Home office sim, lar também!

Ana Kekligian

Lar não é trabalho. Trabalho não é lar!

Desde o início do isolamento social, por conta da COVID-19, o home office foi amplamente incentivado. Recebemos todos os dias uma enxurrada de informações sobre o assunto – eu mesma lancei um curso chamado “Como ser mais produtivo em tempo de crise”, que tem auxiliado muitas pessoas a se organizarem e administrarem melhor a rotina.

Diversas publicações mostram os benefícios do trabalho remoto, tendo como exemplo, a redução de custos e de estresse devido ao trânsito. Mas, há também o outro lado, que poucos falam: o impacto desse modelo nas relações familiares.

Recentemente, assisti a uma entrevista do filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé sobre o “novo normal”, onde ele traz uma importante reflexão sobre a “vivência sem ausência”, e despertou em mim a seguinte questão: Seria uma utopia negativa?

Refleti sobre a realidade dentro da minha própria casa e sobre os relatos dos meus clientes a respeito dos novos hábitos e comportamentos gerados pelo confinamento. Está muito fácil de entrar no piloto automático e não se dar conta de quando começa e termina a jornada de trabalho e onde está a divisão que separa o lar da rotina coorporativa. E qual o motivo desse desajuste?

Medo de perder o emprego? Ansiedade de não estar presente na empresa e mostrar seu comprometimento? Raiva por que os negócios não estão girando? Ou seria porque você precisa conciliar seu trabalho com os afazeres domésticos? Ou ainda, ajustar várias tarefas e ser responsável pelas atividades escolares dos seus filhos? Tudo isso – junto e misturado – gera muita raiva, tristeza, medo e frustração. E que me faz pensar, que se você não tiver visão para compreender e ouvir o que suas emoções querem te dizer, o mundo poderá desabar sobre sua cabeça e você poderá morrer esmagado ou até mesmo, desistir. E nenhuma dessas opções são prudentes ou sensatas.

Devido ao home office, a linha tênue que separava trabalho e lar, aparentemente, desapareceu. Por isso, o sinal de alerta do quanto devemos zelar para que os assuntos de dentro do seu lar fiquem protegidos dos desafios dessa nova rotina.

Você já sentiu a necessidade de compartilhar o seu trabalho, sucesso e decepções com seu cônjuge, mas ele não podia te dar atenção porque estava muito ocupado com o seu próximo call? Você parou para pensar que ao transformar alguns cômodos da sua casa em espaço de trabalho, isso pode estar restringindo a liberdade de seus próprios filhos? Já se deu conta que talvez tenha trocado as noites no sofá com a família por mais uma imperdível live ou curso gratuito?

Então, eu te pergunto: de 0 a 10, quanto você está preservando realmente os valores do seu lar perante o home office? Você está consciente dos riscos que está colocando a sua família? E verdadeiramente, quanto você está disposta a mudar antes que o pior aconteça?

A plataforma Divórcio Consensual, que une advogados a pessoas que querem terminar a relação, aponta um aumento de 30% nos pedidos entre março e maio em comparação com o trimestre anterior. A divisão de tarefas, criação de filhos, falta de parceria e questões financeiras estão entre os motivos principais para o fim do relacionamento de quem buscou o divórcio nos últimos meses. Mas, será que em meio a uma pandemia – onde a frustração, ansiedade e medos estão presentes nas duas pessoas que são base de uma única família – a melhor atitude é largar tudo e deixar essa família para trás?

Segundo pesquisa realizada pelo LinkedIn e citada na página do G1, foi apontado que 39 % dos 2 mil profissionais em home office entrevistados se sentem mais solitários devido à falta de interação com os colegas do trabalho. Então, por que não aproveitar a oportunidade e compartilhar suas aflições e novidades profissionais com a pessoa que você já divide a sua vida?

O momento é realmente de mudança e há uma necessidade de adequação – inclusive, profissional – sim! Mas também, é essencial buscar o equilíbrio para proteger o encantamento do lugar que você e sua família escolheram para viver, sendo um sistema de amor e compartilhamento.

Antes que seja tarde, eu realmente recomendo que estabeleça o diálogo, escute o outro lado, porque não está ruim só para você. Sinta e viva o ambiente. Não meça esforços para blindar a sua família, evitando danos e desmoronamentos. Se essas atitudes não aliviarem a sua dor, procure ajuda profissional, porque enquanto existir um fio de luz, existirá uma enorme chance de você resgatar as labaredas da sua felicidade.

Muitos falam que estão bem adaptados ao home office, que é bom estar em casa, perto dos filhos e sem o trânsito de ir e vir. Ganhos, obviamente, existem. Mas é necessário que esteja bom para todos e que os valores familiares sejam preservados para que haja equilíbrio e entendimento do que é trabalho e do que é lar.

É tempo de viver o novo sim, mas com equilíbrio e entendimento emocional.

“Vivo o Coaching como filosofia de vida e minha missão é conectar e agregar as pessoas, para que possam explorar a sua capacidade infinita e extraordinária de viver. Isto é possível por meio do autoconhecimento, pois com o auxílio de ferramentas específicas somos capazes de nós conhecer na mais profunda camada. O resultado do autoconhecimento é a auto potencialização e, consequentemente, a felicidade.”

Ana Kekligian é Master Coach de Desempenho e Especialista em Inteligência Emocional orientada para a vida pessoal e profissional e idealizadora da EBC – Empresa Brasileira de Coaching. Atualmente possui cinco importantes certificações internacionais pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching: Professional & Self Coaching, Coaching Ericksoriano, Master Coach, Análise Comportamental e Inteligência Emocional. Além dessas, também tem certificação como especialista em Inteligência Emocional pela SBIE (Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional) e também como Triad Certified Productivity Specialist, formada pela TriadPS.

É mãe, filha, esposa, irmã, tia, amiga e CEO de si mesma.

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