Skip to content

Como educar em uma sociedade de crianças adultizadas e adultos infantilizados?

Design Dolce sob imagem por Halfpoint em Canva

Enquanto adultos se infantilizam presos aos próprios egos e massificados por padrões, crianças se manifestam adultas em uma tecnologia informatizada

Por Cláudia Moraes da Costa Vieira

A vida contemporânea é marcada pela rapidez advinda da tecnologia informatizada. Os danos resultantes de uma existência desarticulada da consciência se manifestam nas desigualdades socioeconômicas e ambientais e geram, entre outros entraves, crises climáticas, adultização das crianças e infantilização dos adultos. Nesse contexto, emergem questões urgentes, entre as quais: como educar em uma sociedade cujos adultos se encontram infantilizados, presos aos próprios egos e massificados por padrões, e as crianças se manifestam adultizadas? 

Essa indagação nos remete à instituição escolar, pois a escola é o lugar onde a humanidade passa a maior parte do tempo, em especial durante seu processo de desenvolvimento humano. Lá também se encontram as diversidades, tanto culturais quanto religiosas, econômicas, sociais e ambientais. Ao refletir sobre esse contexto, percebe-se que é nesse espaço/tempo da sala de aula que é possível estabelecer o cuidado com a humanidade e suas relações.

Design Dolce sob imagem por Todor Tsvetkov em Canva

Já pensaram na riqueza de compreensões na análise do documentário sobre a formação do povo brasileiro, de Darcy Ribeiro, sendo essa obra analisada por um grupo diverso? Refletir sobre as questões climáticas, o contexto das guerras atuais, bem como das guerras urbanas tão presentes e as diversas modalidades de preconceito? Dessas discussões, vários elementos curriculares estariam sendo contextualizados e, com isso, seria gerada uma aprendizagem significativa e, consequentemente, humana. 

Trazer as questões humanas para dentro da escola e, com isso, trazer o ser humano para esse lugar de centralidade na educação é voltar para a escola o espaço de cuidado com o que é humano, com a maneira de o sujeito se relacionar com o mundo que o cerca, como uma maneira de estar consciente do presente e assim poder gerar esperança para um possível futuro, mesmo que utopicamente inclusivo. Refletir sobre o ser humano voltar ao centro da educação passa pelo futuro da profissão da docência, na perspectiva do sentido do trabalho que atualmente sofre sem as devidas condições de trabalho, com processos de desvalorização: trabalho/ser. 

Design Dolce sob imagem por View Apart em Canva

O aprender e o ensinar caminham em diálogo na perspectiva dos saberes, fazeres e conhecimentos. O cotidiano e a ciência se constituem na necessidade de o trabalho se realizar de maneira consciente, bem como no resgate da criatividade e criticidade que há em cada ser, no reconhecimento do seu pertencimento à espécie humana, no cuidado com as futuras gerações, em uma busca de romper com a sobrevivência baseada somente na competição, na exploração e no individualismo, que diariamente reproduz as mínimas e/ou quase insalubres condições de sobrevivência para toda a coletividade.  Devolver o ser humano como centro da educação é constituir a escola como um espaço de pesquisa, de comunidades de conhecimento, onde haja uma permanência no diálogo, nas conversas sobre ideias, onde se produzam curiosidades, críticas, escutas, espaços de fala, reflexões, teoria/práticas e onde se possa diminuir as desigualdades, tanto sociais como ambientais. Iniciar esse trajeto é possibilitar o olhar de maneira consciente para sua humanidade, no sentido individual/coletivo em um movimento de vida.

Publicidade | Dolce Morumbi®

Publicidade | Dolce Morumbi®

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Autora de “Ao garimpar pedrinhas, prosas e sementes”, Cláudia Mores da Costa Vieira é pedagoga, doutora em Educação e pesquisadora do grupo Educação Ambiental e Ecologia Humana, da Universidade de Brasília.

Colaboração da pauta:

Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

Demais Publicações

O silêncio da virtude e o ruído da vaidade

Em tempos de ruído e autopromoção, talvez o verdadeiro ato virtuoso seja o silêncio

Antes de julgar, tente andar um dia no meu lugar

Quando uma mãe atípica levanta a voz, não é exagero; é a exaustão de uma vida inteira sendo silenciada

A empresária que não sai da operação acaba saindo do jogo

É impossível permanecer pequena quando você se expõe ao crescimento

Prostituição maternal

Independentemente da razão, muitas mulheres acabam por ter filhos com pais diferentes em busca do amor

O ranking da vergonha silenciosa

Há algo ainda mais preocupante do que a corrupção em si: a normalização dela

Maturidade digital à prova: o que o Carnaval revela sobre empresas

Temporadas de alta demanda funcionam como termômetro para medir agilidade, dados e experiência do cliente

Jabuti descalço

Independentemente de ter ou não talento literário, eu não preencho o requisito básico dos pés de Jabuti

A arte digital e a expansão do olhar: um novo suporte da criatividade humana

Entender a arte digital hoje é entender como a criatividade humana está rompendo barreiras físicas

Pedras & Bordados: o brilho que conta histórias, do couture ao urbano

Um luxo que atravessa séculos e continua absolutamente atual

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

publ-gisele-ribeiro-reiki-16.10.25-1-1
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções