Arte Bizantina: o primeiro estilo de arte cristã

Dolce Arte

Amanda Sanzi

Venha comigo em mais um artigo repleto de conteúdo e cronológico da história da arte!

Para entendermos melhor, vamos recapitular o contexto histórico! 

Contexto histórico 

A cidade de Constantinopla (atual Istambul) foi fundada em 330 pelo Imperador Constantino. Ela tornou-se a capital do chamado Império Bizantino.

Durante o seu reinado, Constantino outorgou o Édito de Milão, posteriormente oficializado por Teodósio, com objetivos muito maiores do que apenas promover a aceitação do Cristianismo.

Constantino e Teodósio viram que a religião tinha um papel importante na sociedade e serviria como uma ferramenta bastante didática para difundir não apenas a fé cristã, mas também para demonstrar a superioridade do Imperador, que governava “em nome de Deus e mantinha os valores familiares acima de tudo”.

Constantino I foi o fundador do Império Bizantino. Estátua de Constantino, O Grande na Catedral de York, Inglaterra | Imagem por Phillip Jackson , Public domain, via Wikimedia Commons

ARQUITETURA 

O Cristianismo se destacou em meio às outras religiões no oriente graças aos esforços para preservar o caráter universal do Império, o que explica o desenvolvimento de basílicas, cânticos e rituais.

Mas foi durante o reinado de Justiniano (526-565 d.C.) que aconteceu o apogeu da Arte Bizantina. Esse período ficou conhecido como “a Idade de Ouro do Império”.

Filho de camponeses, Justiniano chegou ao trono em 526. Sua esposa, Teodora, também vinha de origem humilde e exerceu decisiva influência sobre a administração do Império.

Detalhe de um mosaico com imagem de Justiniano, na Basílica de São Vital, em Ravena (Itália)

Foi durante o governo de Justiniano que foram compiladas as leis romanas, criando o Corpus Juris Civilis (Corpo do Direito Civil). Esse código jurídico romano organizado pelos bizantinos influenciou a constituição de diversos códigos civis em países da época contemporânea.

Justiniano também financiou a construção de grandes obras públicas, das quais se pode destacar a Catedral de Santa Sofia, que até hoje existe na cidade de Istambul. O imperador governava ainda com poderes absolutos, considerando-se o representante de Deus na Terra, o que o tornava também o chefe da Igreja.

Uma pintura do artista francês Jean-Joseph Benjamin-Constant do século XIX retratando o Imperador Bizantino Justiniano e os seus conselheiros empenhados numa discussão de textos religiosos

Em laranja escuro, o Império Bizantino e na parte clara, os território conquistados por Justiniano

A cultura bizantina era uma mistura de influências romanas, helenísticas e orientais. A cidade de Constantinopla era um importante centro comercial e cultural, e foi dali que o cristianismo se expandiu.

Vale destacar que a arte bizantina recebe esse nome devido ao fato de que o seu centro de difusão foi a cidade de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, também chamado de Império Bizantino.

Adotaram o grego como idioma oficial no século VII e mantiveram constantes relações com os povos asiáticos.

A arte bizantina é uma manifestação artística característica do mundo romano entre os séculos V e XV. É uma arte cristã que surgiu no período em que o Cristianismo passou a ser reconhecido como religião e revelou toda a exuberância e ousadia de uma arte que almejava não apenas ser vista, mas também com o propósito de angariar mais devotos e instrui-los pelo caminho da fé a devoção ao Cristianismo, deste modo foi considerada o primeiro estilo de arte cristã.

Diferente da arte grega e romana, que privilegiava a técnica e perfeição das formas, a arte bizantina traz um contexto simbólico e religioso.

O regime do período era teocrático, ou seja: o imperador tinha plenos poderes administrativos e espirituais sobre a população. Por esse motivo, não é raro encontrar na arte e arquitetura bizantina mosaicos onde ele aparece, juntamente com a esposa, cercando a Virgem Maria e o Menino Jesus.

Jesus no colo da Virgem Maria entre duas figuras da realeza

Os artistas da época não podiam usar a sua criatividade para se expressar da forma como queriam. Eles deviam cumprir ordens eram apenas os executores que deveriam seguir fielmente as tradições e os padrões estabelecidos pelo clero, comandados e orientador pelos sacerdotes. Sendo assim, entre as características predominantes da Arte Bizantina, podemos observar:

  • Caráter majestoso: demonstra a riqueza espiritual da fé cristã e o poder do Império Romano.
  • Temática católica: sempre representava a fé dos cristãos da época.
  • Frontalidade: representação das figuras em posição frontal, rígida e verticalizada.
  • Influências de traços gregos, romanos e orientais.
  • Finalidade catequética: além de enfeitar, a arte era vista como forma de ensinar o Evangelho aos alfabetos, que eram maioria na época.
  • Padronização da arte: os artistas serviam ao império e à igreja, trabalhavam com o fim de servir a essas características. A arte não era focada no artista e seus desejos pessoais.

