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Cirurgia plástica na adolescência

O inverno vem aí! Por causa das férias escolares e do frio é nesta época que costumam aumentar em 60% a procura por cirurgias plásticas pelos jovens. Mas, será que existe idade certa para isso?
O número de cirurgias plásticas em adolescentes entre 14 e 18 anos mais do que dobrou em quatro anos – saltou de mais de 37 mil procedimentos em 2008 para 91 mil e 100 em 2012 - 141% a mais -, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). No mesmo período, o número total de plásticas em adultos subiu 38,6% – o que significa que as cirurgias no público jovem cresceram em um ritmo 3,5 vezes maior. 
 
O Brasil é o segundo País do mundo em número de cirurgias plásticas – fica atrás apenas dos Estados Unidos. A lipoaspiração é a cirurgia mais feita, seguida do implante de silicone nas mamas. Nos meninos, os procedimentos mais procurados são a ginecomastia - redução das mamas que crescem demais - e a cirurgia para corrigir a orelha de abano. E com as férias do meio do ano, o aumento da busca de jovens por intervenção cirúrgica cresce 60%.
 
O momento certo para a cirurgia, desde que bem indicada, é quando tanto o médico quanto o paciente e seu responsável legal têm certeza de que o risco-benefício de operar é maior, física e psicologicamente”
 
 
Não há uma norma que defina qual a idade mínima para se submeter à cirurgia plástica, cada caso tem de ser avaliado separadamente. Vale destacar que o mais importante é ponderar a evolução física do paciente, o nível de crescimento e a maturação de cada um. Na menina, em geral, isso acontece até três anos após a primeira menstruação.
De acordo com a cirurgiã plástica da Clínica Vivid, Dra. Claudia Ranauro Zuliani, para decidir o melhor momento para a cirurgia é preciso analisar alguns fatores como o tipo de intervenção que o jovem pretende realizar, o motivo da insatisfação, se há dores ou incômodos físicos ou se é apenas estético. “Certos procedimentos devem ser realizados mais precocemente para evitar traumas psicossociais. O momento certo para a cirurgia, desde que bem indicada, é quando tanto o médico quanto o paciente e seu responsável legal têm certeza de que o risco-benefício de operar é maior, física e psicologicamente”, explica Dra. Claudia.

Cada cirurgia deve ser analisada de forma diferente quando o assunto é a idade para uma plástica. Nos casos de correção de orelha em abano, por exemplo, procura-se operar entre os cinco e os sete anos, pois além de o tamanho da orelha já ser praticamente o de adulto, a correção nesta fase não influencia no seu crescimento final. E vale lembrar que é justamente nesta época que começa o preconceito na escola, os apelidos, o tão temido bulling, e isso sim, pode provocar alterações psicológicas e de desenvolvimento social. 
 
Já o aumento das glândulas mamárias masculinas (Ginecomastia), que pode ocorrer por ação hormonal na puberdade entre os 14 e 17 anos, na maioria dos casos regride espontaneamente. Caso persista, a causa deve ser investigada e tratada, pois o menino pode ter problemas de aceitação pessoal e social.
 
Independente da cirurgia plástica indicada, três fatores devem ser avaliados: o cronológico, no qual a idade tem relevância legal e necessita do aval de um responsável maior - no Brasil a adolescência compreende a faixa etária de 13 a 18 anos, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente - o fator físico, considerando-se as mudanças hormonais e constitucionais que ocorrem nos meninos dos 9 aos 15 anos, e nas meninas dos 8 aos 16 anos; e o fator psicológico, que retrata a fase de autoconhecimento, avaliação da imagem corporal, autoestima, sexualidade e papel social. “A maturação do corpo deve ser aguardada sempre que possível, quando não houver alguma indicação específica para operar precocemente, pois muitos fatores que levam à insatisfação com a aparência física nesta fase tendem a diminuir ou desaparecer no fim da puberdade”, alerta a médica e ressalta que “salvo em casos de orelha em abano, deformidades do tórax, sequelas ou traumas, tumores, deformidades congênitas ou adquiridas, entre outros, as cirurgias com enfoque mais ‘estético’ do que ‘reparador’, devem ter sua indicação avaliada criteriosamente nessa idade”. 
 
Se o seu filho ou filha tem o desejo de alguma mudança no corpo, atenção para as dicas de avaliação da melhor idade para cirurgias, segundo os profissionais. No caso de correção das mamas vale esperar até os 18 anos, pois até lá os seios devem adquirir forma e tamanho definitivos. Quando a reclamação do jovem for em relação ao tamanho do nariz, o ideal seria fazer a correção cirúrgica por volta dos 17 anos, se houver a necessidade de tratar a parte óssea. E já que a lipoaspiração é a mais sonhada pelos que vivem em busca do corpo perfeito, atenção! Aconselhe ao seu filho, ou filha, a esperar o fim dos efeitos hormonais, pois eles regulam e influenciam a distribuição de massa muscular e de gordura corporal. “Jovens, antes de pensarem em uma cirurgia, procurem ajuda para compreender o problema que apresentam e as soluções propostas, sejam elas cirúrgicas ou não, e procurem entender, no seu contexto, o que é a vaidade. Reflitam sobre o real motivo de querer se submeter a um procedimento cirúrgico, que envolve riscos, cicatrizes, cooperação e restrições no período pós-operatório, para que não haja arrependimento posterior”, aconselha Claudia Zuliani, especialista em cirurgia plástica.
 

Dra. Claudia Ranauro Zuliani, CRM 88237
Especialista em Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP / Escola Paulista de Medicina,
Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. 
Cirurgiã Plástica da Clínica Vivid
 

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