Dia do Professor se aproximava.
Lucas queria dar um presente especial ao seu professor preferido, o de Biologia.
Gostava dele. Gostava da matéria. E, naquele ano, queria fazer algo diferente.
O professor era apaixonado por répteis e vivia sozinho desde a morte da esposa. Lucas achou que um presente vivo poderia fazer companhia ao mestre.
Começou a pesquisar.
Pensou em um jacaré.
Descartou.
Talvez o professor não tivesse espaço suficiente para um animal daquele tamanho.
Fez então uma lista de requisitos para o futuro presente:
Não fazer barulho.
Não atacar.
Não fazer muita sujeira.
Não precisar de muita comida.
Não destruir móveis.
Não comer roupas nem livros.
E, principalmente, não exigir atenção o tempo todo.
O presente perfeito precisava ser praticamente autossuficiente.
Passou alguns dias revisando mentalmente seu repertório de répteis.
Sapo? Barulhento.
Cobra? Perigosa.
Jabuti? Bonzinho, mas precisava ser alimentado.
A solução apareceu numa noite quente, quando Lucas olhou para a parede do quarto.
Uma lagartixa.
Claro!
Silenciosa. Pequena. Inofensiva. Não comia livros, não destruía móveis e cuidava sozinha da própria alimentação.
Passou com louvor na prova.
Só faltava capturá-la.
Não foi fácil.
Depois de muita perseguição, encurralou a bichinha e conseguiu colocá-la numa caixa com furinhos.
Estava pronto o presente.
No dia 15 de outubro, Lucas entrou na sala segurando a caixinha.
Quando chegou sua vez, entregou-a ao professor.
Na tampa, havia uma mensagem:
Ao mestre, com carinho, um companheiro fiel para suas noites solitárias.
O professor leu.
Ficou com os olhos marejados.
Abraçou Lucas e não conseguiu dizer uma palavra.
Lucas voltou para casa sem saber se tinha acertado ou errado na escolha.
Anos depois, já formado, encontrou o antigo professor de Biologia.
Ele sorriu.
– Sabe que o Lucartixa continua me visitando todas as noites?






