A Arte Bizantina também se expressou na escultura e na pintura, mas a arquitetura e os mosaicos é que foram destaques. 

Mosaicos bizantinos

O império bizantino herdou uma forte tradição de fazer mosaicos. Variantes anteriores deste tipo de arte floresceram em Alexandria e Antioquia. Mas eventualmente se espalharam muito além de Constantinopla para o Mediterrâneo, Itália e Rússia.

Os mosaicos bizantinos tinham estilo, cultura e, mais importante, aspectos religiosos neles. Estes desempenharam papéis essenciais no ocidente, tornando-se a principal forma de arte pictórica do século IV ao século XIV.

Mosaico Bizantino de Jesus Cristo
Mosaico com imagem de Teodora na Basílica de São Vital, em Ravena (Itália)

O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e abóbadas, mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários imperadores. Basicamente, o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos. Eles são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos.

Mosaico na Basílica de Santo Apolinário, em Ravena (Itália) | Imagem de Gerhard Bögner por Pixabay

Os mosaicos eram formados a partir de pedaços de pedras cortados. Os pedaços eram colocados em um bloco de cimento que, juntos, formavam uma figuras. Além disso, as pedras eram compostas por cores diferenciadas que davam ao desenho uma característica única, o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro.

Além do imperador, os mosaicos representavam também os profetas da época. Sua utilidade era vista, principalmente, dentro das igrejas. Visto isso, eram construídos que refletiam a luz, além de cores fortes e escuras.

Corte do Imperador Justiniano com o Arcebispo Maximiano, Mosaico, Basílica de San Vitale, Ravena, Itália, século VI d.C.
Imperatriz Teodora com seus assistentes, Mosaico, Basílica de San Vitale, Ravena, Itália, século VI d.C.

Os gregos usavam os mosaicos principalmente nos pisos. Já os romanos utilizavam-nos na decoração, demonstrando grande habilidade na composição de figuras e no uso da cor. Na América os povos pré-colombianos, principalmente os maias e os astecas, chegaram a criar belíssimos murais com pedacinhos de quartzo, jade e outros minerais.

Mas, foi com os bizantinos que o mosaico atingiu sua mais perfeita realização. As figuras rígidas e a pompa da arte de Bizâncio fizeram do mosaico a forma de expressão artística preferida pelo Império Romano do Oriente.

Arquitetura Bizantina 

A arquitetura se destaca como expressão artística desse período pela construção de grandes e ricas igrejas, na verdade basílicas, dada a sua amplitude e riqueza expressa no revestimento de ouro e decoração com mosaicos.

Principais construções arquitetônicas Bizantinas:

  • A Catedral de Santa Sofia, em Istambul – obra da autoria do matemático Antêmio de Tralles e de Isidoro de Mileto, cuja construção foi feita entre os anos 532 e 537;
A Basílica de Santa Sofia, em Istanbul, é uma das mais importantes construções do Império Bizantino. Imagem de Eduart Bejko por Pixabay
  • As Basílicas de Santo Apolinário e São Vital, em Ravena;
Basílica de Santo Apolinário, Ravena (Itália) | Imagem de Marie Thérèse Hébert & Jean Robert Thibault em em Wikemedia Commons
A Basílica de São Vital, em Ravena (Itália) | Imagem por Rodrigo Soldon em Flickr

A Basílica da Natividade, em Belém – construção ordenada pela mãe do imperador Constantino na cidade onde Jesus nasceu. Foi construída entre os anos 327 e 333 e incendiada cerca de dois séculos depois.

A Igreja da Natividade é a igreja na qual Jesus Cristo nasceu e está localizada em Belém, no sul da Cisjordânia, a quatro quilômetros do Palácio das Conferências de Belém. Construída pelo Imperador Constantino no ano de 335 | Imagem em Wikimedia Commons

Importante registrar o destaque da Catedral de Santa Sofia, também conhecida como Hagia Sophia, foi construída entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser a Catedral de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia). Os responsáveis pelo projeto foram Antêmio de Tralles e Isidoro de Mileto.

Mas antes de 532, a obra já havia passado por duas fases de construção e reforma, sendo destruída por um incêndio antes do último reparo, providenciado pelo imperador Justiniano I.

