Ikigai: o segredo de envelhecer sempre jovem

Eleine Bélaváry

Sabemos da finitude da vida, mas certamente desejamos que a jornada seja bem vivida até nosso último suspiro, sem dor, sem arrependimentos, deixando legados. E qual é o segredo para que isso seja assim?

De acordo com os nativos da ilha japonesa de Okinawa, onde verifica-se o maior índice de centenários do mundo, o ikigai é a razão pela qual nos levantamos todas as manhãs. Como os franceses dizem raison d´être, razão de ser. Por exemplo, a macieira existe para dar maçãs, certo? Ela sabe muito bem a sua função nesse mundo. Ter uma atitude ikigai diante da vida oferece um profundo significado a cada amanhecer.

A maioria dos japoneses envelhece de forma ativa, isto é, nunca se aposentam e segue trabalhando naquilo que gosta, enquanto a saúde permitir. Por isso mesmo, não existe na língua japonesa uma palavra que signifique “aposentar-se” no sentido de “retirar-se para sempre”, uma vez que, para esse povo, ter um propósito na vida é tão importante que não existe o conceito de aposentadoria. Alguns estudos em longevidade sugerem que ter uma vida em comunidade e um ikigai claro é tão ou mais importante do que manter uma dieta saudável.

Exatamente agora, estou escrevendo este artigo numa salinha reservada no andar superior do salão de beleza que frequento há mais de 30 anos. A profissional (e amiga querida) que dá estilo ao meu cabelo há décadas oferece seu talento – desde a idade de 13! – para deixar as pessoas mais bonitas e autoconfiantes. Desde criança, ela já sentia seu ikigai e ama tanto o que faz que, hoje, aos 73 anos, nem pensa em se aposentar, porque este é o propósito que ela mantém sempre no horizonte: criar beleza e utilidade ao seu redor e para si mesma. Assim, não envelhece – parece 15 anos mais jovem! – e com essa paixão, exerce sua profissão como ninguém, no mais alto nível de excelência.

E para estar ativo não me refiro somente ao trabalho em si, mas estar sempre pronto a colaborar com o que tem de melhor no sentido de transformar realidades. Importante saber que o sentido da existência é próprio de cada indivíduo e pode se converter e mudar muitas vezes em diferentes fases da vida.

Há um ditado que diz “envelhecemos quando abandonamos nossos sonhos”, o que é muito verdadeiro, uma vez que não perseguir um sonho nos leva a um vácuo existencial. E esse sentimento surge quando a pessoa não tem um sentido claro… ou tem um sentido de vida distorcido.

Segundo Viktor Emil Frankl (1905 – 1997), austríaco sobrevivente do holocausto, um dos maiores psiquiatras da história e criador da logoterapia, método terapêutico baseado na busca pelo sentido da vida, “o ser humano não precisa de uma existência tranquila, mas sim de um desafio para exercitar seus talentos e lutar”.

Jean-Paul Sartre declarou “o homem não inventa o sentido de sua existência, mas sim o descobre”. O processo de revelação do ikigai exige autoconhecimento. Concordo plenamente com uma amiga ao declarar que somos seres humanos, que nossa vocação é humanitária e que “servir é deixar o Ser vir”.   Faça o que ama, ame o que faz! Sirva onde for necessário! Verá que esta é a maior fonte da felicidade e da eterna juventude.

Há tempos descobri o meu ikigai. E você? Já descobriu o seu?

Machu Picchu (Peru) | Imagem por Eddie Kizka em Unsplash

Leitura sugerida
Ikigai: os segredos dos japoneses para uma vida longa e feliz. Héctor Garcia e Francesc Miralles, Editora Intríseca.
Em busca de um sentido. Viktor Emil Frankl, Editora Vozes.
Porque fazemos o que fazemos. Mário Sérgio Cortella, Editora Planeta.
Souoqsoma. Sandra Brandão, publicação independente.

Eleine Bélaváry é moradora do Morumbi, bióloga e Sócia proprietária da Connexion Negócios Sustentáveis

Imagem destacada da Publicação

Imagem por Content Pixie em Unsplash

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