Fazer o bem é um modo de vida

Eleine Bélaváry

Desde 2007 faço parte de um grupo de amigos que semanalmente se reúne para estudar Numerologia e Filosofia. Na última semana, nos foi dada a tarefa de buscar praticar a bondade. Fui consultar o Aurélio para me aprofundar no conceito: inclinação para fazer o bem; benevolência; qualidade da pessoa que é boa e generosa. Para os cristãos, bondade é uma virtude essencial. É uma predisposição que provém da infinita bondade divina. Assim, quando nos conectamos com esta inteligência suprema, somos guiados por um espírito bondoso.

Mas o que torna uma pessoa boa, aquela que naturalmente está sempre pronta a praticar o bem? Após uma pequena pesquisa, encontrei interessantes considerações filosóficas: para Aristóteles, bom é aquele que encontrou seu lugar no mundo, que possui virtudes e faz uso delas, vivenciando plenamente aquilo que é. Os Estoicos dizem que a bondade é quando a pessoa consegue desenvolver em si mesmo quatro grandes virtudes: a coragem, a justiça, o autocontrole e a sabedoria.

Já para Epicuro, a boa pessoa é aquela que encontra prazer na simplicidade e nas pequenas coisas da vida. Nietzsche dizia que bom é aquele que abraça seu destino e vive tudo o que pode viver, sendo o melhor que pode ser. Por outro lado, as reflexões de Kant expressavam que a única coisa que importa nesse processo é a boa vontade, aquilo que determina não as suas qualidades, mas as suas ações.

Grande parte da minha família sempre mostrou inclinação para fazer o bem e, desde muito jovem, eu sentia um forte chamado para buscar essa prática. Lembro que, na época, assistia emocionada a senhora que morava em frente à minha casa e que toda quarta-feira distribuía pratos de sopa a pessoas em vulnerabilidade social. Uma imensa fila formava-se em seu jardim, enquanto, com um amoroso sorriso, ela resolvia, pelo menos naquele dia, a fome de homens, mulheres e crianças. Eu achava a cena extremamente altruísta e pensava: “Deve ser muito bom para a alma!! Quero isso para minha vida!”. E assim foi! Desde então resolvi ser voluntária em várias instituições, orfanatos, abrigos, associações, enfim onde havia espaço para boas práticas.

Nunca fui muito inclinada ao assistencialismo. Apesar de importante, principalmente em momentos emergenciais, o assistencialismo pode gerar dependência. Acreditava que, em vez de “dar o peixe”, o ideal era “ensinar a pescar”, capacitar pessoas e entidades no sentido de tornarem-se independentes. Só assim sentia que poderia transformar algumas realidades.

Quando atuei em uma multinacional, o CEO, sabendo da minha veia social, me chamou e pediu para organizar um programa de voluntariado. Assim, contando com alguns colegas, passamos a ensinar computação e inglês em entidades sociais parceiras. Foi algo tão contagiante que, quando nos demos conta, o vice e o presidente desta multinacional também estavam envolvidos no programa, querendo botar a mão na massa. A notícia espalhou-se por todos os continentes onde a empresa tinha escritório e foi um sucesso.

Quatro anos depois, fui desafiada a criar uma associação na sede de uma entidade de classe com o propósito de estimular e disseminar as melhores práticas de responsabilidade social e sustentabilidade nas empresas associadas. Foram muitos anos tocando projetos extremamente impactantes e uma grande realização que vou levar comigo para o resto da vida.

Para mim, a vida só faz sentido quando estou trabalhando em projetos que possam transformar panoramas sociais e ambientais. Assim como a gentileza, a bondade contagia. Servir e praticar o bem sem olhar a quem é o que viemos fazer neste mundo. Há uma frase muito engraçada que um grande amigo sempre usa: “Se o malandro soubesse que é tão bom ser bom, ele seria bom por malandragem”. Mas segundo Kant, ser bom exige esforço. E muita disciplina!

Estamos em época de festas e confraternizações, quando as pessoas, tocadas pelo espírito natalino, sentem-se mais afetuosas e solidárias. Com a pandemia dos últimos dois anos, a desigualdade social aumentou dramaticamente. Assim, aproveitando o momento, convido-lhe a sair do individual e ampliar o olhar para o coletivo. A ficar atento às oportunidades para atos de bondade, a ser útil onde for necessário, deixando desabrochar o melhor de si para ajudar a transformar cenários e melhorar a vida de muitas pessoas.  

Que neste período, fortaleçamos a nossa fé e esperança em dias melhores. Que possamos aquecer nossos corações e transmitir nosso amor a todos que nos rodeiam.

Feliz Natal a todos e um abençoado 2022!

Eleine Bélaváry é moradora do Morumbi, bióloga e Sócia proprietária da Connexion Negócios Sustentáveis

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