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Artista visual contemporânea, curadora, escritora e gestora cultural.

Palácio da Pena: a arquitetura transforma a história da arte

Uma mistura de estilos que traduz o espírito romântico do século XIX e revela a liberdade criativa de seu idealizador

No alto da Serra de Sintra, em Portugal, entre a vegetação exuberante e a atmosfera singular da montanha, encontra-se uma das construções mais emblemáticas do romantismo europeu: o Palácio Nacional da Pena.

Visitar esse lugar é percorrer diferentes capítulos da história portuguesa por meio da arquitetura, da arte e dos detalhes que revelam o imaginário de uma época.

Sua história começa muito antes de se tornar palácio. No século XII, foi construída no local uma capela dedicada à Nossa Senhora da Pena. Em 1503, por determinação do rei D. Manuel I, surgiu o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, entregue posteriormente à Ordem de São Jerónimo.

O terremoto de 1755, que devastou Lisboa e atingiu diversas regiões de Portugal, danificou o edifício. Anos depois, com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro foi abandonado.

Em 1838, o rei-consorte D. Fernando II adquiriu a propriedade, encantado pela paisagem de Sintra e pela atmosfera romântica de suas construções históricas. Inicialmente, pretendia restaurar o antigo mosteiro para transformá-lo em residência de verão da família real. Seu entusiasmo, porém, deu origem a um projeto muito mais grandioso.

A concepção arquitetônica ficou sob a responsabilidade do Barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, mineralogista e engenheiro de minas alemão, que conduziu o projeto a partir das ideias e referências estéticas de D. Fernando II, conhecido como o Rei-Artista.

As obras começaram por volta de 1840, dando origem a uma construção singular, marcada pela combinação de referências góticas, manuelinas, mouriscas e renascentistas. Uma mistura de estilos que traduz o espírito romântico do século XIX e revela a liberdade criativa de seu idealizador.

O resultado foi um palácio de personalidade inconfundível, no qual o antigo mosteiro foi preservado e integrado a uma nova construção. Duas épocas distintas passaram a conviver no mesmo conjunto arquitetônico.

O que mais impressiona é a riqueza visual do conjunto. Fachadas em tons de amarelo e vermelho, torres, arcos, cúpulas, passagens e elementos decorativos criam uma composição arquitetônica que parece reunir diferentes culturas e períodos históricos.

Cada ambiente guarda particularidades. Os interiores preservam mobiliários, revestimentos, objetos e ornamentos que ajudam a compreender os hábitos e a vida da realeza portuguesa.

Outro detalhe interessante é o próprio parque, idealizado por D. Fernando II como parte integrante do projeto. Com caminhos sinuosos, lagos, grutas, espécies vegetais de diferentes partes do mundo e miradouros, o espaço foi concebido para proporcionar uma experiência de contemplação e descoberta.

Do alto de suas muralhas, a vista se abre para a Serra de Sintra, em uma paisagem na qual arquitetura e natureza parecem fazer parte de uma única composição.

Em 1910, o Palácio da Pena foi classificado como Monumento Nacional. Já a Paisagem Cultural de Sintra, da qual faz parte, recebeu o reconhecimento de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1995.

Ao percorrer seus espaços, percebemos como a arquitetura pode preservar a memória de uma época e, ao mesmo tempo, despertar nossa curiosidade sobre as pessoas, os costumes e as ideias que deram origem a cada construção.

Como curadora e apaixonada pela história da arte, acredito que conhecer um patrimônio como esse é ampliar nosso olhar. É compreender que a arte não está somente nas telas e esculturas, mas também nos espaços que atravessam gerações e contam histórias.

Porque viajar também é descobrir a história através da arte.

Espero que tenham gostado de mais essa visita pelo universo da arte, da arquitetura e da história!

Fiquem comigo por aqui. Nas viagens, sempre haverá museus, exposições, obras de arte e histórias esperando para serem descobertas.

Respire Arte!

Fotos cedidas por Amanda Sanzi

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Amanda Sanzi é artista visual contemporânea, curadora, escritora, gestora cultural e colunista da Dolce Arte no Portal Dolce Morumbi®, onde compartilha suas percepções sobre a arte no cotidiano e os movimentos culturais pelo mundo
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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