Educação

Voluntariado nas escolas

Amor ao próximo, solidariedade e senso de direitos e deveres são alguns dos muitos motivos que levam os colégios do Morumbi a desenvolverem projetos sociais e a estimularem o voluntariado jovem.

 

O Colégio Guilherme Dumont Villares implantou, em 1999, o ‘EDH – Núcleo de Educação para os Direitos Humanos’, um elemento aglutinador, propositivo e realizador de ações concretas de protagonismo juvenil cidadão, especialmente no campo do voluntariado. Também em 1999, a Escola da Vila iniciou um projeto de ação junto a entidades que realizam trabalhos sociais ou de assistência, que dura até hoje. Já o Colégio Pentágono abre suas portas aos sábados, desde 2003, para o projeto ‘Caminhando para o Futuro’.
Mesmo com atuações diferentes, as três instituições trazem três importantes objetivos em comum: desenvolver a cidadania entre os alunos, valorizar a diversidade e promover a solidariedade.
“Aqui no GDV temos como proposta capacitar o aluno, entre outras habilidades, a avaliar o sentido do mundo em que vive e compreender os processos sociais dos quais faz parte”, diz os professores e coordenadores do EDH – Núcleo de Educação para os Direitos Humanos do Colégio Guilherme D. Villares (composto por alunos dos Ensinos Fundamental II), Amauri Pedroso e Masakazu Nomura.
Nas últimas décadas o colégio desenvolveu diversos projetos, mas os professores destacam dois, em especial.
O primeiro é o Projeto Convivendo, uma das mais antigas ações voluntárias do EDH. Ele promove atividades de convivência, atende a crianças de zero a 12 anos e propõe um rol de atividades semanais educativas que reforçam os valores da convivência e da solidariedade. “Todas elas têm caráter lúdico e psicomotor, e integram de forma harmônica crianças e jovens voluntários. Com o apoio dos professores, os alunos voluntários preparam atividades de artes, esporte, recreação e lazer que são aplicadas nas vivências voluntárias”, dizem.
O segundo é o Encontro de Gerações, um programa de integração intergeracional e inclusão social que ocorre entre idosos asilados do CEPIM – Casa dos Velhinhos, de Taboão da Serra, e estudantes do EDH. Iniciado em 2003, promove visitas semanais, atividades culturais, de artes e lazer. No processo, resgata-se a memória e história de vida dos idosos e, fundamentalmente, desperta nos jovens atitudes de solidariedade e compromisso social em relação ao idoso. O projeto realiza atividades diversas que promovem a integração entre as gerações e a descoberta de ricas histórias de vida.


Participação ativa

Em meados de junho de 1999, a Escola da Vila iniciou com seus alunos das oitavas séries, um projeto de ação junto a entidades que realizam trabalhos sociais ou de assistência. O trabalho se dividiu entre as reuniões semanais dentro da escola, e atividades nas entidades visitadas. As reuniões eram o espaço de preparação dos alunos e o momento era próprio para conversar, falar de medos, preocupações, preconceitos, ansiedades e tudo que pudesse e devesse ser considerado antes das visitas. A conversa era franca, o que garantia a identificação de sentimentos comuns e que poderiam ser superados com paciência, amizade e carinho. Dessa forma, as reuniões foram adquirindo características de discussão, aconselhamento mútuo e trabalho. “O elemento mais importante dessa ação era a iniciativa dos alunos. Nesse sentido, as reuniões catalisavam ideias e organizavam soluções para problemas das entidades visitadas. Os alunos trabalharam com um asilo, uma casa com crianças excepcionais e um centro de juventude”, revela Francisco Eduardo Bodião, Orientador Educacional do Ensino Médio da Escola da Vila.
O projeto, que existe há 14 anos, já registrou algumas ações e conquistas importantes:
– Participação na Fundação do Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã (2000), e atuação da escola e seus alunos até hoje;
– Participação na organização das Conferências Regionais dos Direitos da Criança e do Adolescente, desde 2000;
– Organização, Participação e Realização de semanas temáticas sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), realizadas sempre em setembro e que neste ano terá a sua 12ª edição;
– Acompanhamento, discussão, mobilização e articulação das organizações e cidadãos, sobre as pautas da infância e adolescência da região/cidade; dentre outras.
Hoje, além das atividades mencionadas com a participação mais efetiva dos alunos do Ensino Médio, os alunos dos 8º e 9º anos realizam atividades de roda de leitura e oficina de jogos em uma creche da região.


Novas habilidades

Concebido por dois jovens alunos do Colégio Pentágono, em 2003, com o apoio das mães voluntárias, o Projeto Caminhando para o Futuro recebe hoje 200 crianças e adolescentes do Jardim Rebouças (comunidade próxima à escola) para que possam realizar atividades culturais, esportivas e de lazer. As atividades são conduzidas pelos alunos do 8º ao 3º ano do ensino médio, e desenvolvidas aos sábados, na própria escola. Dentre as atividades estão o futsal, vôlei, ginástica olímpica, leitura, artesanato, aulas de inglês, coral, street dance, jiu jitsu e o ‘Batukêkê’, que inclui o grupo de percussão, canto e violino. Todo material didático, esportivo, uniformes, instrumentos musicais, passeios, lanches e comemorações, são patrocinados, principalmente, com os recursos da festa junina da escola. As atividades são organizadas pelas mães e alunos voluntários, liderados pela coordenadora do projeto, Darli Cordeiro.
Segundo Ana Sigaud, Coordenadora de Comunicação e Marketing do Colégio Pentágono, os resultados obtidos vão além do que ela pode mensurar. “A troca de experiências, conhecimentos e de muito carinho, claro, é o que há de mais valoroso no projeto. Todos ganham!”
O Voluntariado do Pentágono também emite, ao final do ano, um certificado de participação com as horas que o aluno dedicou ao projeto. “Hoje em dia muitas empresas valorizam currículos com experiência no 3º setor. O Voluntariado acredita na formação dos alunos voluntários em cidadãos ativos, participativos de ações transformadoras e atentos aos valores solidários. Por meio dessas experiências com a comunidade, os alunos da escola ampliam o olhar sobre a sociedade e sobre o mundo, criam e cultivam a consciência cidadã além de proporcionar atividades esportivas e culturais aos jovens da comunidade, promovendo a inclusão social, criando-lhes novas oportunidades e visão de mundo”, finaliza Ana.

Por Fádua Capellari

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