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Todos conectados

Diretores de escolas se mostram cada vez mais preocupados com o uso da internet por parte dos alunos.

As novas gerações são cada vez mais conectadas e ambientadas à comunicação digital, não importando o meio — smartphones, tablets, notebooks ou desktops — os jovens estão lá, ligados a ferramentas que os possibilitam produzir e disseminar conteúdo em larga escala, sem limites regionais ou censura prévia.
 

Qualquer instituição tem muito a ganhar com alunos e professores corretamente orientados em relação ao uso da web. Para a infelicidade de pais e profissionais da educação, proibir ou restringir o uso da web não resolve o problema. Olhar para o tema focando a solução apenas no estudante, alocando nele a plena responsabilidade pelo uso das ferramentas digitais também é uma má ideia. É da natureza do adolescente ser um elemento contestador. A web é apenas mais um lugar onde as reflexões e indignações ganham espaço, portanto, moderar o uso somente esconde um problema relacionado à formação daquele indivíduo na sociedade.
 

Nesse momento é que os papeis se confundem. Cabe à escola realmente educar os jovens que estão nela, incluindo noções de relacionamento em sociedade ou deve apenas se ater à grade curricular que será necessária para êxitos acadêmicos ou profissionais?
 

As desavenças ou posturas dos alunos em ambiente digital, mesmo sendo publicadas fora do horário escolar, podem ser levadas em consideração para medidas socioeducativas por parte do comitê disciplinar de uma instituição de ensino?
 

Não há uma resposta padrão. Pessoalmente, acredito que sim. A web nada mais é do que um grande espelho do mundo real. Sendo assim, se um aluno ofende outro ou a um profissional da escola por meio de um blog, perfil pessoal, em redes sociais ou comunicados por e-mail, está sujeito a penalidades.
 

Primeiros passos para integração com novas mídias

Para que não ocorram desentendimentos desnecessários entre alunos e direção, cabe às instituições algumas tarefas preliminares:

Capacitação do corpo técnico

Os professores devem, antes dos alunos, receber noções de comunicação digital, ferramentas que podem ser utilizadas, e boas práticas em ambiente online. É preciso também que entendam como estimular os alunos para usos positivos da rede. Quanto maior o desconhecimento do professor, mais campo para excessos por parte dos alunos haverá.
 

Nivelamento dos alunos

A partir do momento em que todos podem ter blogs e perfis em redes sociais, qualquer um pode ser um comunicador. Uma pessoa pode gerar uma onda positiva ou negativa a partir de suas ponderações nas redes. As escolas devem promover seminários ou palestras com profissionais que mostram como a web pode ser utilizada pelos jovens.
 

Guia de boas práticas

Após professores e alunos estarem capacitados, chega-se o momento de se discutir um manual de boas práticas para a instituição. Um documento que orientará as regras que aquela instituição usa para delimitar o uso da web por parte dos alunos, dentro e fora de suas dependências. O ideal seria que os alunos se organizassem em comitês para discutir o guia em conjunto com o corpo técnico. Os pais também poderiam ser convidados a participar. Isso garantiria uma melhor aceitação do documento.
 

Boas polícias podem gerar excelentes resultados

Qualquer instituição tem muito a ganhar com alunos e professores corretamente orientados em relação ao uso da web, contudo, orientar apenas resolve parte do problema.
 

O melhor caminho seria, além das etapas preliminares, estimular a produção de conteúdo por parte dos jovens. Isso poderia ser feito através de módulos complementares que os ensinassem a criar e alimentar blogs ou outros canais digitais. É importante ressaltar que toda comunicação feita aos mais jovens deve ter sua linguagem adaptada para os receptores. O uso consciente da internet também deveria ser estimulado através de palestras que mostrassem aos alunos o lado bom e o lado ruim do meio digital. Boa parte das crises e conflitos que ocorrem na internet tem como fundo o desconhecimento da conexão que o meio tem com a vida.
 

Publicar fotos íntimas ou em situação vexatória de um colega de sala raramente é visto como um ato passível de punição jurídica baseado na legislação brasileira. Os crimes contra honra — calúnia, difamação ou injúria — são os que mais se proliferam na web. É preciso levar ao conhecimento dos jovens a que eles estão sujeitos.
 

Algo que poderia influenciar positivamente os alunos no uso da web seria uma espécie de Festival Digital, assim como os festivais de música. Premiar os melhores produtores de conteúdo da instituição, sendo texto, vídeo, música ou imagens, geraria uma situação interessante para o diálogo entre as partes. Outra medida interessante para instituições seria montar um grupo que escutasse o barulho das redes, para isso bastaria contratar algum serviço de monitoramento do que se fala a respeito da escola ou de determinados profissionais.
 

No próximo artigo escreverei sobre como os professores podem tirar mais da internet, quais os limites da interação e como eles devem se portar em redes sociais para evitar problemas com alunos conectados. Por Marcelo Vitorino Marcelo Vitorino é consultor de comunicação digital, sócio da Presença Online e atua junto ao mercado corporativo, governo e terceiro setor.

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