Educação

Conectividade - parte II

Escolas: Alunos, professores e pais conectados Parte final – Quando dou palestras relacionadas a educação, recebo diversas perguntas sobre o uso da internet pelos jovens. Quero aproveitar o último artigo da série para responder as mais frequentes.


Segurança

Em quase todas as ocasiões, o principal receio é a falta de segurança dos filhos. A exposição desmedida na web sobre os gostos, locais visitados, dados pessoais e até as amizades podem ser sim uma porta de entrada para a criminalidade. Os jovens, em geral, têm uma necessidade muito grande de afirmação de suas atitudes, por isso encontram nas redes sociais digitais o local adequado para exibir suas preferencias. O ideal é mostrar os perigos de ter esses dados expostos através de um diálogo franco, mesmo com os pequenos. Um ponto importante nessa questão é o exemplo que vêm dos pais. Como cobrar discrição dos filhos se os próprios pais exibem a vida na internet de forma desmedida? Fotos de crianças e adolescentes em roupas de banho devem ser evitadas ou disponibilizadas apenas para grupos de amigos selecionados.
 

Cyber Bullying

A propagação de vídeos e fotos na internet não pode ser freada nem contida. Com os aparelhos celulares e tablets com câmeras digitais ninguém mais está a salvo de ter imagens publicadas na internet sem o consentimento. Os adolescentes e pré-adolescentes são os principais prejudicados em casos de cyber bullying, pois estão com a personalidade ainda em formação e essa interferência pode provocar danos irreparáveis em seu comportamento social. É também preciso se dar conta que o agressor, em boa parte dos casos, também é uma vítima. Para evitar que os filhos estejam em uma das pontas é preciso conscientizá-los e acompanhar a maneira com que se comporta socialmente. O jovem não vê a dimensão do problema que pode gerar e acaba fazendo algo que não devia por provocações ou pressão de algum colega. Vale dar atenção especial para aqueles que estão na fase de constituir relacionamentos afetivos. É comum que tirem fotos íntimas e enviem por e-mail ou outro meio. Contudo, é preciso lembrá-los que as relações podem acabar ou que alguém possa ter seu celular ou computador roubado, o que pode levar a exposição do conteúdo na rede.
 

Conteúdo adulto

Mais da metade do tráfego da internet é proveniente do conteúdo adulto e isso significa uma coisa: ninguém consegue coibir o acesso a ele. Alguns programas podem ser instalados no computador para tentar evitar que os jovens entrem nos sites, mas a verdade é que, com o tempo, eles aprendem a burlar os sistemas. Para os mais jovens, basta acionar o filtro de segurança dos buscadores e instalar algo como o Norton Family, uma programa que custa cerca de R$ 40,00. Existem vários similares no mercado, basta fazer uma busca. No caso dos adolescentes vale explicar diretamente sobre os sites adultos e a indústria pornográfica. Nada instiga mais um jovem do que aquilo que lhe é proibido. Se os pais fugirem do diálogo o adolescente investigará por conta e poderá ter uma noção distorcida do que representam as relações sexuais afetivas.
 

Tempo de utilização

Em uma pesquisa recente foi identificado que boa parte dos jovens dedicam cerca de 30% do seu tempo livre para navegar na internet. Como o acesso é cada vez mais fácil, a tendência é que o consumo desse meio aumente. Muitos pais ficam preocupados com a socialização que, teoricamente, os filhos estão abrindo mão, ao ficarem tanto tempo conectados. Contudo, o tempo dedicado a web pode não ser um empecilho para a socialização do jovem, aliás, pode ser um estímulo. Nem sempre encontramos pessoas com os mesmos ideais nos grupos sociais mais próximos. Muita gente acaba se enturmando com colegas que só poderiam ser encontrados através da rede. Não é só o tempo gasto que você deve ficar de olho, mas sim no que ele é investido. Há muito conteúdo educacional que pode ser encontrado, entretenimento de sobra (músicas, filmes e livros), jogos e também plataformas de comunicação com os amigos. Recomendo apenas limitar a quantidade diária de internet. Cada idade tem o limite ideal, é natural que quanto mais jovem, menos horas sejam disponibilizadas.
 

Privacidade

Em qualquer computador ou celular podemos instalar aplicativos que fazem o controle de tudo que é acessado, gerando relatórios que identificam os hábitos de consumo do usuário e também dados de localização. A questão que fica é quanta privacidade devemos dar aos nossos filhos? Há muitos anos, era comum que as adolescentes escrevessem diários relatando suas descobertas. Tão comum quanto pais que davam um jeito para espiar o que era escrito e assim saber um pouco mais sobre como as coisas estavam indo. Recomendo a instalação de softwares em celulares que identificam onde o usuário está. O Cerberus para Android faz muito bem essa função. Mas não acredito que essa atitude deva ser escondida do jovem. Não vivemos mais em um mundo de portões baixos e muros sem grades. É uma questão de segurança. Quanto a privacidade das informações, é uma questão delicada. Pessoalmente, acredito que manter uma relação de confiança, transparência e honestidade com os filhos seja o melhor caminho. Mas, para que isso aconteça é preciso estar preparado para reagir bem as informações que podem chegar. Até mais!
 

Dados da minha pesquisa sobre preocupações dos pais com jovens conectados:

Acesso a conteúdo adulto 23%
Segurança / integridade física 23%
Superexposição 20%
Muito tempo em jogos 16%
Falta de socialização offline 10%
Cyber Bullying 8%


Por Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino é consultor de comunicação digital, sócio da Presença Online e atua junto ao mercado corporativo, governo e terceiro setor.

 

 

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