Vivemos em um mundo cheio de ideais, regras, posturas sociais e padrões.
Mas quando entramos nas questões emocionais e amorosas, as coisas não são assim tão simples.
Quando se fala em separação, a primeira recomendação é sempre a mesma:
“Procurem ajuda antes de se separarem.”
“Vão falar com os padrinhos.”
“Vão falar com os tios.”
“Vão falar com os vossos pais.”
Mas eu pergunto: será que estas pessoas são mesmo capazes de resolver?
Ou, por vezes, acabam por piorar a situação?
Porque, sejamos honestos. Mesmo sendo padrinhos, familiares ou amigos próximos, existe quase sempre uma simpatia maior por um dos lados.
E quando isso acontece, numa discussão, a tendência é clara: vamos apoiar mais aquele com quem temos mais ligação, mais afinidade, mais carinho.
E no fim, deixamos de ajudar.
Passamos a tomar partido.

Então será que essas pessoas, que nos conhecem tão bem, são realmente as mais indicadas para resolver?
Dependendo da maturidade de cada um, eu não sei.
E é aqui que entra outra questão:
E a terapia?
Uma pessoa neutra.
Alguém de fora.
Uma terapia de casal.
Uma abordagem diferente para tentar evitar a separação.
Pode ajudar? Pode.
Mas olhando para a nossa realidade, para o nosso contexto africano, como é que nós vemos a terapia?
Não vemos com bons olhos.
Ainda existe muito a ideia de que terapia é “coisa de quem tem problemas mentais”.
Que vamos expor a nossa vida a estranhos.
Que não vale a pena.
E, muitas vezes, mesmo quando se decide ir, nem se diz toda a verdade.
Ou pior: vai só um dos lados.
São poucos os casais que, antes de chegarem à palavra “separação”, escolhem sentar-se juntos e procurar ajuda profissional.
O que fazemos, na maioria das vezes?
Vamos aos amigos.
Vamos à família.
Vamos acumulando.
Vamos adiando.
E, no fim, a separação chega.
E quando chega, os “amiguinhos da separação” já não têm muito a fazer.
Pelo contrário.
Muitos deles, que antes eram “apoio”, passam a ser vistos como problema.
Porque ajudaram demais um lado.
Porque tomaram dores que não eram deles.
Porque deixaram de ser neutros.
E há casos ainda mais extremos.
Famílias que entram em conflito direto.
Que invadem, que confrontam, que criam guerras baseadas numa única versão da história.

E aí já não se fala apenas da separação. Fala-se dos estragos causados pelos amigos da separação.
E eu pergunto: vale mesmo a pena?
Ou não seria melhor procurar alguém neutro, preparado, com ferramentas para ajudar o casal?
Alguém que não tenha interesse emocional em nenhum dos lados.
A terapia de casal.
Há quem diga: “Eu prefiro ir ao meu pastor.” Nada contra.
Mas é preciso reconhecer: o pastor também fala a partir de uma visão.
De um contexto. De uma crença.
E, infelizmente, muitas vezes a orientação é:
“Minha filha, aguenta.”
“Minha filha, suporta.”
“Do lar não se sai.”
E, com isso, continuamos em relações tóxicas, em relações doentes, em relações que já perderam o equilíbrio.
Tudo porque temos medo da vergonha. Medo do julgamento. Medo de sair.
E, no meio disso tudo, os “amigos da separação” vão alimentando mais ruído do que solução.
Por isso, deixo-te uma reflexão: vais escolher os amigos da separação ou vais escolher resolver, de verdade, a tua relação?
Porque, no fim, ninguém vive as consequências além de ti.




























