Skip to content
Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

A coragem de desagradar

A coragem de desagradar: aprender a impor limites e deixar de procurar a aprovação alheia é o primeiro passo para a verdadeira liberdade.
Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Evitamos incomodar quem está à nossa volta para sermos aceitos, bem-vindos e sobretudo, apreciados

Existe uma prisão na qual muita gente vive sem sequer se aperceber: a necessidade constante de agradar aos outros.

Medimos palavras, alteramos comportamentos, escondemos opiniões e, por vezes, diminuímos a nossa própria luz para não incomodar quem está à nossa volta. Tudo para sermos aceites, bem-vistos e, sobretudo, para evitar o desconforto de não sermos apreciados.

Mas há uma pergunta que merece ser feita: até que ponto estamos dispostos a deixar de ser nós próprios para garantir que os outros gostam de nós?

Não somos obrigados a caber nas expectativas alheias: o momento em que a evolução começa é quando paramos de medir palavras e sentimentos para agradar o entorno.
Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

A verdade é que, independentemente do que façamos, haverá sempre alguém que não concorda conosco, que interpreta mal as nossas intenções ou que simplesmente não gosta da nossa maneira de ser. E está tudo bem.

Não somos obrigados a caber nas expectativas de toda a gente. Não temos de justificar cada decisão, explicar cada silêncio ou pedir desculpas por termos opiniões diferentes.

Aliás, há momentos em que a nossa evolução começa precisamente quando deixamos de procurar aprovação.

Isto não significa que devamos ser insensíveis, arrogantes ou indiferentes aos sentimentos dos outros. Significa apenas que precisamos de compreender a diferença entre respeitar as pessoas e viver em função delas.

Porque, convenhamos, é curioso: algumas pessoas só gostam de nós enquanto somos exatamente aquilo que elas esperam. Quando começamos a estabelecer limites, a dizer não ou a ocupar o nosso espaço, de repente tornamo-nos difíceis, arrogantes ou mudámos muito.

A vida sem a ‘campanha eleitoral’ da aprovação: viver para ser quem se é e reencontrar a beleza da própria essência.
Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

E talvez tenhamos mudado mesmo. Talvez tenhamos finalmente percebido que a nossa paz não pode depender da aprovação alheia.

No fim das contas, a vida é demasiada curta para ser vivida numa constante campanha eleitoral em busca do voto de quem nos rodeia.

Aprender a desagradar também é uma forma de liberdade.

E tu, tens vivido para seres quem és ou para seres aquilo que os outros gostariam que fosses?

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

Demais Publicações

A armadilha da verossimilhança quando animais contam histórias

A fabricação de narrativas verossímeis nasce da urgência de sobreviver, mas se consolida na busca por vantagem estratégica sobre a interpretação do real

Você cresceu ou apenas ficou mais ocupada?

Quando sabemos exatamente o que queremos alcançar, conseguimos direcionar melhor nossa atenção, nossas escolhas e nossos comportamentos

Novembro começa pedindo verdade

Que essa primeira quinzena seja de coragem para soltar, honrar, mergulhar e, finalmente, seguir com clareza

Você autorizaria uma IA a mexer no seu dinheiro?

Agentes de inteligência artificial começam a assumir tarefas financeiras. Além do risco de operações indevidas, surge outra preocupação: quem tem acesso aos seus dados quando você delega essas atividades?

Quando a polarização dos adultos invade a infância

Estamos ensinando nossas crianças a pensar ou apenas a escolher um lado?

A praça das Agulhas Silenciosas

A praça nunca foi tão silenciosa; nem tão perigosa

Como a queixa sexual se constrói e se mantém dentro do contexto conjugal?

Experiências pessoais são fundamentais para a vivência sexual dos casais

Beleza em tempo de renovação: novembro nos convida a desacelerar, dezembro nos inspira a brilhar

A beleza não está apenas no espelho, mas na maneira como nos cuidamos, nos valorizamos e nos preparamos para viver novos momentos

Turismo das lendas urbanas

Cidades que escondem histórias fascinantes

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

dolce-mulher-publ-22-segredos-da-mulher-confiante-post-inst
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções