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Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

A imposição imposta

Está cada vez mais sensível discutir a temática relacionada com a liberdade e as emoções

Querido leitor e querida leitora, o título em si já cria uma confusão mental e uma espécie de ruído mesmo, e acreditem, é propositado também (risos)!

Todos nós, a uma certa idade, aprendemos, ou no mínimo ouvimos, que devemos, a todo o custo, aprender a impor limites em situações em que nos sentimos desafiados ou incomodados. Mas a questão que não quer calar-se é: será que sabemos fazê-lo? Será que simplesmente dizer basta? Será suficiente para determinar a imposição de um limite?

Vou mais adiante: será que devemos impor limites da mesma forma a todos? Caso não, como saberei diferenciá-los? Ou a única diferença deverá estar apenas no tom?

Imagem de magnific

Sinceramente falando, é difícil para mim dar uma solução clara e objetiva, pois também afirmo que estou a aprender, e de forma mesmo crua e dura. Aprendi que não há como impor limites da mesma forma a todos, pois a percepção, por melhor que seja a nossa ação, nem sempre chega da melhor forma possível.

Um exemplo: para o seu filho será, provavelmente, em tom bem alto, extremamente grave e chinelo na mão (de acordo com a moda africana). E, por inerência da idade e de estar eternamente abaixo de si, o seu filho dirá (até certa idade) “sim”, sem questionar.

Mas e ao parceiro, será da mesma forma?

Não, pois aqui a história muda de figura, porque temos ainda a discussão sobre o intervalo ou a linha ténue entre a liberdade e o limite. Então, imagina impor?

Existe o risco de não sermos compreendidos ao agir com agressividade. Aqui devemos usar a calma, a conversa e ainda temos de justificar e dar razões do porquê de traçarmos aquela linha como limite.

Imagem de magnific

Com os amigos, é muito mais fácil. Num bate-papo já está! Mas, no trabalho e com estranhos, a coisa volta a mudar de figura e, mais uma vez, percebemos que esta tal referida imposição, dependendo da posição ou do lugar em que se esteja, pode sair pelo torto.

Para mim, o melhor é avaliar o lugar, a pessoa ou as pessoas a quem vamos colocar essa imposição e certificar-nos de que não estaremos a dar um tiro no próprio pé em busca desta tal imposição.

Está cada vez mais sensível discutir a temática relacionada com a liberdade e as emoções na sociedade em que estamos, pois qualquer coisa acaba por parecer arrogância ou petulância, infelizmente.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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