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Glúten: consumir ou não?

Dietas que restringem o consumo de glúten ganharam espaço na mídia, mesmo quando a doença celíaca não é diagnosticada. O que você acha sobre o assunto? Nós conversamos com uma nutricionista sobre o polêmico tema.

Lembra quando a gente era criança e fazia aquela cola com água e farinha de trigo para passar em pipas ou fazer alguma outra atividade de Educação Artística no colégio? No nosso intestino, o glúten, que é parte do trigo, faz exatamente a mesma coisa. Ele ‘cola’ nas paredes, que é feito de vilosidades (como as cerdas de uma escova) e cria uma barreira que impede a correta absorção de nutrientes, vitaminas e proteínas.
Pra quem não sabe, o glúten é encontrado (além do trigo) no centeio, na cevada, na aveia e no malte, portanto, boa parte dos alimentos que você consome diariamente contém a proteína. É o caso dos bolos, pães, pizzas e cerveja, por exemplo.

 

alimentos que contém trigo

 

Segundo o site da Fenacelbra – Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, a doença celíaca ocorre em pessoas com tendência genética à doença e geralmente aparece na infância, em crianças com idade entre um e três anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive em pessoas adultas. Desencadeada pela ingestão do glúten, ela causa uma desordem sistêmica autoimune que gera uma inflamação crônica da mucosa do intestino delgado, o que resulta numa lista de sintomas bem chatos de lidar, como diarreia crônica (que dura mais de 30 dias), prisão de ventre, anemia, vômitos, distensão abdominal (barriga inchada), atraso no crescimento, emagrecimento/obesidade, dentre outros.

 

Para minimizar e extinguir os sintomas, é necessário que se faça uma dieta sem glúten e que se baseie, basicamente, na ingestão de alimentos que não contenham a proteína, como o arroz e seus derivados (farinha de arroz), milho e seus derivados (farinha de milho, fubá e amido de milho), batata (fécula de batata) e mandioca (farinha de mandioca, polvilho azedo, polvilho doce).

 

Mas, além dos celíacos, diversas celebridades divulgam e defendem suas dietas restritivas ao consumo do glúten (mesmo não sendo diagnosticadas oficialmente com a doença), o que tem causado certo burburinho, já que ele, isoladamente, não engorda. Ou seja, elas excluem o glúten da alimentação apenas com a finalidade de emagrecer e ter um corpo mais enxuto, mas de quebra ganham um melhor funcionamento do intestino e do organismo. Então, fica a dúvida: qualquer pessoa pode tirá-lo do cardápio diário sem colocar a saúde em risco ou sofrer algum dano mais sério?

 

 

Para esclarecer três dúvidas básicas sobre o tema, conversamos com a nutricionista funcional Claudia Cristina Szego, moradora aqui do Morumbi, que falou sobre a restrição do consumo do glúten para os não-celíacos.


1 - O glúten, isoladamente, é responsável pelo aumento de peso?

Isoladamente não, mas o seu consumo em algumas pessoas causa sintomas, como: má digestão, edema, obstipação, irritação, ansiedade, gases, processos alérgicos, entre outros.

2 - Tirá-lo da alimentação diária pode trazer algum risco à saúde?

Não. O glúten não é uma proteína essencial à vida. Retirá-lo da dieta tem benefícios, mas exige força de vontade e uma adaptação.

3 - As dietas que propõem a restrição indiscriminada ao consumo de glúten têm ganhado espaço na mídia. Um nutricionista pode passar uma dieta sem glúten sem ver um exame de sangue ou um teste específico que prove a intolerância, por exemplo?

Sugerir a retirada do glúten não tem haver somente com exames de sangue ou testes específicos de alergia ou mesmo intolerância. Nutricionistas Funcionais, ou seja, que fizeram pós-graduação em nutrição funcional, estudando vários aspectos metabólicos e bioquímicos, são habilitados a fazer uma anamnese, ou seja, uma coleta de dados que mostra através de sinais, sintomas e da observação clínica – que inclusive deveria ser soberana a qualquer exame – a necessidade ou não da retirada do glúten. A dieta sem glúten apresenta, sim, muitos benefícios. Perde-se peso num primeiro momento, como qualquer outra dieta da moda, que restringe e organiza a alimentação, mas trata-se mais de um conceito alimentar, um comportamento que leva às pessoas a terem uma vitalidade mais positiva, diminuição ou mesmo cura de muitos sintomas.

Portanto, nada de sair por aí seguindo essa ou aquela dieta da artista que você viu em qualquer revista voltada ao tema. Busque sempre um profissional capacitado e habilitado que te dê explicações e informações precisas sobre o tema.
Se você foi liberado para seguir essa dieta, aqui no Morumbi existem lojas especializadas e com grande variedade de produtos sem glúten, como a Além do Natural, o restaurante Melinda Julius, a farmácia Clorophila e a loja Mundo Verde, no shopping Jardim Sul.

Serviço

Além do Natural – Rua Dr. Luiz Migliano, 1110 lj. 10 – Tel.: 3739-4945 –www.alemdonatural.com.br

Restaurante Melinda & Julius – Rua Dom Armando Lombardi, 511 – Tel.: 3722-2553 – www.melindaejulius.com.br

Farmácia Clorophila – Rua Dr. Miligiano, 1110 lj. 13 – Tel.: 3743-5262 –  O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Mundo Verde Shopping Jardim Sul – Av. Giovanni Gronchi, 5819 – Tel.: 3739-2435 – www.mundoverde.com.br

 

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