Economia Circular e o Valor do Profissional de Reciclagem

Eleine Bélaváry

O mundo está vivendo a transição de uma economia linear (produção, consumo e descarte) para uma economia circular, na qual, o “lixo” (resíduo) ganha valor, voltando à condição de matéria-prima para novos produtos em processo restaurativo e regenerativo.

Na Economia Circular a cadeia produtiva é pensada de forma contínua e cíclica, para que os recursos não sejam somente explorados e descartados, mas reaproveitados em um novo ciclo. E nesta nova economia, é muito importante destacar dois atores fundamentais: as cooperativas de coleta e triagem de resíduos sólidos e as empresas certificadoras de logística reversa.

O serviço ambiental prestado pelas cooperativas e seus associados é de grande relevância e precisa ser valorizado pelo poder público, empresas e sociedade. Do outro lado, mesmo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, vigente desde 2010, a adoção da logística reversa é ainda incipiente e muitas empresas produtoras de resíduos continuam fazendo vista grossa, contando com a ineficiência da fiscalização, característica de nosso país.

Uma cooperativa de catadores fundamenta-se fielmente ao tripé da sustentabilidade, visto que supre as dimensões social, ambiental e econômica. Dela muitas famílias tiram seu sustento através da comercialização do que chamamos de “lixo”. Por isso, precisamos entender de uma vez por todas que a coleta seletiva, não apenas é uma questão de consciência ambiental, mas também um ato de inclusão social, pois promove oportunidade para aqueles que veem nessa atividade uma fonte de renda. Ao olharmos as embalagens que diariamente descartamos, devemos ver nelas o sustento de inúmeras famílias carentes.

A percepção da sociedade sobre a importância da atuação dos profissionais da reciclagem já é fato. No entanto, falta maior valorização destes agentes ambientais (atores praticamente “invisíveis” até antes da pandemia) pelos municípios e empresas. O poder público precisa se organizar e contratar as cooperativas para o serviço de coleta seletiva, enquanto as empresas produtoras de embalagens devem pagar por este serviço ambiental prestado. É no mínimo uma hipocrisia declarar que a empresa cumpre com a logística reversa e os acordos setoriais se sabemos que 90% dos recicláveis que retornam à indústria não contemplam os custos do serviço prestado pelos catadores. 

Em 2020, o estudo publicado pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) indicou que apenas 4% dos resíduos sólidos urbanos são realmente reciclados no Brasil. Sem a separação, os recicláveis podem ser desperdiçados e encaminhados para o aterro como lixo comum, levando centenas ou milhares de anos para serem decompostos.

Como declarou Carlos Silva Filho, diretor presidente desta instituição, “A recuperação dos resíduos desperdiçados nos lixões e aterros controlados tem potencial para movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano e gerar empregos para milhares de pessoas, basta que as disposições da Política Nacional de Resíduos Sólidos sejam colocadas em prática, fazendo a transição do atual sistema linear de gestão de resíduos para um modelo de economia circular, com pleno aproveitamento dos materiais e recursos, e ganhos para todos”.

A Coopercaps, fundada há 17 anos, é considerada uma das cooperativas de coleta seletiva mais profissionalizadas de São Paulo. Sua matriz, situada em Interlagos, administrava outras três centrais, quando, em maio de 2019, assumiu a gestão da cooperativa de Paraisópolis, totalizando 5 unidades e 340 cooperados, que hoje trabalham com dignidade e podem realizam seus sonhos. A Coopercaps Paraisópolis, passou de 30 a 200 toneladas processadas por mês, o que gera oportunidade para 45 sócios cooperados, todos moradores locais.

A Terra é um organismo vivo e só temos esse planeta como morada. Surpreendentemente, a humanidade está muito longe de conscientizar-se de que devemos adotar estilos de vida mais sustentáveis e que, se não trabalharmos juntos para proteger a nossa única “casa” e, ainda assim, continuarmos no ritmo predatório em que vivemos, nossa espécie será mais uma a entrar em extinção. Estamos a caminho disso.

Galpão da Coopercaps Unidade Paraisópolis

Em toda parte do mundo, milhares de organizações da sociedade civil lutam em defesa do meio ambiente, exigindo produção e consumo responsáveis, por parte das empresas e dos consumidores. Um aspecto triste das empresas é que elas pensam a produção a partir do lucro e não estão preocupadas em como o planeta irá absorver os seus resíduos. Mas nós consumidores temos o poder de mudar esse cenário, preferindo as marcas que têm responsabilidade ambiental.

Segundo o físico britânico Stephen Hawking, nós humanos precisaremos buscar, em até 100 anos, outro planeta para colonizar no sentido de garantirmos a nossa sobrevivência. Ele diz que o tempo da Terra está se acabando e que, para a Humanidade sobreviver às mudanças climáticas, colisões de asteroides, inúmeras epidemias e crescimento populacional desordenado, devemos deixar nosso planeta e aventurar-se a outras bandas do Universo.

Por fim, pergunto: O que a sua empresa, o seu negócio, o seu condomínio estão esperando para assumir essa responsabilidade com as futuras gerações? Seus filhos, seus netos e bisnetos? Terão que se mudar de planeta?

Para implantar a coleta seletiva e encaminhar adequadamente os seus recicláveis, entre em contato com:

Coopercaps
Site: www.coopercaps.com.br
Rua Irapará, 151 – Paraíso do Morumbi

Presidente:
Telines Basílio (Carioca)
+55 11 99369 6124
[email protected]

Responsável Administrativo:
Rhariane
[email protected]
+55 11 96070 3329

Telines Basílio (Presidente da Coopercaps, da Rede Sul e da CONATREC - Confederação Nacional das Cooperativas de Reciclagem), mais conhecido como Carioca

Eleine Bélaváry é moradora do Morumbi, bióloga e Sócia proprietária da Connexion Negócios Sustentáveis

Imagem destacada da Publicação

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