Casa & Decoração

Ouvir rock n’ roll é preciso!

Antes de começar a falar sobre o ‘conforto acústico’, peço desculpas aos especialistas caso cometa alguma gafe.

O som se propaga em ondas, mais ou menos como os círculos que se formam em volta de uma pedra que caiu na água. Quanto mais longe do ponto em que o som é gerado, mais fraca a onda sonora, porém mais ampla. Diferente da pedra na água, que faz círculos apenas na horizontal, o som se propaga em todos os sentidos. Ele caminha com maior ou menor velocidade e pode ser “barrado” conforme o meio em que se encontra: ar, água, terra... No vácuo o som não se propaga, pois não há o deslocamento do ar.


Os materiais porosos e tramados têm por característica deixar que o som penetre em seu interior e se “quebre”. As superfícies densas e lisas, como espelho, porcelanato e concreto “refletem” o som e fazem com que as ondas sonoras retornem e se misturem às ondas que ainda estão sendo emitidas provocando um fenômeno chamado ‘reverberação’.

Assim, nossas armas para isolar o som, ou evitar a reverberação que compromete a qualidade do que escutamos, é o tratamento do entorno: piso, paredes, teto.

Na idade média os monges usavam garrafas vazias para evitar a reverberação. A garrafa tem um gargalo pequeno e depois um espaço que se abre. Então, o som entra por esse gargalo e se quebra dentro da garrafa, sem conseguir retornar. O similar hoje em dia seriam as caixas de ovos, que podem recobrir superfícies, como parede e teto.

Existem também os forros acústicos, que são feitos de um material que lembra o isopor e são cheios de furinhos. Por não serem tão bonitos, são mais usados em escritórios. Nas residências podemos usar forros de gesso trabalhado (nos teatros os forros têm diversos planos) ou um ripado de madeira vazado. Cortiça é uma boa opção, tanto para paredes quanto para tetos, assim como placas tipo ‘Sonex’ coloridas.

Cortinas são excelentes, principalmente se forem grossas, bem como os carpetes.  As paredes de gesso cartonado (pasmem!) também podem ser acústicas. Existem materiais próprios para serem usados na parte interna das paredes que se chamam ‘lã de rocha’ e ‘lã de vidro’. Se você precisar de um resultado realmente definitivo, deve usar uma borracha (que é vendida em formato de manta) entre os perfis que são fixados no teto, piso e parede. Essa manta de borracha também deve ser esticada na superfície da placa de gesso e uma segunda placa de gesso deve ser fixada sobre a primeira formando um sanduíche.

Agora, se você é mesmo um roqueiro e quer montar um estúdio, não improvise. Procure uma consultoria especializada, pois soluções mais radicais, como pisos independentes, por exemplo, podem ser necessárias.

Por Eliane Queiroz

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