Rivalidade entre irmãos

Cynthia Passianotto

Quanto menor a diferença de idade entre irmãos maior a competição. Isto é visível e às vezes muito evidente, já que crianças são mais espontâneas e o controle dos impulsos e sentimentos é menor. Além disso, seu sentido de possessividade e territorialidade se manifesta de um modo mais imediato e direto.

Entre as crianças, as brigas por motivos sem muita importância podem se alternar com manifestações de afeto. Isso pode nos surpreender já que aplicamos a lógica de adultos, esquecendo da nossa própria infância. Para eles, certo grau de agressividade e competição é normal dentro de alguns limites. As crianças que não rivalizam não são necessariamente mais saudáveis que os que o fazem.

Os conflitos passageiros favorecem a socialização; a rivalidade é uma etapa necessária no caminho para a cooperação e a solidariedade. A relação entre irmãos proporciona um treinamento valioso para o controle da agressividade. Os filhos únicos, que não se relacionam com crianças da sua idade, podem encontrar dificuldades duradouras para administrar a sua agressividade. A criança que é criada entre irmãos aprende mais facilmente a lutar pelo que é seu e a respeitar os outros, a conhecer os limites próprios e alheios que não devem ser violados. A rivalidade entre irmãos é um ingrediente positivo, desde que seja equilibrada com amor.

Juntamente com a rivalidade natural e espontânea, que não ultrapassa certos limites e que é facilmente superada, pode surgir outra rivalidade, mais amarga e duradoura, que pode tornar o ambiente familiar problemático e que deixar sequelas na personalidade adulta dos irmãos. Este tipo de competição pode ser produto de certos erros educativos.

Muitos pais utilizam as comparações entre seus filhos para destacar qualidades e condutas positivas. Colocar um irmão como modelo para o outro é um erro frequente. Não só diminui a autoestima do menos favorecido na comparação, como também faz com que o irmão colocado como modelo ganhe a antipatia dos outros.

Toda criança deve ser estimulada e valorizada por si mesma, sem sentir a pressão de ser o primeiro ou de estar à altura do outro. O favoritismo é outro erro cometido com frequência pelos pais. Consiste em preferir, geralmente de forma não consciente, um filho em detrimento do outro. Às vezes as predileções podem estar repartidas: há filhos do pai e outros da mãe. Apesar de ser pouco comum que os pais sejam conscientes de tais favoritismos, a criança pode captar com perspicácia a situação e reagir com ciúme, caprichos e tristeza. É muito importante estar atento a essas predileções. Suas consequências podem ser duradouras e amargas.

Cynthia Wood Passianotto  é psicóloga e escreve quinzenalmente na Dolce Morumbi. Acompanhe a Cynthia também em suas Redes Sociais: @cynthia_wood_passianotto @crescendoeacontecendo

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