domingos”, finaliza.

 

 

Cecília Marshall
 





E aí, quer tentar? Então siga algumas dicas para ser um ciclista urbano e bom passeio!
 

1 – AVISE ÀS PESSOAS SOBRE SUA PEDALADA.
2 – LEVE DINHEIRO E DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO.
3 – ESCOLHA BEM O SEU TRAJETO.
4 – EQUIPE-SE DE ACORDO COM SEU DESTINO
5 – ATENÇÃO PARA ALIMENTAÇÃO E HIDRATAÇÃO

 

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