Caro leitor e cara leitora, Moçambique para além de ser lindo, amável e caloroso, é também, um país repleto de tradições emaranhadas e secretas, algumas acreditem, pouco divulgadas outras até são, porém, de forma ambígua e abstrata deixando o verdadeiro cru e límpido, para quem as pratica e vive delas.
Eis o caso dos ritos de iniciação, praticados maioritariamente na zona norte do país e um pouco no centro. Neles, meninas e meninos são levados a ficarem lá por um determinado tempo variando de 15 dias a 2 meses. Onde aprendem a essência de ser homem e ser mulher. Ora, vejamos: será que a idade escolhida para tal é a ideal? Para as meninas, a partir do momento em que ela vê a Menarca, é e está apta para lá ir, sim, meninas dos seus 8, 10 anos e acima, etc., e os meninos, quando escolhidos o momento exato para fazer a circuncisão.

Claramente que deves estar atónico e meio Dumm sem perceber o que isso significa na prática. Sim a menina é ensinada a cuidar de uma casa, a lidar com a sua higiene e acima de tudo a dar prazer, sim, dar prazer sexual ao homem ao ponto dele dar-lhe tudo. Sim, a uma menina, lhe é ensinada com tenra idade como ser mulher, ousada e com a sexualidade ativa e os meninos são ensinados, dentre diversas coisas, de como ser homem, a cuidar de um morto, sim, de um cadáver, desde a sua recepção, ao banho e até mesmo a como fazer a cova certa para enterrar cristãos ou muçulmanos e, sim, depois disso é considerado homem.
É algo a ser diabolizado? Não no seu todo, mas algumas coisas a meu ver, são demasiadas e exageradas, fazendo com que muito cedo eles se desviem com facilidade, por acreditar já serem adultos. Me pergunto, por que é que uma menina precisa saber agradar sexualmente um homem? Por que é que um menino precisa lidar com cadáveres? Parecem gestos pequenos e simples, mas já passam gerações nisto. O certo seria abolir? Não, mas delimitar e dar a possibilidade de escolher a hora certa para aprenderem certas coisas, deixando e dando liberdade da criança ser criança.

As tradições devem sim, serem conhecidas e respeitadas, porém, algumas coisas devem obedecer a dinâmica e fragilidade do sistema em que nos encontramos.
Os ritos de iniciação obedeciam uma realidade em que crianças de 12 ou 14 na altura, já estavam preparadas para a realidade matrimonial e laboral, Hoje em dia, infelizmente, não podemos assumir esse risco. Apesar de correrem mais que as próprias pernas, boa parte de crianças dessa faixa etária hoje, não têm esse preparo e já é hora de alterar algumas realidades tradicionalistas.
Entenda caro leitor e leitora, não sou contra a tradição, só contra atropelos e acelerações desnecessárias na vida de um ser humano, e digo mesmo, as tradições são lindas e bem curiosas, mas algumas coisas, não sei.
Por um mundo mais justo e repleto de respeito.



























