Em maio deste ano, recebi uma notícia que me entristeceu: a Rádio Eldorado FM encerraria suas transmissões na virada para o dia 15, justamente a data do meu aniversário. Desde a adolescência, a Eldorado faz parte da minha vida. Sua programação, a curadoria musical e as vozes que me acompanharam por tantos anos se tornaram parte das minhas memórias afetivas. Afinal, quem nunca associou uma música, uma voz ou um lugar a algum momento especial?
A despedida teve um gosto amargo. Era difícil imaginar que uma rádio tão querida, reconhecida pela qualidade e pela relação construída com os ouvintes, deixaria de ocupar aquele espaço. Mas, para nossa alegria, veio a notícia de seu retorno. Em 7 de outubro, a Eldorado voltou ao ar, em uma nova frequência. E que bom poder sintonizá-la novamente!

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.
Essa história me levou a pensar nos encerramentos que atravessamos ao longo da vida. Relacionamentos amorosos, amizades, vínculos profissionais, lugares que frequentamos e até versões de nós mesmos que ficam pelo caminho. Algumas despedidas acontecem devagar; outras chegam sem aviso. Nem sempre estamos preparados para nenhuma delas.
Você já viveu um afastamento que parecia definitivo e, algum tempo depois, foi surpreendido por um reencontro? Às vezes, bastam alguns meses. Em outras situações, passam-se anos. Há relações que não se restabelecem, mas continuam presentes de alguma forma, nas lembranças, nos aprendizados ou no afeto que um dia existiu.
Costumamos associar o luto à morte, mas ele também pode aparecer diante de perdas simbólicas. O fim de uma relação, a saída de um trabalho ou a interrupção de um projeto podem despertar tristeza, saudade, alívio e sentimentos contraditórios. Tudo isso faz parte da experiência humana.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.
O curioso é que aprendemos tantas coisas ao longo da vida, mas pouco conversamos sobre como lidar com o que sentimos. Em muitas famílias, falar sobre perdas, separações e morte ainda provoca desconforto. Como se evitar o assunto pudesse nos proteger da dor. Mas será que o silêncio realmente nos prepara para enfrentar essas experiências?
Acredito profundamente na importância de uma educação que contemple o desenvolvimento emocional desde a infância. Que possamos aprender a reconhecer sentimentos, comunicar necessidades, lidar com frustrações e compreender que os vínculos também se transformam. E por que não incluir, com a mesma atenção, educação financeira, artes e outras experiências capazes de ampliar nossa compreensão sobre a vida?
Talvez uma sociedade que aprende a conversar sobre suas emoções também desenvolva mais empatia, consciência e disposição para colaborar. Isso não elimina conflitos nem sofrimentos, mas pode ajudar a construir relações em que exista espaço para a escuta, o respeito e a compreensão das diferenças.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.
E quanto aos reencontros? Gosto de pensar que eles podem ser bonitos quando não representam uma tentativa de repetir exatamente o que passou. O tempo nos transforma. Algumas relações merecem novas conversas; outras precisam permanecer como parte da nossa história. Reconhecer essa diferença também é uma forma de maturidade.
A Eldorado voltou, e sua música continua fazendo companhia a tantos ouvintes. Na vida, nem todas as histórias terão esse desfecho. Ainda assim, podemos acolher o que foi vivido e permanecer abertos ao que está por vir. E você, como tem lidado com suas despedidas? Existe algum reencontro que gostaria de viver ou alguma história que já pode deixar descansar?






























