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Crianças na terapia

Os consultórios infantis de psicoterapia estão cada vez mais cheios. O número de pacientes abaixo dos 13 anos dobrou nos últimos dez anos e entre os menores, até 3 anos, o índice triplicou. 

Criana na terapia


Conversamos com especialistas e também com escolas para saber o que está acontecendo com nossas crianças e quais os problemas que mais afetam a cabecinha dos pequenos. Será que eles realmente têm problemas a serem tratados com psicólogos, ou hoje em dia está mais fácil levar a criança a um profissional para cuidar de teimosia, malcriação e birras?
Segundo a psicóloga e psicopedagoga Cynthia Wood Passianotto, muitas queixas diferentes, e algumas combinadas, levam pais a buscarem ajuda profissional. As principais são: ansiedade, timidez, fobias, distúrbio do sono (sonambulismo e terror noturno), enurese e dificuldade na socialização ou aceitação de regras, além de problemas escolares como dificuldades na alfabetização. Pais de crianças menores de três anos, geralmente, buscam atendimento quando há atrasos no desenvolvimento ou síndromes congênitas que requerem intervenção precoce. “As escolas são as primeiras a notarem as mudanças de comportamento e detectar os sinais de problemas que podem comprometer o desempenho escolar e a vida social da criança, indicando assim um tratamento psicológico”. Mas, como será que as escolas identificam e diferenciam birras e falta de educação e respeito, de problemas psicológicos? A coordenadora do núcleo de orientação educacional da rede Pentágono, Adriana Costa, diz que para fazer um encaminhamento coerente com os princípios da escola, é levada em conta a faixa etária, o histórico escolar e familiar, as observações dos professores, do coordenador e do orientador educacional. “Quando o aluno apresenta questões emocionais mais preocupantes, como grande tristeza, choro constante, mau humor recorrente, conversamos com os pais para que encaminhem seus filhos à terapia psicológica”, explica Adriana. No Colégio Antoine de Saint-Exupéry, os pais são chamados para reuniões com professores e coordenadores, que indicam avaliação com um profissional quando observam alunos com dificuldades acentuadas no processo de aprendizagem. “Falamos com os pais para que possam obter um diagnóstico sobre as reais dificuldades ou necessidades do aluno e assim possamos trabalhar em parceria com a família para atingir melhor desempenho escolar”, diz Christiane Zolin Fraga, pedagoga e psicóloga da instituição.
A atitude dos profissionais do Colégio Anglo é esgotar todas as possibilidades de resolver as dificuldades dentro da escola, através do atendimento individualizado com a orientação educacional, de conversas entre a coordenação e os pais utilizando recursos como plantão de dúvidas, aulas especiais, monitoramento e reuniões individuais ou em grupo para tratar de assuntos relacionados ao comportamento e comprometimento do aluno. “Quando o rendimento é baixo e tanto a família quanto a escola já exauriram todas as ferramentas possíveis para ajudar o aluno e o problema persiste, a melhor opção é procurar um especialista”, explica a diretora pedagógica Priscila Garcia Gengo. 
 
 
Hiperatividade ou agitação normal?
Muitas vezes ouvimos reclamação dos pais de que o filho não para um minuto, que sobe nas coisas, que não obedece e que é incansável. É preciso saber até que ponto essas atitudes são normais da idade e quando a luzinha de alerta deve ser acesa. Para a psicopedagoga Cynthia Wood, a atenção deve redobrar quando todas as tentativas dos pais e educadores de disciplinar a criança, impondo regras e limites bem definidos, falham. 
Mas, será que por causa da correria dos pais, a trabalhosa missão de educar não está sendo transferida para profissionais? Para o psiquiatra Walker Cunha, não há nenhuma transferência do problema e quando acontece, o especialista capacita pai e filhos para eliminar os conflitos de gerações. “Essa turminha de agora tem os pais como referenciais de amigos e não mais de autoridade como antigamente”, explica o médico. Talvez seja por isso que muitos pais não consigam controlar os filhos, mesmo quando eles são ainda muito pequenos, com dois ou três anos. “A mãe está triste e, por considerar o filho um amigo, desabafa com ele. É quebrada ali a relação de pai e filho como antigamente e eles passam a estar no mesmo grau de hierarquia. Os pais perdem a autoridade de outras épocas e os filhos acabam ficando sem limites”, justifica Dr.Walker. E é nesse momento que o especialista faz toda a diferença: “ele pode reorientar a família e ensinar como lidar com o comportamento birrento da criança”, finaliza e alerta que se não obedecer aos pais, tenderá a não obedecer a mais ninguém.           

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