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Conectividade - parte I

Melhore a relação entre professores e alunos na rede. Um dos temas que andam preocupando os professores cada vez mais é o uso excessivo da internet por parte dos alunos. 
A cada ano fica mais fácil o acesso às ferramentas digitais para os jovens, ao mesmo tempo em que é cada vez mais difícil tomar uma atitude que consiga diminuir o uso ou, até mesmo, discipliná-lo.

Não é preciso fazer uma pesquisa extensa para notar a quantidade de conflitos espalhados nas redes sociais. Usando uma ferramenta de microblog (Twitter), procurei pela palavra “professor” e vi reclamações de todos os tipos. Poucos são os professores que sabem lidar com críticas que, mesmo infundadas, são motivo de constrangimento e repulsa. As redes sociais acabam sendo como uma espécie de confessionário, onde todos vão lá depositar sentimentos que podem ser de alegria, indiferença, mágoas ou frustrações. Um ponto muito importante nessa questão é o caráter público ou privado das redes. Em tese, não haveria problema algum em qualquer pessoa desabafar usando o seu perfil, afinal de contas, o desabafo é pessoal, no ambiente privado e restrito às pessoas que foram escolhidas. Por outro lado, o fato da mensagem ter sido publicada em um ambiente próprio para isso, a publicação dela fez do desabafo um conteúdo público, acessível aos demais e podendo, portanto, ser alvo de julgamentos.

O que os professores devem fazer para ter uma melhor convivência com o seu material de trabalho, que são os alunos, e como tirar proveito das ferramentas digitais?
 

Conhecer o ambiente

Num primeiro momento, o professor deve conhecer o ambiente digital, saber quais as regras de convivência, as ferramentas disponíveis e os hábitos dos alunos. Ir a eventos digitais pode ajudar nessa imersão. Se os alunos são fãs de blogs ou de vídeos, os professores devem procurar por conteúdos que poderiam ser de interesse mútuo, conversar a respeito com a classe e tentar transformar o uso tecnologia em ferramenta complementar de ensino.


Restringir as publicações

Geralmente a internet atua como um espelho do mundo real e, de certa forma, o digital e o off-line estão interligados. Contudo, como há uma percepção de distância na web, os comportamentos exibidos nas redes sociais podem ser um pouco mais exacerbados. As pessoas se soltam mais. Tenha uma regra em mente: nunca publique algo na internet que você não exibiria fora dela. Sendo assim, não cabe bem a um professor publicar fotos íntimas em suas redes ou momentos sociais onde ele esteja entre amigos. Recomendo que se crie grupos ao aceitar alunos como “amigos” nas redes. Isso é possível no Facebook ou no Google Plus. Assim você restringe a sua vida pessoal e continua utilizando a rede do jeito que preferir.
 

Atuar quando necessário

Em casos onde algum aluno publique algo que seja ofensivo a um professor ou para a instituição em que estude, sugiro que o primeiro movimento seja o de diálogo. Como escrevi antes, é muito comum que um momento de desabafo seja publicado, mas devemos entender que por trás dele está um adulto ainda em fase de formação, não tendo, propriamente dito, os limites estabelecidos do que seria uma boa convivência. É preciso conversar e explicar que esse tipo de comportamento pode ser prejudicial na vida daquele jovem, não somente no episódio em questão, mas também amanhã, no mercado de trabalho. É da natureza do jovem contestar conceitos e testar limites, cabe aos professores mostrar os possíveis desdobramentos. Apenas em casos de reincidência deve-se pensar em punições ou ações cíveis.
 

Incentivar o uso

O professor pode propor que os alunos façam algum tipo de trabalho digital (blog, vídeo, podcast) relacionado à disciplina ou a um tema transversal, como sustentabilidade, corrupção ou outros. Um concurso entre as salas poderia servir como estímulo para que bons conteúdos fossem produzidos e ocuparia as mentes frescas com boas ações.
 

Mostrar outros usos

Muito do uso indevido da internet se dá por causa da falta de conhecimento sobre ela. Poucos são aqueles que entendem como a rede poderia ajudar em seu cotidiano, com isso o uso acaba ficando “burro” e se perde a oportunidade de desenvolvimento. Uma solução interessante seria fazer uma semana digital nas escolas, com palestrantes já estabelecidos, mas que tenham conexão com os jovens. Existem diversos blogueiros que fizeram do uso da web a sua atividade profissional e outros que utilizam o que aprenderam para mostrar seus talentos criativos.
 

Há mais vida na web do que apenas o uso de redes sociais. A verdade é que tanto os professores, quanto os alunos, ainda estão perdidos diante desse mundo digital. Quanto maior o conhecimento, menor o estranhamento.
 

Por Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino é consultor de comunicação digital, sócio da Presença Online e atua junto ao mercado corporativo, governo e terceiro setor.

 

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