O nome da Catedral de Santa Sofia é uma transliteração fonética da palavra grega “sabedoria”.

Trata-se da obra que resume todas as características da arquitetura bizantina que falamos até aqui.

A Catedral de Santa Sofia é considerada a mais importante obra da arquitetura bizantina e uma das mais revolucionárias na história da arquitetura.

Essa obra prima da arquitetura bizantina foi a maior catedral do mundo por quase mil anos, até que a Catedral de Sevilha fosse completada em 1520.

A estrutura da Catedral de Sofia é semelhante a uma basílica romana, com uma forma retangular e sobre ela está a grande cúpula central de 31 m de diâmetro e 55 m de altura. Ela é extremamente elevada, fazendo uma alusão à abóbada celeste (céu). No meio fica um grande vão cercado por uma série de passagens laterais.

O interior da Catedral de Santa Sofia é revestido com mármore e repleta de mosaicos.

A cúpula é perfurada com uma faixa de 40 janelas em arco, que criam uma iluminação zenital e dão leveza à estrutura.

Arquitetura Bizantina: janelas na cúpula e iluminação zenital | Imagem por Halil Ibrahim Cetinkaya em Unsplash

Em 1935 a Catedral de Santa Sofia foi transformada em um museu da recém-criada República da Turquia.

Arquitetura Bizantina em SP: matriz de São Josafat em Prudentópolis, interior de São Paulo
Arquitetura Bizantina em SP: Museu Judaico na cidade de São Paulo

Pintura Bizantina 

Arte Bizantina é uma arte cristã. Por isso, a temática religiosa (Cristo, apóstolos, santos, papas) é muito forte nas pinturas e esculturas bizantinas.

Além disso, o uso de cores nobres (vermelho, azul e dourado) é muito usado para simbolizar a majestosidade. Isso era conseguido usando a técnica têmpera: preparar os pigmentos com uma goma orgânica (gema de ovo) para que fixe melhor na superfície.

Por fim, temos a técnica do afresco, usada para pintar grandes painéis ainda úmidos para melhorar a fixação.

Essas pinturas podiam ser em paredes de igrejas ou telas pequenas e portáteis.

Ícone de André Rublev. À esquerda, Solenidade da Santíssima Trindade, Nossa Senhora da Misericórdia

Encontramos três tipos de pinturas entre as mais frequentes.

  • Ícones: pinturas em painéis portáteis, com a imagem da Virgem Maria, de Cristo e dos Santos; 
  • Miniaturas: pinturas usadas nas ilustrações dos livros;
  • Afrescos: Técnica de pintura mural onde a tinta era aplicada no revestimento das paredes, ainda úmidos, garantindo sua fixação).

As principais pinturas foram de imagens de Cristo e da Virgem Maria.

Ícone Bizantino
O cristianismo ortodoxo, uma das particularidades do Império Bizantino

A pintura bizantina se restringiu ao contexto religioso sofrendo devido à interferência do iconoclasta (“quebra de ícones, imagens”), movimento que se desenvolveu no século VIII d.C. e pregava a destruição das imagens sacras, tidas como objeto de adoração. A iconoclastia provocou um enorme prejuízo para a arte desenvolvida no Império Bizantino, sobretudo no que se refere à pintura e à escultura.

Escultura Bizantina

A escultura bizantina foi caracterizada pela influência oriental, sendo uma referência da degeneração do Império Romano do Ocidente. Podemos citar como características principais: uniformidade, rigidez, falta de naturalidade e presença de linhas geométricas e folhagens estilizadas. 

As esculturas compartilhavam a mesma temática, mas o material utilizado era o marfim. Não havia um comprometimento rigoroso com o realismo e elas eram feitas nos dípticos (dois pequenos painéis que se fecham).

DÍPTICOS, que eram obras em baixo relevo, formada por dois pequenos painéis que se fecham.

E os TRÍPTICOS, que eram obras semelhantes aos dípticos, porém com uma parte central e duas partes laterais que se fecham.

Relevo em marfim conhecido como Barberini (século VI)
Díptico de Flavius Anastasius Probus
Tríptico

Arte Bizantina foi o primeiro movimento artístico cristão e teve grande importância na propagação do Cristianismo e da superioridade do império, colocando a igreja e o Estado na mesma posição perante a sociedade.

“A justiça é o firme e constante desejo de dar a cada um o que é seu”
Justiniano (Imperador Bizantino)

 

Amanda Sanzi é artista visual, moradora do Morumbi e expressa sua compreensão do mundo através de suas obras!

amandasanzi.com

Imagem destacada da Publicação

Hagia Sophia, Istambul | Imagem por Adli Wahid em Unsplash

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