Rir com amigos pode ser a medida do sucesso na vida

Paulo Maia

A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada

Oscar Wilde

Buscamos sentido na vida, isso é verdade. É parte da inclinação humana. É mesmo impossível viver sem um significado. Mesmo quando não estamos pensando nisso, nossas ações e pensamentos deslizam sobre um tecido costurado de diversos sentidos e propósitos que, entre tantas coisas, se não nos tira completamente de angústias e sofrimentos, pelo menos nos ajuda a viver com eles.

Mas vejo que há algo a mais que alimenta nossa existência neste mundo que vaga pelo universo, e que talvez seja até mais importante do que edificarmos significados pela nossa capacidade de cognição e consciência. Afeto. Sim, ele mesmo! Quando nos atrelamos a algo, experimentamos a vida em uma dimensão para além da razão. A experiência é de tempo, espaço e química em nosso ser que queremos decifrar ou definir, ou seja, dar sentido mesmo ao que sentimos. E talvez o afeto que desenvolvemos e que nos faz saudáveis em paz de espírito é aquele que se dá entre nós mesmos. Aquele que está nas prateleiras que guardamos aspectos de nossa intimidade, que ora se encontra em espaços sem chaves ou trancas e, portanto, sem segredos para aqueles que as visitam.

Nada mais prazeroso e que nos faz sentir a vida fluir em nosso ser do que a experiência da amizade. É na presença desta pessoa – que podem ser várias e ao mesmo tempo – que sabemos que existimos, que somos notados, entendidos e queridos. Ter amigos é a condição inconsciente de não enlouquecermos na solidão que a existência impõe ao ser. O desenvolvimento do afeto se dá principalmente por podermos compartilhar nossa experiência e ver que o outro a compreende na dimensão que a sentimos. A maior – e melhor – prova disso é quando rimos juntos com alguém! Claro, a dimensão da tristeza fica menor quando também compartilhamos o choro junto de alguém. Bom, talvez não menor, mas menos pesada, deixe-me colocar assim. Mas neste texto quero falar da amizade que põe um sorriso em nossa face. Coisas tristes ficam para outras linhas.

Rir com alguém sobre qualquer coisa é um momento em que não notamos o tempo. É um sentimento sobre o qual não dissimulamos. É um gesto de harmonia que promove a sensação de unidade. Somos todos o mesmo naquela hora. O velho ditado diz que rir é o melhor remédio, mas se puder fazê-lo com um amigo é uma terapia para a alma.

Imagem de Lenka Fortelna por Pixabay

Fazer amigos se torna natural na medida da convivência, claro. Mas uma simbiose exige atravessar um vasto território de provações e um testemunho de vida e se ver no outro como nos vemos no próprio espelho, mas sem se confundir. Pelo contrário. Deve se reconhecer que diferenças transitam entre suas concessões para ser aquela pessoa a escolhida como companheira na sua viagem por uma parte da vida. Isso significa até tolerar nelas coisas que não toleramos em nós mesmo e condenamos em muitas outras pessoas! O luta para fugir da solidão absoluta, por vezes, é o que mantém os elos de uma amizade entrelaçados e fortes subjugando mesmo nossos próprios códigos morais. Só afeto e o significado de momentos vividos juntos podem explicar essas coisas.

Mas, tendo a vida que continuar, temos que celebrar a amizade para a vida toda! É incrível como algumas de nossas próprias experiências nos mostram que afetos que desenvolvemos sobrevivem ao tempo e à distância e guardam a voz, o sorriso, os caguetes e as peculiaridades com as quais nos acostumamos e que a reconhecemos na multidão.

Quanto já se falou da amizade! Toda a forma de cultura já fez e ainda busca formas de saudar e brindá-la. Fazer amizades que possam atravessar o tempo e que possam lhe render momentos que merecem estar naqueles prateleiras do seu íntimo é um bom sinal de que sua viagem está sendo bem-sucedida. Se ainda puder rir com eles – junto deles, claro – melhor ainda! Sabe aquela gargalhada que vem de qualquer coisa tola que se lembram apenas ao se olharem? Diga-me? Há algo que pague isso?

Paulo Maia é publicitário, um pensador livre e morador do Morumbi que mantém sua curiosidade sempre aguçada

Imagem destacada da Publicação

Imagem de White77 por Pixabay

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