São várias as mulheres que se colocam em situações complexas em busca de um mimo, de um carinho, de um colo.
E uma das posições mais delicadas — e mais discutidas a nível mundial — é a posição de concubina. A posição de amante.
Uma posição julgada por muitos, condenada por tantos e apedrejada por milhares.
E, curiosamente, somos nós, mulheres, as primeiras a atirar as pedras.
Mas… quem nunca?
De forma direta ou indireta, consciente ou não, muitas de nós já estivemos — nem que por instantes — nesse lugar.
E o problema não começa aí.
O problema começa quando, depois de algum tempo, essa mulher já não quer ser apenas amante.
Ela apaixona-se.
Ela envolve-se.
Ela começa a acreditar.
E, de repente, nasce dentro dela um desejo silencioso: cuidar daquele homem.
Aquele homem que, em Moçambique, nós provocamos e chamamos de… alecrim dourado.
O tal alecrim dourado.
O homem sofrido.
O homem que “dorme no sofá”.
O homem cuja relação “já acabou, só falta sair de casa”.
O homem que jura viver uma paixão avassaladora pela sua amada.
E ela vê.
Vê aquele homem “fragilizado”, desalinhado, com a barba por fazer, a pele cansada, o peso do mundo nos ombros…
E o que ela quer?
Cuidar.
Amar.
Salvar.
E quem a pode julgar por isso?

Ainda mais quando, em troca, ele oferece tudo aquilo que, muitas vezes, uma mulher deseja: atenção, presentes, viagens secretas, contas pagas, momentos intensos.
E assim, a história avança.
Até que, um dia, por algum capricho do destino…
a relação oficial termina.
E é aí que nasce o sonho.
A amante acredita que chegou a sua vez.
Que será, finalmente, promovida.
Que deixará de ser segredo… para se tornar lar.
Mas o que ela não sabe — ou não quer ver — é que o problema, muitas vezes, nunca foi da “mãe grande”.
O problema… era o alecrim dourado.
Aquele mesmo homem que ela idealizou.
Porque, na verdade, a mulher oficial muitas vezes suportava em silêncio aquilo que agora começa a ser revelado.
E então, o encanto quebra-se.
A relação que prometia ser perfeita… torna-se pesada.
O homem que parecia carente… torna-se exigente.
A mulher que era desejada… torna-se incômoda.
E começam as comparações.
As acusações.
As feridas.
“Destruíste a minha família.”
“Ela era melhor do que tu.”
“Tu nem sabes cuidar de mim.”
E a pergunta que fica é:
Se a “mãe grande” era tão melhor… por que tirá-la do lugar?
Por que iludir?
Por que prometer?
Por que fazer alguém acreditar num futuro que nunca foi real?
E mais…
Será que a culpa é só do alecrim dourado?
Ou também é dessa mulher que escolheu permanecer… quando já havia sinais?

Porque, no fundo, existem vários tipos de amantes:
– A que nunca é promovida.
– A que é promovida… mas se arrepende.
– E a que escolhe permanecer exatamente onde está.
Mas hoje… falamos daquela que quis mais.
Daquela que quis ser lar.
E que agora, ao chegar lá, percebe que o sonho… não era sonho nenhum.
O homem do pedestal cai.
A fantasia dissolve-se.
E o amor transforma-se numa espécie de novela dramática… daquelas das 22h.
E então surge o dilema:
Ficar… depois de tudo o que já investiu?
Ou sair… mesmo depois de tudo o que já sofreu?
Sinceramente…
Eu não tenho respostas.
Mas sei de uma coisa:
Quem conta uma história, sempre aumenta um ponto.
E aquele homem que parecia vítima… pode não ser.
Aquela relação que parecia destruída… pode não estar.
E mesmo que esteja… a decisão de sair nunca será simples, nem rápida, nem garantida.
Porque relações que nascem em segredo… carregam consigo um detalhe perigoso: ambos conhecem os truques um do outro.
E o que tinha tudo para dar certo, pode facilmente transformar-se numa guerra de ego, ciúmes e desconfiança.
Por isso, minha querida, a pergunta não é sobre ele.
É sobre ti.
Queres continuar?
Queres sair?
Queres recomeçar com alguém que nunca te conheceu como segredo?
Ou vais deixar que o destino decida por ti?
Eu não tenho respostas.
Sou apenas uma mulher com pensamentos inquietos, um papel e uma caneta na mão.




























