Nada Além da Paisagem

Paulo Maia

Há uma sombra que destaca o brilho da tarde e vem anunciar a sedução da noite

Um Rosto

Vejo um rosto desastrado
Vejo em vozes o que ouço quase nada
Desatento e por vezes indecente
Viver burlando a própria mente

Dizer que não é nada simplesmente
Se vou de lado a lado impaciente

Vejo um rosto descoberto
Vejo olhos que buscam quase nada
Sinto agora o que vejo nesse outro
Minha sorte mudando mais um pouco

Dizer que não se trata o que não sente
Se volto ou sigo em frente lentamente

Vejo um rosto desgraçado
Vejo em luz o que sinto quase nada
Uma dor que me possui feito amante
Minha vida que passa num instante

Dizer que tudo é farsa e somente
O que sobe cai preso a uma corrente

Vejo um rosto condenado
Vejo em forma o que sustenta quase nada
Um deserto que me espera bem a frente
Um droga que me deixa inconsciente

Dizer que tanto faz, que não tem pressa
Vem fazer flutuar uma promessa
De um rosto

Photo by Peri Stojnic on Unsplash

Rótulo Urbano

Quero te mostrar criança
Que o mundo não existe se você não o faz
A vida resiste, o instante é outro
O futuro insiste em dar o passado
De tantas lembranças, todas tão iguais

Em nosso comportamento
Já não tem mais visão do momento
Sem telepatia, no apartamento
A janela vazia nos traz o tormento
De tanto mistério de gente demais

Quero te dar o presente e o firmamento
De cor transparente
Sem nada cinzento, sem nada aparente
E que o medo jamais se sente com a gente
Esqueça as pessoas de tempos atrás

O nosso rótulo urbano
Cria artifícios na nossa face
Tão cheia de vícios,
cheia de danos, cheia de tudo
Um cotidiano um tanto pesado
para os nossos planos

Sem mais, quero deixar
Você pensar
A flor renascer no nosso prazer
Um tempo de paz

Soraia

Vejo você sentada
Ágata, simpatia
Linda e toda perfumada
Berilo, alegria
Vozes coloridas
 num sonho
 profundo
Paixões bem
 vividas

Seu olhar bonito
Rubi, lealdade
Sinto-me em um labirinto
Granada, amizade
Seu dom cativante, um sentido mágico
Olhos cintilantes

Conduta simpática
Pérola, pureza
Viagem fantástica
Jade, franqueza
Luzes na cidade, você é importante
Rica vaidade
Safira, verdade, sincronicidade

Todas as Noites

Todas as noites são belas
quando estou sempre contigo
Respirando o ar da melodia,
te enxergando em cada ponto
Vivo assim esperando seu beijo
Quando as noites são frágeis

Todas as noites eu te quero
entregando-se ao tempo
Quero ver a lua brilhar
no seu rosto todas as cores
Que a vida lhe faça feliz
Sempre em que as noites
forem belas

E eu que vivo nestas noites
Troco o dia pra te ver
Em algum lugar da vida
lembrarei de seu rosto
Enquanto as cores da
paixão viverem na noite

Eu te quero com certeza
passeando sobre a lua
Eu te quero sem juízo
passeando em meus sonhos

Wrapped

Suas curvas estão em volta de mim
Como num duelo de espadachins
A leveza encerra o romance
A tristeza não presta a nuances

E os olhos que captam o flagrante
Estimulam a foto do instante
O tempo é o senhor do destino
E o momento é o brincar de um menino

Seus gestos não me deixam saída
Seu perfume preenche uma vida
A destreza enfoca o imaginário
A mente balança e de repente eu caio

No amor o seu fôlego desafia tudo
Agindo como que reinasse o mundo
O viver requer atenção para a vida
Que não quer emoção escondida

Photo by James Forbes on Unsplash

Romântica

Uma mulher que tem nos
olhos a certeza de ser
A companheira ideal
na vida de um homem
Tem no corpo a firmeza do prazer
E possui uma beleza como
o infinito do mar

Pele marcada por cores
Universo que se espalha em flores
Um jardim molhado pelo
orvalho da manhã
E o amor espalhado em volta
de si com um gosto da maçã

Mulher dentro dos
sentimentos masculinos
Deliciando-se em seus
momentos femininos
Corpo e alma de novo
espalhados em clímax do gozo
Sangue que corre ao
encontro do outro

Uma mulher que acredita
na emoção tomando conta de tudo
Como o poeta acredita
na poesia revelando o mundo
Viver o pecado original
Expressar a chama quente
no corpo úmido
Borbulhando os instintos
mais remotos do seu íntimo

Nothing But Landscape

There is a man who walks
in the neighborhood
A clock makes round and round
A fog goes to the valley
Is there must be a reason
we are living for?

And there is nothing but landscape
Just nothing but landscape

There is a war inside of us
A girl cries for her hearts stolen
There is a man who tells us directions
Is there someone becoming our lover for a lifetime?

On the other hand,
there is nothing but landscape
Just nothing but landscape

A trick opens your heart
There is a hollow wind
through the window
And there is nothing but landscape

Just nothing but landscape

Photo by Matheo JBT on Unsplash

Paulo Maia é publicitário, um pensador livre e morador do Morumbi que mantém sua curiosidade sempre aguçada

Imagem destacada da Publicação

Photo by Ran Berkovich on Unsplash

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